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A PAZ POSSÍVEL

Sonhamos um dia viver em Paz, muitas vezes idealizando um lugar paradisíaco, como nas descrições bíblicas. Sempre procuramos nos despedir dos amigos, no dia a dia, em cartas, e-mails, chats, desejando Paz....

Na realidade, nosso presente é cercado por notícias escabrosas, de crimes, acidentes enormes, somos envolvidos subitamente em discussões, quer sejam religiosas, ideológicas, políticas, relativas a trabalho, e mesmo situações corriqueiras, e na maioria das vezes nem sabemos quem começou. Neste momento, o mundo de modo geral, e o Rio de Janeiro em especial, passa por momentos críticos, de guerra real, como se fosse uma 3ª edição do filme tropa de Elite....Só que o pavor é real, o choro das crianças é real, a adrenalina dos soldados é real, o suor de medo dos bandidos é real. Uma situação de guerra visando a Paz. Uma situação limite para algo além do limite.

A Vila Cruzeiro no século XIX era o Quilombo da Penha, pois um padre da Igreja Nossa Senhora da Penha permitiu que ali ficassem escravos refugiados. Ao longo deste século e inicio do século XX, já como Vila Cruzeiro, ficou famosa pela capoeira, candomblé e rodas se samba. Naturalmente eram perseguidos pela polícia e mal vistos pelas famílias de “bem”. Na verdade, foi ali que nas festas da Igreja da Penha ficou muito conhecida a barraca de uma grande candomblecista , a Tia Ciata. Durante meio século era ali que começava o carnaval, dos bons tempo, da alegria espalhada e descontraída do carioca. Mas agora, aí está, como uma mancha negra sobre a região. Será a ambiência das dores antigas que favorece? Ódios mal resolvidos, retornos e carmas a serem ressarcidos?

Já o Morro do Alemão, de onde se espalha o Complexo do mesmo nome com quase duas dezenas de favelas, começou vamos de uma derrocada ecológica, quando um polonês ( chamado de alemão) refugiado da 2ª Guerra Mundial, comprou uma fazenda , grande parte do morro, e na década de 50 resolveu vender os lotes, que rapidamente foram tomados e aleatoriamente construídos. Urbanisticamente o Morro do Alemão teria que ser todo reconstruído, pelas inúmeras valas abertas, ruas estreitas e irregulares e casas construídas precariamente. Que miasmas terão se acumulado, que vibração tão nefanda ocorre naquele local que já foi um Parque de Conservação, com inúmeras nascentes de água límpida? A construção de industrias e algo terrivelmente poluente como um Curtume, o Curtume Carioca , e posteriormente a construção da Avenida Brasil, traçaram o destino desta região.

Sonhamos e imploramos que haja Paz, ali, neste local de tanta dor e medo, como em muitos e muitos locais semelhantes ao longo do Mundo, lugares que talvez nem sonhemos, mas que há como um portão para o umbral. Pensemos por exemplo no Haiti, o que é aquilo? Nós, que acreditamos em algo mais, sabemos que são encontros do passado, são recrudescências de antigas marcas, para quem acredita, os chamados carmas coletivos.

Pedimos tanto pela Paz, mas temos enormes dificuldades de preservar a nossa, como se ela só fosse possível num futuro distante. Lutamos arduamente contra dificuldades com colegas de trabalho que querem competir conosco, ou nos prejudicar, com familiares que não nos aceitam, com injustiças que sofremos sem entender, desonestidades ao nosso redor, sentimentos menos bons, que captamos dos mais diferentes lugares, e até mesmo de quem não esperamos, além dos nossos próprios, que precisam a todo instante passar por um crivo severo.

Como trazer a Paz para nosso coração e como podemos emitir essa Paz ao nosso redor?

Não dá para esperarmos por condições adequadas, pois elas podem nunca acontecer.

Então temos de encontrar nosso centro, nos conectar ao mesmo tempo com nosso emocional, nosso intelectual e à ambiência a nossa volta. Estar de prontidão, mas sem expectativa, sem anseios que tumultuam o íntimo. Temos de ficar numa posição privilegiada em relação ao mundo, não uma atitude superior, mas de forma a compreender e ter uma visão mais abrangente, de modo a antecipar eventos que poderiam perturbar a Paz nas nossas redondezas.

E cultivar o verdadeiro Amor no coração, sacrificando às vezes parte dos nossos sonhos, em vez de lutar por eles, se eles estiverem sonegando espaço do sonho dos outros, e exercitar a Paz Possivel, com aqueles que nos são caros, aqueles que o Mundo Maior colocar em nosso caminho.

Podemos prosseguir com nossos ideais e nossos destinos, falando com a palavra mansa, olhando com os olhos atentos, manifestar nossas convicções, defender as nossas afirmações interiores, sem cometer um só pensamento desarmonioso. Essa maestria tem de ser alcançada, nos recônditos de nossas almas, nas conversar com nosso Eu Interior, e com nossos guias e espíritos protetores, e sobretudo, não usarmos, nem para nós mesmos a 1a pessoa do singular, mas sempre um pensamento plural.

A Paz Possível que cada um de nós possa conseguir, pode não ser a Paz Perfeita, mas será aquela que nos manterá de pé, em todos os vendavais, sem agravarmos nossos carmas e aquela que conseguirá secar algumas lágrimas , levar alguns abraços , formar alguns sorrisos, ou mesmo evitar que se cometa qualquer ato que infelicite o próximo. Isto já será o alento de cada coração que tenta glorificar a condição humana como manifestação física de evolução do espírito, e cujas intenções reverberam em todos os planos vibratórios.

Alex de Oxóssi
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