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OS CIGANOS

cig1Estava tentando aprender mais sobre os ciganos, compreender seu modo de ser e pensar.

Hoje, o que vemos, em muitos lugares, é a decadência de uma cultura, como tem ocorrido com os índios. Os ciganos, ainda hoje são expulsos para outros lugares. Na Europa, a Romênia destruiu extensas propriedades dos ciganos, que estavam ali há séculos, em especial no tradicional bairro de Sulukuli. Ocorreu então uma nova diáspora, onde eles não conseguiram pagar os altos aluguéis das novas residências que lhes ofereceram, e começaram a ir principalmente para a Itália e França. Lá, ao longo dos anos e da crise econômica, marginalizaram-se, tornando-se personas non gratas, pois começaram a mendigar, e as crianças a praticar roubos, encobertos pelas leis protetivas do menor, tal como ocorre aqui. Isto e já as dificuldades da própria população italiana e francesa, fez com que o governo destes países expulsassem para sua terra natal estes ciganos, que vão afundando cada vez mais na pobreza e na perda de seus valores milenares.

No Nordeste, os acampamentos ciganos em geral são paupérrimos, e eles são totalmente discriminados, a tal ponto que eles não conseguem matricular suas crianças nas escolas públicas, e são muito perseguidos, não conseguindo emprego, mantendo-os no círculo vicioso da pobreza e ignorância, apenas uma sombra da altaneria, habilidade com cavalos e ourivesaria e completa liberdade de seus ancestrais. Por outro lado, há por parte dos próprios ciganos uma segregação contra aquels que vão às escolas, sendo muito mais frequente entre as meninas que entre os meninos. Quando uma cigana tem um alto nível educativo, sua própria comunidade começa a dizer que ela já deixou de ser cigana, olhando a com um certo desprezo, nutrindo um infundado preconceito que a escola provoca a perda de sua identidade cultural ( que já vem de fato sendo perdida em ter eles pela miséria, pela falta de tradição escrita, pela deturpação dos valores).

O antropólogo José Pereira Bastos, professor da Universidade Nova de Lisboa e anfitrião do encontro Ciganos no século XXI, reuniu em Lisboa, em setembro de 2012, as principais organizações mundiais de defesa das comunidades ciganas.Os membros da reunião anual da Gypsy Lore Society (Sociedade de Tradição Cigana), realizada na capital portuguesa, destacaram em uma resolução que a sociedade antropológica “vê como alarmante a adoção, pelas autoridades francesas e italianas, de uma retórica anti-cigana,.” É dele a afirmação:

“Enquanto o racismo na América voltou-se contra os antigos escravos africanos e indígenas, o racismo europeu sempre focou em seus antigos escravos ciganos. A atual perseguição na França e Itália confirma este fenômeno.”

cig 2Os ciganos foram os escravos da Europa desde que o sultão de Ghazni (região atual do Afeganistão) começou a fazer incursões no norte da Índia, capturando os povos que ali viviam. No inverno de 1019/1020, o sultão conquistou a cidade sagrada de Kannauj, nessa época uma das mais antigas e letradas da Índia, capturando milhares de pessoas, e vendendo-as em seguida aos persas. Por sua vez, os persas os venderam para países hoje situados no leste europeu .Sabe-se que 2.300 deles foram colocados em uma zona dos principados cristãos ortodoxos da Transilvânia e da Moldávia, que hoje representam dois terços da atual Romênia. Lá, foram convertidos em escravos do príncipe, dos conventos e dos latifundiários rurais.

Durante as perseguições do século 15, contra judeus e muçulmanos, também caçaram os ciganos, considerados vagabundos e delinquentes. Na Alemanha e Holanda eram exterminados a tiros por caçadores pagos por cabeça.

Há muita especulação sobre a origem do Povo Cigano. Muitas histórias apontam para sua origem na Índia, outras no Egito. Porém, há também outras teorias, mostrando que os usos e costumes dos ciganos mais se assemelham aos costumes hebreus do que aos dos indianos. Vejamos:

1) as crenças religiosas = monoteístas (deus único). Estas crenças são mescladas com certas características do Zoroastrismo, o culto ao fogo, porque este culto da Pérsia, foi com certeza adquirido pelos ciganos quando lá estiveram por muitos séculos;

2) acreditam num mundo espiritual, onde há espíritos puros e impuros

3) luta permanente entre o Bem e o Mal;

4) a morte como uma passagem ao reino espiritual, onde o espírito do morto é impuro em sua viagem. Também são impuros seus parentes e seus bens materiais, durante o período de luto;

5) noção de marimê - o que é impuro, ou sujeito a impurezas e o vuzhô - puro. Na crença hebraica existe o “kosher”, com o significado contrário ao impuro, ou seja ritualmente puro;

6) rituais de casamento e a prova de virgindade;

7) a KRIS ROMANI e as regras do TORAH;

8) a habilidade para o comércio;

9) a musicalidade dos ciganos e judeus. Os ciganos preferem a musica do Oriente Médio.

Sobre esta musicalidade, inata de qualquer cigano encarnado, mas que também está no espírito de quem já foi cigano um dia, conta-nos José Laércio do Egito, que perguntou ao espírito chamado Mestre Yaco, de raízes ciganas, sobre a música e a dança para esta cultura. Ao que ele respondeu:

“Os ciganos obtém a consciência e sua evolução espiritual através da dança, porque dança é vida. A dança é um modo de ser diante da vida. Muita gente se reúne aqui na terra para dançar, dançam em locais chamados de danceterias, onde ocorre muito promiscuidade, pessoas se beijam sem se conhecer, em alguns locais até fazem sexo sem se conhecer. A dança é para a maioria das pessoas um flerte, uma maneira de se aproximar de alguém para satisfazer desejos promíscuos, de mostrar seu corpo, mexer o corpo que vai justamente cometer um ato do qual não seria bom que cometesse, pois se você se dá para qualquer um é porque no mínimo você não se dá valor. E na dança, pelo modo como a pessoa se movimenta, sabe-se justamente quem ela é, os seus defeitos e o que faz. No aprendizado cigano assimila-se que a dança imita a vida; quando você dança vai pensando no modo de como lidar com a vida. Na cultura cigana a dança é vista como uma coisa muito boa, boa demais, então os ciganos quando dançam aprendem que a vida é boa. Eles encaram a dança com alegria e aprendem que a vida é alegria. Mas muito mais do que isso, se você dançar é ver os desafios da vida, as dificuldades, o modo de dançar; balançar é você imitar toda uma situação na dança e enxergá-la melhor, pois evoluir espiritualmente é tomar consciência das coisas que estavam obscuras para nós.

Temos dificuldade para enxergar nossos defeitos, as nossas qualidades e as pessoas que mentem para nós e tentam representar uma coisa que na verdade não são. O processo de evolução é rasgar estas ilusões, pois evoluir é se transformar em algo melhor, e não dá para transformar uma coisa da qual não temos consciência. Tomando consciência dos seus defeitos, qualidades e quem os outros são, você transformará, pouco a pouco os erros em acertos, perturbação em paz interior, sentimentos ruins em bons, falta de visão em sabedoria, falsidade e mentira em verdade, vazio em plenitude, incompreensão em sabedoria e fé, preguiça em ter motivação etc...

A dança para evolução é como uma reflexão, porém muita mais gostosa do que uma reflexão e para muitas pessoas, é muito mais forte também. Você repassando na dança uma situação que tenha um significado para você (bom ou ruim), seu modo de lidar com uma situação e dos outros, e com isso você pode ver seus defeitos, suas qualidades e quem o outro é. Isso com toda a mágica, a alegria, a energia, o balanço e o movimento que a dança proporciona. Na dança, puxar uma situação e enxergá-la é tomar consciência. O balanço e movimento do corpo, após a tomada de consciência, é a forma de como a pessoa está lidando com aquilo que ela percebeu e como vai ocorrer sua transformação. Dançar para desenvolver a consciência é o objetivo de cada passo; cada balanço é um modo de lidar com uma situação. Porém, muitas vezes a dança é uma máscara para enganar os outros e a nós mesmos sobre o modo como nos comportamos e o que fazemos, assim sendo não dá para se desenvolver muito na dança, pois só sendo você mesmo, assumindo os seus desafios, suas dificuldades, a disposição para lidar com tudo isso é que você consegue ser verdadeiro com você e lidar com a vida.
Penso que a dança não deve ser ensinada com os passos certos, pois cada um com a sua criatividade dança do seu modo, assim como com sua criatividade aprende a lidar com a vida, pois não haveria desenvolvimento se a dança fosse imitação. Dancem sempre livres! Que tal se aventurar nesta prática? Coloque a musica que queiras e baila!”

Refletindo sobre estas palavras tão interessantes quanto importantes, constatei que nos inúmeros vídeos de danças ciganas que vi, que realmente, embora haja um padrão cultural, ao dançar nas festas em família e nos rituais o cigano ou a cigana não se preocupa com o público, ou com a forma mais insinuante de dançar, mas sim na própria alegria da dança, que agora entendo, é sua maneira de encontrar-se na vida, no espaço, da compreensão existencial. Também compreendo que não precisamos estar bailando fisicamente o tempo inteiro, mas levar nossas mentes e nossas almas a bailar, encontrar os acertos e os erros, os espaços e plenitudes, compreender circunstâncias e situações, atrair mais conhecimento e compreensão, aguçar os olhos e sentidos, conhecer-se e conhecer. As apresentações profissionais, os grupos de balé cigano e flamenco, por mais bonitos e uníssonos que se apresentem, não têm a beleza etérea, espiritual, das danças dos ciganos em seus acampamentos, junto às suas famílias, onde não usam máscaras, são eles próprios.

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Os Ciganos da Umbanda, geralmente se manifestam nas giras dentro da Linha do Oriente. Há terreiros que fazem giras somente para a Linha dos Ciganos, em outros, eles não se manifestam nas incorporações, o que não significa que não estejam presentes. Também podem vir na vibração das Almas, junto com os Pretos Velhos, ou quando os falangeiros de Xangô são chamados. Também estão presentes nas sessões de cura, e é frequente se manifestarem nas giras de Exus e Pombo giras Trabalham muito com a magia visando à prosperidade, à união das famílias, ao amor, à cura, à quebra de correntes negativas, à superação de preconceitos e de traumas e bloqueios emocionais.

A Linha traz o arquétipo de um povo muito antigo e místico, de alma livre, desapegado e, por isso mesmo, capaz de atrair a prosperidade no campo espiritual e material e de ensiná-la a quem precise. Popularmente, se pensa que os Ciganos eram apegados a jóias e metais preciosos, mas o que ocorre é que esses valores eram de fácil transporte para eles, que eram nômades, e assim procuravam ter meios de subsistência. O desapego e o senso de liberdade aparecem na sua maneira de viver, que é sustentada em suas crenças, tradições e na valorização da família. Nunca se envolveram em disputas por domínio ou conquistas. Portanto haverá muita falsidade e mistificação se houver manifestação de um espírito se dizendo cigano, e exigindo riquezas materiais, vestimentas ostensivas e oferendas caras.

Além de serem grandes conhecedores da magia, alegres, amantes da natureza, os Ciganos na Espiritualidade são muito voltados para a família, serenos e sábios conselheiros. São especialistas em preparar remédios com raízes, folhas, pós e pomadas. São portadores de uma Energia que favorece muito a prosperidade, pois estimula nas pessoas um sentimento de liberdade, de amor e celebração da vida, bem como o desapego, fatores indispensáveis para se atrair a ”boa sorte” e “a fortuna”.

Por toda a sua bagagem espiritual e cultural e por sua história de peregrinações e sofrimento, os Ciganos receberam do Astral Superior uma Linha de Trabalho que lhes rende homenagem. Não foram aceitos em alguns lugares, quando encarnados. Mas, ao desencarnar, conquistaram um Grau perante a Espiritualidade; vindo a somar suas forças às das demais Falanges de Trabalhadores da Umbanda, o que nos proporciona o privilégio de entrar em contato com esses espíritos antigos, que muito podem nos auxiliar, como de fato auxiliam, com sua sabedoria de vida.

Os Ciganos gostam de música e dança. Suas Giras são envolventes, coloridas pelas suas vestes e, acima de tudo, pela sua energia alegre e amiga. Usam muitos elementos magísticos, tais como: lenços e fitas coloridas, moedas, punhais, espelhos, taças, chaves, baralho, dados, pedras, runas, leques e incensos. Usam-nos como instrumento de trabalho, não pensam em luxo. Observam muito as fases da Lua para os seus trabalhos. No geral, a Lua Cheia é considerada a mais favorável, é a “lua madrinha” dos Ciganos.

Tudo no mundo Cigano está envolvo em magia. Há muitos símbolos, como estes:

Roda – É o grande símbolo Cigano. Simboliza o “Sansara”, o ir e vir; o passar por diversos estados; o ciclo nascimento/morte/renascimento. Usado para “o despertar da consciência” e assim promover a evolução e o equilíbrio.

Estrela de seis pontas- Simboliza proteção. É o símbolo dos grandes Chefes Ciganos. Usado como talismã de proteção contra inimigos visíveis e invisíveis. Também conhecido como Estrela Cigana e Estrela de David. Representa sucesso e evolução interior. Suas seis pontas formam dois triângulos iguais, que indicam a igualdade entre o que está encima e o que está embaixo (princípio de uma das Leis Herméticas).

Estrela de cinco pontas (pentagrama)- Simboliza evolução, o domínio dos cinco sentidos. Usado para proteção, está associado à intuição, à sorte e ao êxito.

Ferradura- Simboliza energia e sorte. Os Ciganos a consideram um poderoso talismã. É usada para atrair energia positiva, a boa sorte e a fortuna e para afastar a má sorte. Também representa o esforço e o trabalho.

Chave- Simboliza as soluções. Usada para atrair boas soluções de problemas. Quando trabalhada no fogo, atrai sucesso e riquezas.

Lua- Simboliza a magia e os mistérios. Usada geralmente pelas Ciganas para atrair percepção, o poder feminino, a cura e o exorcismo, e sempre atentando para as suas fases: Nova, Crescente, Cheia e Minguante. A Lua Cheia é o maior símbolo de ligação com o Sagrado, sendo chamada de “madrinha”. As grandes festas Ciganas sempre acontecem em noites de Lua Cheia.

Coruja- Simboliza "ver a totalidade". É usado para ampliar a percepção com a sabedoria, possibilitando ver a totalidade, o consciente e o inconsciente.

Âncora- Simboliza segurança. Usada para trazer segurança e equilíbrio no plano físico, inclusive financeiro, e para se livrar de perdas materiais.

Moeda- Simboliza proteção e prosperidade. Usada contra energias negativas e para atrair dinheiro. É associada ao equilíbrio e à justiça, bem como à riqueza material e espiritual representada nas duas faces da moeda (cara e coroa). Para os Ciganos, cara é o ouro físico; e coroa é o espiritual.

Punhal- Simboliza força, poder, vitória e superação. Muito usado nos rituais de magia, tem o poder de transmutar energias. Os Ciganos usavam o punhal para abrir matas e por isso ele é um dos grandes símbolos de superação e pioneirismo, além da roda.

Taça- Simboliza união e receptividade (qualquer líquido cabe nela e adquire sua forma). No casamento Cigano, os noivos tomam vinho numa única taça, representando valor e comunhão eterna.

Trevo- É o símbolo mais tradicional de boa sorte. O trevo de quatro folhas traz felicidade e fortuna; encontrar um é prenúncio de boas notícias.

Desde 1971,é comemorado o Dia Internacional do Cigano, em oito de abril, data que assinala o primeiro encontro internacional de ciganos em Orpingtion, nas redondezas de Londres. Mas na Umbanda, comemoramos a existência do Povo Cigano no dia que se comemora Santa Sara Khali, em vinte e quatro de maio.

 

Alex de Oxóssi

Rio Bonito - RJ










Fontes consultadas:

JANELLÁ

FORUM AUTO HOJE

CEZARINA DEVOS

INSTITUTO CULTURAL SETE PORTEIRAS DO BRASIL

PORTAL INTERNACIONAL IPVC

 
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