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A BUSCA DO ÍNTIMO RECONHECIMENTO

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Texto de Roberto Vilmar Quaresma- Revista Internacional de Espiritismo – janeiro de 2011

Serve-se o homem, individual ou coletivamente, de pronomes possessivos para expressar a sua contenção de coisas várias ao seu uso exclusivo, ou daqueles que o cercam.

Todas as significâncias e insignificâncias que sejam do interesse passam a receber o título “é meu”, ou seja, isto me pertence e somente eu posso dar-lhe destino ou fazer uso; ninguém mais poderá usufruir desta coisa, sem que eu autorize.

A convicção totalmente equivocada do homem terrestre o coloca como símbolo de mediocridade, diante do Universo. Olha-se, o próprio, como se possuísse, em seu contexto, razões suficientes para apoderar-se do que a todos pertence, já que Deus é o criador de tudo e Pai de todos.

Obviamente, revestindo-se do individualismo, passa o homem a achar-se único e poderoso, ao ponto de subjugar seus iguais, como se eles não representassem as mesmas qualificações primeiras que igualam a todos nós.

Aquele que se coloca na frequência do individualismo intitula-se sempre o favorito, o proposto, para prover-se daquilo que melhor identifica, sob seu ponto de vista.

Em qualquer situação, embora tenha que agir da forma mais grotesca e rudimentar conhecida pela humanidade, não hesitará em fazê-lo, já que, preferencialmente, ordena-se para obter o melhor. O outro poderá ficar com a parte ofuscante, no seu entender, ou sem coisa alguma, não importam as consequências que venham a malbaratar seja quem for, se a sua vontade egoística foi severamente atendida, é o que basta.

A permanência na teia do individualismo arrasta o homem para o abismo das controvérsias e perturbações.

É fácil de notar que, todo aquele que açambarcou para si grande parte das cargas materiais, em tempo futuro se encontrou com o estado putrefato das transformações.

Transformação é processo comum, no Universo; entretanto, para os que se apoderam das condensações do nosso mundo, de tal forma achando-se donos, em algum momento do amanhã, irão deparar-se com a morbidez que energizaram as pretensas posses.

Ver-se-ão, sob tormentas várias, quando a morte os arrebatar e, em olhando seus corpos, observá-los-ão desintegrar-se, como tudo o que achavam possuir ficará de fora dos seus alcances e dos seus domínios.

As doações de Deus desviadas para o campo do egoísmo, irão se transformar em conturbações, desesperos, angústias e outras sensações semelhantes.

O acúmulo propiciado pela retenção, chave do egoísmo, tutora primeira do individualismo, providencia para que a consciência obnubilada venha a promover a falência da felicidade relativa, possível de ser alcançada, e constrói abismos de tormentas e manifestações de incredulidades que, impreterivelmente, serão os falidos e podres tesouros a serem superados, para que possam seus seguidores olhar-se e sentirem-se, daqui a algum tempo, como filhos de Deus, pois, em determinado momento, sentir-se-ão a pior das escórias.

Vencida a estada nos “ismos”, é preciso provocar um insight vigoroso, nos canais da individuação. Porquanto, para todo caminhante desse deprimente trajeto, faz-se imprescindível reconhecer-se como um filho de Deus, conseguintemente, com a necessidade indispensável de relacionar-se, pelo menos com seus iguais, os outros, pelo canal da fraternidade, da solidariedade. Controlar a fração egoística e passar a movimentar-se no caminho do reconhecimento da vida, seja: todos somos iguais perante Deus; aquele que está acima de mim me ajudará; aquele que está abaixo e mim eu ajudarei e, para que a ajuda mútua se dê, nenhum preconceito será admitido; somos filhos de Deus, independente da posição ou local que venhamos a nos encontrar; tudo o que tenho é emprestado por Deus e, se necessário for, devo dividir com o próximo; aquilo que exceder as minhas necessidades, em qualquer circunstância, devo doar onde houver falta, devo desenvolver-me, intelectual e moralmente, criando sempre estruturas que evidenciam o bem, incorporando uma personalidade que se identifique, o mais possível, com o Evangelho de Jesus.

Precisamos, deveras, entender: somos Seres criados, precipuamente, para viver em comunidade, com uma vida constante de relacionamentos. Pois, através do interagir, iremos despertando várias sementes adormecidas, assim como aprimorando outras jê em estado cinético. Tal condicionamento, primordial ao ascender para o progresso, não inviabiliza qualquer estágio vivenciado, tampouco menospreza a individualidade do homem. Pelo contrário, é no meio propício a uma série de eventos, de inúmeras qualidades, que são acionadas as vontades presentes em cada um de nós, e onde, por vertentes várias, vamos consolidando a nossa individuação.

Eis que a misericórdia Divina espera saibamos dirigir as vontades, orientando-as para espaços fertilizados com aragens de amor, desconsiderando e anulando todas aquelas que interfiram, de alguma forma, tentando desorientar comportamentos benignos.

Se apenas somos Seres viventes, dependentes ainda de um turbilhão de conquistas e, simplesmente, possuímos aquilo que temos armazenado na memória, consciente ou inconscientemente, pois tudo mais são criações de Deus, colocadas no caminho para uso dos Seus filhos, e transformam-se, invariavelmente, por estarem subordinadas á Lei de Progresso, assim como os homens, então, porque subestimo a tudo e tento impor meus conceitos?

Embora a resposta esteja implícita, no transcorrer das linhas até aqui, podemos acrescentar que qualquer Ser que envereda por situações inúteis, desfavoráveis à obtenção das elucidações necessárias, encontra-se carente dos conhecimentos da vida; desconhece por que nasceu, por que vive e por que morrerá; se não em toda a extensão destas citações, pelo menos em parte, ou equivocadamente as considera.

Assim, embora pouquíssimo verifiquemos, individuar-se deverá ser ação primeira, para íntimo reconhecimento como filho de Deus, irmão de todos os outros indivíduos, e com razões mais específicas, dos semelhantes.

Identificando as funções básicas da vida e da existência, pela ação de reconhecer-se a si mesmo0, disporá de valores a serem considerados a tudo que o cerca, imprimindo, inclusive, a desvalorização daquilo que, por razões óbvias, implicam no não ascender ao progresso, em particular, o individualismo, assessor qualificado pelo egoísmo.

Ficarão abertas, por essas vias, as portas para a contemplação de um universo interior luminoso e, através dessas mesmas portas, deixará que a claridade envolva todos à sua volta, espargindo fraternidade. Confirmando assim, estar consciente de ser um Indivíduo, filho de Deus.
Tornar-se um indivíduo é individuar-se, tornar-se Si-mesmo, aquilo que de fato somos e interpretar tudo isso com a singeleza da Filosofia Espírita.

Segundo Jung, o grande sentido da vida é a individuação: processo profundo de autoconhecimento. Uma vez que alguém se entrega a esse caminho, sua vida será conduzida por uma sabedoria maior que ele denominou Self (Si-mesmo, o Espírito).

Esse é o caminho para a almejada realização pessoa, para o “sentir-se bem”, para realmente interiorizar: sou filho de Deus, devo amar-me e amar a todos os indivíduos, independente do estágio em que se encontrem; somente seguindo esses passos alcançarei a morada da Felicidade e da Paz.

Quando, no âmago do Ser, as raízes do amor conseguirem o néctar suficiente, para iniciarem o desenvolvimento dos caminhos pertinentes às construções que sustentarão, no porvir, a paz, a busca do íntimo reconhecimento terá acontecido; terá se encontrado, o filho de Deus, com as razões da via, consigo mesmo. Agora é partir em busca do homem integral.
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