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PSICOGRAFIA

Texto de Virgínia Rodrigues


Revista Espírita de Umbanda 


Edição 10.


Editora Minuano


A2“ De todas as formas de comunicação, a escrita manual é a mais simples, a mais cômoda e, sobretudo, a mais completa. Todos os esforços devem ser feitos para o seu desenvolvimento, porque ela permite estabelecer relações tão permanentes e regulares com os Espíritos, como as que mantemos entre nós. Tanto mais devemos usá-la, quanto é por ela que os Espíritos revelam melhor a sua natureza e o grau de sua perfeição ou de sua inferioridade. Pela facilidade com que podem exprimir-se, dão-nos a conhecer os seus pensamentos íntimos e assim nos permitem apreciá-los e julgá-los em seu justo valor. Além disso, para o médium essa faculdade é a mais suscetível de se desenvolver pelo exercício” ( Livro dos Médiuns, item 178).

A psicografia é a técnica utilizada pelos médiuns para escreverem um texto sob a influência de um Espírito desencarnado. Todos nós sabemos que, no tempo em que Allan Kardec teve contato com as manifestações espíritas, o meio utilizado para a comunicação entre os dois planos eram as mesas girantes. Esse mecanismo constituía-se de uma pequena mesa de três pés, sobre a qual se colocavam as pontas dos dedos de duas ou mais pessoas. Sob o efeito de um agente até então desconhecido, influenciado pela ação energética dos manipuladores, a mesa saltitava dando pancadas no assoalho. Por meio dessas batidas convencionou-se um alfabeto e foi possível obter as primeiras mensagens entre o mundo invisível e o visível. Algum tempo depois, a imaginação dos adeptos dessa metodologia criou outros mecanismos que facilitavam a comunicação dos Espíritos através dos médiuns. Dentre eles se destacavam a cesta-pião, a mesa miniatura, as pranchetas e a cesta de bico.

A escrita obtida por esses instrumentos primários foi chamada mais tarde de “psicografia indireta”. Após a fase primitiva, alguns experimentadores tiveram a idéia de substituir as cestinhas pela mão do próprio médium, o que origem à “psicografia direta” ou “psicografia manual”, utilizada até os dias de hoje.

Psicografia (do grego psyche, borboleta, alma, e graphô , eu escrevo) – transmissão do pensamento dos espíritos por meio da escrita, pela mão de um médium. No médium escrevente, a mão é o instrumento, mas sua alma, ou o espírito nele encarnado é o intermediário ou intérprete do Espírito estranho que se comunica.

Por conta da importância das mensagens escritas, Allan Kardec afirma em “O Livro dos Médiuns”, que todos os esforços devem ser feitos no sentido de desenvolvê-la. Além disso, trata-se da mediunidade mais fácil de ser desenvolvida, pois que seu mecanismo de sintonia é facilitado pelo automatismo proveniente do processo de escrita.

Quando uma pessoa está escrevendo, a mente consciente busca as ideias no inconsciente, para ordená-las no fluxo criativo. Como a influência espiritual se dá na camada inconsciente, isso facilita a sintonia com o Espírito comunicante. Quando se trata de dar vida lógica e racional a um texto, é muito mais confortável escrever do que falar. Por este motivo, os homens de destaque em nosso mundo preferem fazer seus discursos públicos por escrito.

A mensagem escrita tem maior valor do que a falada, pois ela pode ser seu conteúdo examinado de modo mais abrangente. Por ela é possível sondar a intimidade dos pensamentos da entidade que se comunica, dando a eles um justo valor pelo conteúdo que encerram. Os médiuns psicógrafos podem ser “Mecânicos”, “intuitivos” , “Semimecânicos” e os “Inspirados”.

Médiuns Mecânicos – se caracterizam pelo fato de movimentar as mãos escrevendo sob a influência direta dos Espíritos, sem interferência da própria vontade. Agem como máquinas a transmitir do invisível para o mundo material. São raros. No Brasil, destaca-se o trabalho de Francisco Cândido Xavier. “Quando o Espírito age diretamente sobre a mão, dá-lhe uma impulsão completamente independente da vontade do médium. Ela avança sem interrupção e contra a vontade do médium, enquanto o Espírito tiver alguma coisa a dizer, e para quando ele o disser. O que caracteriza o fenômeno, nesta circusntância, é que o médium não tem a menos consciência do que escreve. A inconsciência absoluta, nesse caso, caracteriza os que chamamos de médiuns passivos ou mecânicos. Esta faculdade é tanto mais valiosa quanto não pode deixar a menos dúvida sobre a independência do pensamento daquele que escreve” ( Livro dos Médiuns, item 178)

Médiuns intuitivos-  recebem as mensagens dos Espíritos desencarnados por meio da sintonia psíquica direta entre sua mente e a do comunicante. Eles precisam compreender o pensamento sugerido, assimilá-lo, para depois transmiti-lo revestido com suas próprias ideias. São comuns, “O papel do médium mecânico é o de uma máquina; o médium intuitivo age como um intérprete. Para transmitir o pensamento ele precisa compreendê-lo, de certa maneira assimilá-lo, a fim de traduzi-lo fielmente. Esse pensamento, portanto, não é dele; nada mais faz do que passar através do seu cérebro. É exatamente esse o papel do médium intuitivo” ( Livro dos Médiuns, item 180).

Médiuns Semimecânicos – são aqueles que sentem a mão ser movimentada, mas ao mesmo tempo têm consciência do que escrevem.No primeiro caso, o pensamento vêm após a escrita; no segundo, antes da escrita, e no terceiro , junto a ela. Os médiuns semimecânicos são os mais numerosos. “No médium puramente mecânico o movimento da mão é independente da vontade. No médium intuitivo, o movimento é voluntário e facultativo. O médium semimecãnico participa das duas condições. Sente a mão impulsionada, sem que seja pela vontade, mas ao mesmo tempo tem consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam. No primeiro, o pensamento aparece após a escrita, no segundo, antes da escrita; no terceiro, ao mesmo tempo. Médiuns semimecânicos são os mais numerosos” ( Livro dos Médiuns, item 181)

A última variedade de médiuns é a dos Inspirados. O Livro dos Médiuns nos informa que esse tipo é uma variação dos médiuns intuitivos, com a diferença de que nos inspirados é muito mais difícil distinguirmos o pensamento do espírito, daquele eu é do médium. A mediunidade inspirada é proveniente da mediunidade generalizada ou natural, que todas as pessoas possuem em maior ou menos grau. Todos os que recebem, no seu estado normal ou de êxtase, comunicações mentais estranhas às suas ideias, sem serem, como estas, preconcebidas, podem ser considerados médiuns inspirados. Trata-se de uma variedade intuitiva, com a diferença de que a intervenção de uma potência oculta é bem menos sensível, sendo mais difícil de distinguir no inspirado o pensamento próprio, daquele que foi sugerido. O que caracteriza este último é sobretudo a espontaneidade. Recebemos a inspiração dos Espíritos que nos influenciam para o bem ou para o mal. Mas ela é principalmente a ajuda dos que desejam o nosso bem, e cujos conselhos rejeitamos com muita frequência. Aplica-se a todas as circunstâncias da vida, nas resoluções que devemos tomar” ( livro do Mediuns, item 82).

Quem pode ser um Médium Psicógrafo?

Não há nenhum meio de diagnosticarmos a faculdade mediúnica, a não ser o experimento. Algumas pessoas confundem certos movimentos involuntários de braços e mãos, provocados por Espíritos obsessores, como sendo indícios de mediunidade de psicografia, o que têm levado algumas delas a sofrer graves decepções, escrevendo obras apócrifas. A melhor maneira de sabermos se uma pessoa tem ou não capacidade para escrever sob a influência ostensiva dos Espíritos é submetê-la à experiência.  No Brasil, acostumou-se em demasia À mediunidade de psicofonia ( a incorporação). OS Espíritos manifestam-se com mensagens simples, mas tem significado doutrinário. Allan Kardec sempre recomendou que desse preferência ao desenvolvimento da psicografia.

Como começar?

Nos casos de mediunidade semimecânica ou intuitiva, o médium tem consciência do que escreve. A princípio, é levado naturalmente a duvidas de sua faculdade. Não sabe se a escrita é dele oui do Espírito que se comunica. Mas ele não deve absolutamente inquietar-se com isso e deve prosseguir, apesar da dúvida. Observando seus escritos, vai notar que muitas ideias que estão neles, não são suas. Com o tempo, ganhará confiança e a mediunidade triunfará.

Nas primeiras sessões, quando o médium hesitar frente a um pensamento, sem saber se é dele ou do Espírito, ele deverá escrevê-lo. A experiência mais tarde lhe ensinará a fazer a distinção. Há situações em que é desnecessário saber se o pensamento é do médium ou do Espírito. Desde que produza boas obras, que é o que importa, deve agradecer seu guia oculto, que lhe sugerirá outras ideias. Os médiuns novatos, durante sua fase de aprendizado, não podem dispensar a assistência de dirigentes ou médiuns mais experientes. Espíritos inferiores costuma armar ciladas para prejudicar o desenvolvimento das faculdades mediúnicas dos interessados. Um, médium presunçoso não demorará muito a ser enganado por entidades mentirosas que, no começo da tarefa mediúnica costuma ficar à sua volta.

Uma vez desenvolvida a faculdade mediúnica, aconselha-se que o médium não abuse dela. Que discipline seu trabalho e que ele seja sustentado pela ação no serviço ao próximo, pelo estudo, pela meditação e por preces constantes. A psicografia, assim como outras formas de prática mediúnica, deve ser utilizada somente em momentos oportunos e nunca por simples curiosidade ou interesse particular. O entusiasmo que toma conta de alguns novatos ode levá-los a ficar sob a influência de Espíritos mistificadores.

Psicofonia (Incorporação)

Psicofonia (do grego psyké, alma e phoné, som, voz) é o fenômeno mediúnico no qual um Espírito se comunica através da voz de um médium.

Consciente-  quando o médium afirma ter percebido mentalmente ou escutado uma fala proveniente de um espírito que desejava se comunicar, tendo-a reproduzido com o seu aparelho fonador.

Insconsciente ou Sonambúlica – quando o médium afirma não sabe o que disse, fazendo entender que o Espírito comunicante utilizou diretamente o seu aparelho fonador.

Kardec, em “O Livro dos Médiuns”  chama os médiuns psicofônicos inconscientes de “Médiuns falantes”.
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