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MORUBIXABAS DA UMBANDA

 

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Benjamim Figueiredo chamava os Caboclos da Umbanda de alta hierarquia, de morubixabas,chefes. Matta e Silva escreveu bastante sobre eles no livro “Mistérios e Práticas na lei de Umbanda”. E reli alguns estudos do Terreiro de Umbanda Caboclo Folha Seca. Assim, tive vontade de escrever este texto, relembrando alguns dados sobre estas poderosas entidades da nossa Umbanda, que tanto nos ajudam e protegem, caminhando conosco em todas as horas, e aos quais sempre estaremos gratos pela irradiação luminosa que sempre nos contemplam.
Matta e Silva remonta a origem dos espíritos que figuram como Caboclos na Umbanda, em épocas antiquíssimas, muito anteriores ao que se possa imaginar. Ele refletiu muito bem, e é algo que todo aquele que quer compreender realmente uma filosofia ou religião deve fazer. Não apenas repetir o que lê, mas pesquisar, meditar a respeito, procurar significados, até que seu coração compreenda e creia, enraizando a verdadeira Fé, inabalável e raciocinada.
Matta e Silva escreveu então, que nossos índios , especialmente os Typy-nambás( grafia dele) e Tupy-guaranis( grafia ele), por volta de 1500, não eram uma tribo ou povo primitivo, que estivesse em sua infância de evolução, como os conquistadores portugueses imaginaram. Na verdade, em vez de ser um povo primitivo, era tão antigo, que sua origem se perdia dentro de milhões de anos de sua origem.(lembramos que os estudos antropológicos, arqueológicos e geológicos, mostram que o homem aqui habita há cerca de 60.000anos!).
Na verdade, o que aconteceu, foi que os índios que viviam em 1500, já pertenciam a um povo em franca decadência, que havia perdido sua cultura e suas tradições, encontrando-se no último ciclo de sua involução, como já ocorrera com os egípcios, romanos, maias e incas, entre outros.
Ainda Matta e Silva reflete, que assim , o que os espíritos abandonam obedecendo as diretrizes de uma Lei Cármica Superior, são os caracteres físicos de uma raça (eu diria um povo, pois a raça humana é única) e sua espécie vai diminuindo, por falta de dinamismo das reencarnações, até se extinguir ou na melhor das hipóteses, continuam reencarnando os remanescentes que ainda precisam burilar seus espíritos. Os mais evoluídos espiritualmente, não voltam mais nesta condição, tendo outras experiências reencarnatórias.
Portanto, a humanidade obedecendo a Lei dos Ciclos e Ritmos, evolui constantemente, porém através de várias povos. Alguns desses povos já nos precederam e passaram pela fase ascendente de progresso e a descendente, de decadência.
No início da história dos Caboclos de Umbanda, Mata e Silva descobriu arquétipos e mitos, para melhor compreensão. Escreveu sobre Muyrakitan, Deusa que floriu das águas, Senhora que nasceu do mar. Veneravam muito esta divindade, acreditavam em seus poderes mágicos e terapêuticos, através de seu itaobymbaé – espécie de argila de cor verde, uma substância nativa colhida do fundo de certos lagos, a qual transformavam num poderoso amuleto, que adquiria a forma de um disco.
O itaobymbaé só podia ser colhido e preparado pelas Ikannyabas (moças virgens), que desde a infância eram escolhidas como sacerdotisas do culto Muyrakitan, o qual era vedado aos homens.
Posteriormente, já no período de decadência, transformou-se no culto de Yuremá, hoje chamado Jurema.
Essas sacerdotizas eram as únicas criaturas entre os tupy-guaranis que podiam preparar esse talismã e o faziam assim: esperavam sempre que Yaci –a Lua, estivesse cheia, estendendo a sua luz sobre as águas da lagoa onde se colhia o itaobymbaé, para onde se dirigiam após uma severa preparação ritualística e mágica. Esse preceito implicava na passagem junto à árvore da Yuremá verdadeira, onde invocavam ou imantavam os fluidos magnéticos da Luz, através de cânticos e palavras especiais sobre determinado número de folhas, para serem mastigadas por elas, na ocasião de mergulharem no lago. Abrindo parênteses na narração de Matta e Silva, lembramos que esse ritual, em tudo se assemelha aos das sacerdotisas druidas da Corrnalha, muito divulgado através de romances épicos sobre o rei Arthur e os druidas. Como não havia comunicação acerca destas histórias, com mesma origem e significados, podemos inferir que muitas lendas não são tão lendas assim, e sim fatos ritualísticos de eras perdidas, consagrados a antigas forças mágicas.
Os talismãs citados há pouco, eram usados na orelha esquerda das mulheres. O seu equivalente para o homem era o tembetá, usado no lábio inferior, através de perfuração. Feito de um mineral verde o qual Matta e Silva se refere como nefrita verde, mas pesquisando vemos que não existiria este mineral em terras brasileiras, mas seria alguma pedra parecida com o jade.Em forma de T e era um talismã de Guaracy- O Sol- preparado pelo pajé para que ele imantasse de um raio, do fogo do céu, enfim, da energia solar. Era o símbolo mágico do deus Sol.
Nas apotilas do Terreiro de Umbanda Caboclo Folha Seca, precisamente do Núcelo de Educação Vovó Catarina, também encontramos rico material. O capítulo sobre caboclos se inicia tentando explicar como as entidades da Umbanda chamadas de Caboclos passaram a ter conexão com o Orixá Oxóssi, da mitologia africana.
Lá inicia-se relatando que Oxóssi, é a divindade da caça que vive nas florestas . Seus principais símbolos são o arco e a flecha chamado ofá e um rabo de boi chamado eruxim. Em algumas lendas aparece como irmão de Ogum e Exu. Oxóssi é o rei do Keto, filho de oxalá e Yemanjá, orixá da caça.
Segundo Pierre Verger, o culto de Oxossi é bastante difundido no Brasil, mas praticamente esquecido na áfrica. A hipótese do pesquisador francês é que Oxóssi foi cultuado basicamente no Keto, onde chegou a receber o título de rei. Essa nação porém, foi praticamente dizimada no século XIX pelas tropas do então rei de Daomé. Os filhos consagrados a Oxóssi foram vendidos como escravos no Brasil, Antilhas e Cuba.
Já no Brasil, o Orixá tem grande prestígio e força popular, ale de um grande número de filhos. O mito de caçador explica sua rápida aceitação no Brasil, pois identifica-se com diversos conceitos dos índios brasileiros sobre a mata ser morada dos espíritos dos índios, conceito igualmente adotado na Umbanda e no Candomblé de Caboclo, este, um sincretismo entre os ritos africanos e os dos índios brasileiros , comuns no norte do país. E talvez seja por isso que mesmo nos rituais mais tradicionalistas africanos, alguns filhos de Oxóssi o identificam não como um negro, como manda a tradição, mas como um índio.
Às vezes os caboclos são confundidos com o Orixá Oxóssi, mas eles são na verdade entidades da Umbanda, que passaram a trabalhar na linha de Oxóssi, embora sua irradiação possa ser de outro Orixá. E assim, os Caboclos que trabalham na Umbanda passaram a ser regidos por Oxóssi como linha de trabalho.
Os Caboclos, de acordo com planos pré-estabelecidos na Espiritualidade Maior, chegam até nós com alta e sublime missão de desempenhar tarefa da mais alta importância, por serem espíritos muito adiantados, esclarecidos e caridosos. Espíritos que podem ter sido médios na Terra, cientistas, sábios, professores, enfim, pertenceram a diversas classes sociais.
Os Caboclos vêm auxiliar na caridade do dia a dia aos nossos irmãos enfermos, quer espiritualmente , quer materialmente.
Geralmente, os Caboclos são escolhidos por Oxalá para serem os Guias chefes dos médiuns, ou melhor, representar o Orixá de cabeça do médium umbandista ( em alguns casos, os Pretos Velhos assumem esse papel).
Eles estão sempre presentes nas sessões de desenvolvimento mediúnico, nas curas ( através das ervas e simpatias), desobsessões, soluções de problemas psíquicos e materiais, demandas materiais e espirituais e uma série de outros serviços e atividades executados nas tendas.
Quase sempre os Caboclos vêm na irradiação do Orixá masculino da coroa do médium, e as caboclas vêm na irradiação o Orixá feminino da coroa da médium, mas eles podem vir também na irradiação do seu próprio orixá de quando encarnados e até mesmo da irradiação do Povo do Oriente.
È comum nas giras, os Caboclos se despedirem , dizendo que vão subir em direção à Juremá. Outros falam que vão à Humaitá, e assim por diante. Sabemos, no entanto, que os caboclos não voltam para as florestas, eles não moram lá na verdade. No espaço, onde se encontram as esferas vibratórias, vivem os Caboclos de acordo com sua faixa vibracional de atuação, junto à psicosfera da Terra. E é para as cidades espirituais do espaço que os Caboclos responsáveis pelos diversos terreiros levam os médiuns, dirigentes e demais trabalhadores, para aprenderem um pouco mais sobre a Umbanda.
Estas colônias no astral, ou “aldeias”, possuem grandes núcleos de trabalho, e ali os Caboclos também aprendem, estudando, trabalhando, como todos os espíritos no caminho do Bem; São espíritos de Luz, mas não perfeitos, e assim continuam, lutando por sua evolução.
A Força dos Orixás, emanada pelo Deus Pai, infunde a mais pura energia para que os Caboclos possam trabalhar, e é na identificação energética com o Orixá Oxóssi que eles conseguem atuar sobre os médiuns, os consulentes, e todos aqueles que buscam amparo, cura, proteção.
Lá na morada de Luz dos Caboclos, existem outros espíritos aprendendo o manejo das energias, das forças que estabelecerão um padrão vibratório de equilíbrio para aqueles, que na Terra, procuram as tendas e terreiros em busca de caridade e conforto espiritual.
Estas “aldeias” se locomovem entre as esferas, ora estão em zonas perto das trevas, sobre cidades do plano visível, etéreas, ou sobre as florestas preservadas pelo homem. De lá, com a ajuda dos Elementais, produzem os remédios para a cura dos males do corpo.
Quando incorporados, fumam charutos ou cigarrilhas e em algumas casas costumam usar durante as giras, penachos, arcos e flechas, lanças, etc. Falam de forma rústica, lembrando sua forma primitiva de ser Os assovios e brados dos Caboclos assemelham-se à mantras, cada entidade emite um som de acordo com seu trabalho, para ajustar condições específicas que facilitem a incorporação ou para liberarem certos bloqueios nos consulentes ou nos médiuns.
Quanto ao estalar de dedos, é bom lembrar que nossas mãos possuem uma quantidade enorme de terminais nervosos, que se comunicam com cada um dos chacras de nosso corpo. O estalo dos dedos se dá sobre o monte de Vênus (a parte gordinha de dentro da mão) e isto serve para equilibrar a vibração energética do médium retomando a rotação e frequência de seu corpo astral, assim como também serve para a descarga de energias negativas.
Quando incorporados o comportamento dos Caboclos às vezes é diferenciado. Os que se apresentam como Caboclos da Mata viveram mais próximo da civilização, ou tiveram contato com ela, e se comunicam fluentemente. Os Caboclos da Mata Virgem ficam mais no interior das matas, sem contato com outros povos, se comunicam com maior dificuldade.
Alex de Oxóssi
Rio Bonito - RJ
contato@semcensuras.com.br

Fontes de estudo:
SILVA, W. W. DA MATTA E (MESTRE YAPACANI). Mistérios e Práticas na Lei de Umbanda Autor: MESTRE YAPACANI. Editora: ICONE EDITORA, 1999.
Estudo sobre os Caboclos. Doc 32. Terreiro de Umbanda Caboclo Folha Seca. Nucleo de Educação Vovó Catarina.
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