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A IMPORTÂNCIA DO AMOR-PRÓPRIO


Revista Espiritismo e Ciência- no 91- Mythos Editora- pg. 24-28 dez.2011



“O amor-próprio saudável é fundamental para os relacionamentos humanos, em particular as parcerias afetivas”


Rogério Coelho


“(...) O amor-próprio dá a exata dimensão do que se é, de como se encontra e de quanto se necessita realizar.” Joanna de Ângelis (Divaldo Franco.Garimpos de Amor, LEAL, 2003,capítulo 19).

Se o nosso psiquismo fosse uma empresa comercial, o “ego” seria o pior gerente que poderíamos contratar para administrá-la, e o “self” seria o mais bem indicado.

Os grandes psicoterapeutas aconselham seus clientes a prestarem mais atenção à ancestral sabedoria grega sintetizada no célebre axioma “conhece-te a ti mesmo”, tão propalado por Sócrates há dois mil e quinhentos anos.

Eles mostram também a imperiosa necessidade de se expandir as funções mais importantes da inteligência lógica, emocional e multifocal para, entre outras coisas, desenvolver a qualidade de vida, concretizar sonhos, conquistar acalentados objetivos; enfim, para “navegar” no ignoto e tão proceloso oceano da emoção com segurança e, consequentemente, superar os percalços ambientais, reescrevendo, assim, a própria história com as tintas fortes das decisões seguras e inabaláveis. Assim, quem desejar ser feliz, tranquilo e sábio, deverá aprender a proteger sua emoção e governar a si mesmo.

Outra providência saudável e útil é nos reposicionarmos adequadamente face aos nossos erros e fracassos. Em vez de nos descoroçoarmos com eles, devemos transformá-los em degraus de ascensão, considerando-os simplesmente lastros de experiências.

Dissemos inicialmente que o “ego seria o pior gerente de nosso psiquismo e o “self” o melhor, porque aquele é superficial, sem balizas de segurança, enquanto este está sedimentado nas mais profundas anfractuosidades do ser, nas regiões do “arquivo” onde está “guardada” nossa memória profunda, nosso acervo de experiências arrebanhado durante todo o percurso palingenésico já percorrido. È nessa região abissal de nós mesmos que se localiza “o Reino de Deus”, na qual devemos plantar as raízes da nossa individualidade e da nossa personalidade, a fim de bem gerenciarmos nossa própria vida e, consequentemente, nossa vida de relação.

No amplo cardápio de recursos com os quais nos abastecemos para nossa caminhada evolutiva a fim de promovermos nossa emancipação da infância espiritual, na qual ainda estagiamos, surge um elemento muito especial e importante: o amor próprio sabiamente dimensionado.

Segundo a nobre mentora Joanna de Ângelis ( em “Garimpo de Amor”), “(...)Literalmente, pode-se definir o amor-próprio como sendo aquele que o indivíduo devota a si mesmo, a forma ideal de buscar a renovação interior, de progredir moram e emocionalmente, de construir o edifício das realizações que aformoseiam o caráter e o plenificam em profundidade. Ele é conquistado através de um grande silêncio, a fim de que se possa auscultar o íntimo, de modo a ouvir as mensagens que nele se encontram adormecidas e que irão despertando suavemente, apresentando o seu magnífico sentido por promanar de Deus. Sem esse valioso contributo, perde o significado essencial que é dirigido ao Si profundo, resvalando para as conturbadas manifestações do “ego”, que se apossa das aspirações de beleza e de harmonia, transformando-as em imposições angustiantes que ferem os sentimentos dos outros, em razão do exagerado narcisismo de que se revestem.

O autoamor é a mais promissora de ampliar a capacidade do afeto, direcionando-o para outras formas de vida, para outras pessoas. (...) O amor a si mesmo, proposto por Jesus, é um convite sem retoques à dignidade pessoal, ao reto cumprimento dos deveres em relação aos anelos íntimos que se estendem aos sentimentos do próximo. (...) O amor-próprio saudável é fundamental para os relacionamentos humanos, em particular nas parcerias afetivas, no matrimônio ou não, quando direcionado para o processo de autoiluminação.

Não predominando esse propósito, ei-lo manifestando-se como competitividade, em que um pretende se sobrepor ao outro. Essa infeliz conduta responde pelos desastres nos relacionamentos por faltar compreensão em torno do diálogo que não pretende vencer o opositor e sim esclarecê-lo, encontrando um caminho ideal por onde ambos transitem sem agressão nem domínio de espaço, no qual se movimentem em busca de suas realizações, sem que haja prejuízo de natureza alguma para qualquer um deles.

(...) Induzido ao autoaprimoramento, o Espírito torna-se tolerante para com as defecções do seu próximo, embora não concordando com essas atitudes infelizes; não se transforma em julgador de ninguém, porque conhece as dificuldades com as quais se defronta nesse embate de autocrescimento que não cessa. A sua visão de mundo é mais abrangente, mais rica de compaixão, mais enternecedora. Os seus sentimentos se fortalecem, não se submetendo às imposições infantis e doentias das pessoas amadas. Esse enriquecimento opera o milagre de paz interior por compreender que, mesmo não amado, tem o dever de amar e, embora ignorado em relação às próprias conquistas, cumpre-lhe preservar o amor a si próprio.

Quando é humilhado, não se sente diminuído; exaltado, não acredita na superioridade pessoa; perseguido, não teme aa ninguém ou situação aflitiva qualquer; bajulado, não acredita na lisonja mentirosa. O amor-próprio dá a exata dimensão que se é, como se encontra e de quanto se necessita realizar a fim de alcançar o objetivo da harmonia.

Preserva o teu amor-próprio da habilidade mefítica do “ego”, não te estremunhando com as pessoas que, de uma ou de outra forma, não te atribuem a consideração que supões merecer. O teu valor moral não pode ser medido ou compreendido por outrem que não esteja em nível de idêntica percepção. Com o amor-próprio acima de suspeitas infundadas, conquista as paisagens íntimas e sai no rumo do Infinito”.

Joanna de Ângelis ainda afirma (Divaldo Franco,”Filho de Deus”,LEAL, 1995, cap. 5, parágrafo 7): “(...) O essencial á vida é a sabedoria para conduzi-la a fim de conseguires não apenas coisas, senão lograres a plenitude e a abundância que o teu direito de herdeiro de Deus põe à tua disposição. Se adquires a maioridade espiritual, seguirás a caminhada evolutiva utilizando-te e felicitando-te com todos os tesouros da Criação “.

William Shakespeare exalta a sensibilidade como ferramenta auxiliar de identificação íntima do nosso status quo evolutivo, uma vez que ela nos proporciona um posto de observação elevado para dimensionarmos se estamos sendo “grandes” ou “pequenos” nas aquisições das virtudes e nos cerceamentos de tudo que não é desejável em nosso caráter, bem como nos enseja o dimensionamento do melhor modo de proceder na vida da relação de maneira harmoniosa. Atentemos, pois ao pensamento shakespeariano, em sua página intitulada “Como se mede uma pessoa”:

“Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento: Ela é enorme para você, quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravada e espontaneamente; é pequena para você, quando só pensa em si mesma, quando se comporta de maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento que teria de demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade, o respeito, o carinho, o zelo e até mesmo o amor”.

Uma pessoa é gigante para você, quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto com você, quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do o outro, quando age, não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma; é pequena, quando se desvia do assunto e quando se deixa reger por comportamentos clichês.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.

Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande; uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia se ínfimo. É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas agigantam-se e encolhem-se aos nossos olhos. Mas o nosso julgamento deve ser feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações. Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande: é a sua sensibilidade sem tamanho”.
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