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CARNAVAL

Festa de alguma forma herdada de antigas festas da Veneza medieval, já foi festa do povo, mas hoje se sofisticou tanto como na época da burguesia italiana.

Existe ainda aquela alegria solta, nos blocos de rua, que pacificamente brincam, livrando-se das tensões, medos do dia a dia tumultuado.

É possível, sim, encontrar as fantasias simples, o despojamento e ausência de segundas intenções.

Vejo que esse ano há muita organização, por exemplo, no Rio. Há um verdadeiro bloco de catadores, que recolhem em um dia, entre latas e garrafas, o que conseguiriam num mês, ganhando uns trocados a mais, e ao mesmo tempo auxiliando a limpeza das ruas e na reciclagem de material descartável.

O carnaval de rua no nordeste, cheio de folclore e homenagens, este ano a Jorge Amado, Luiz Gonzaga, entre outros, vem mantendo a história viva no coração dos mais novos.

Nos barracões das grandes cidades, costureiras, artesãos, trabalhadores que o ano inteiro se instruem através do conhecimento que envolve os enredos, histórias de vida, emoções, dedicação, movendo os melhores sentimentos de união em prol do ideal de brilhar na avenida.

Paralela à arte que emana para todos os cantos do mundo, que encanta os milhares de turistas nacionais e internacionais, há fatos piores, que são as especulações multi-milionárias, que mexem com a vaidade, a competição, a ganância. Há pessoas que exorbitam o culto ao corpo, colocando-o a todo preço em evidência, para conseguirem lugar de destaque a qualquer custo.

Outros acham que carnaval é o esquecimento das porteiras morais, consideram que é um tempo de ninguém, que tudo pode, com excessos de todo tipo, esquecendo os limites de decoro ou respeito. Por conta destes exageros, muitos perdem suas vidas, ou a comprometem irremediavelmente expondo-se a violências, aos acidentes nas estradas, às doenças sexualmente transmissíveis.

Existe ainda quem quer obter dinheiro e sucesso fácil, há um verdadeiro mercado de troca por bons lugares em camarotes, em desfiles nas principais escolas de samba, rios de dinheiro gastos em segurança e em ambulâncias, para haver uma carência e atuação sofrível o resto do ano, o que iguala a este Brasil de interesses, a uma vitrine temporária e equivocada para o mundo.

O triste é que a mesma empolgação contagiante pode gerar violência, agressões e brigas numa ambiência propícia a tumultos e incompreensões. O importante é que não haja inversão de valores, como passar a considerar a vida apenas para o lazer e horas de total descompromisso, ou achar sofrimento na realidade do dia a dia de trabalho, desvalorizando as horas e o seu ganha-pão, o convívio com os colegas, esquecendo que a vida é isso, esse caminhar e compromissos, e não horas fátuas de auto-alheamento.

Que cada um viva o seu carnaval, encontrando descanso e alegria, mas sem colocar máscara no seu rosto ou na alma, para que não tenha preocupações ou dívidas consigo mesmo ou com outros por todos os demais dias.



Alex de Oxóssi

Rio Bonito - RJ

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