SOLIDÃO


Muitas criaturas passam pela experiência da solidão. É importante que se considere a validade desta situação. Longe estou de querer colocar a solidão numa posição de destaque. Apenas quero que lembrem que ela é algo de bastante sutil, de muito profundo e até difícil de ser explicado.
Há pessoas que sofrem porque se sentem sós. Procuremos, então, lembrar da lei de causa e efeito, tão analisada nos ambientes espíritas. Estes casos de solidão compulsória são de origem cármica, visto que aqueles que a sofrem talvez tenham desprezado a benção da convivência em situações de vida anteriores. Nestes casos mais acentuados, normalmente, pouco se pode fazer, visto que a provação foi pedida e preparada de tal modo que nada impede que seja cumprida. A solidão absoluta é coisa rara. Vejamos que Deus nos criou como seres individualizados, entretanto, fez com que o nosso ambiente natural de vida fosse em meio a outros semelhantes. Somos, ao mesmo tempo, indivíduo e sociedade, e oscilamos dentro de nossa evolução entre o eu e o nós.

Consideremos também que sentir solidão ou ser só é uma coisa que pode acontecer mesmo se estivermos em meio a um grupo de pessoas ou diluídos numa multidão.

Muitas pessoas passam suas experiências ao lado de semelhantes, seja no âmbito familiar, no âmbito de trabalho, nos grupos de lazer, na sociedade, enfim, participam de atividades em conjunto, movem-se de um lado a outro em grupos, participam de movimentos, mas lá no fundo são pessoas sós, cujo pensamento, cujos ideais estão muito distantes da média que ali se encontra.

Solidão também é uma coisa necessária e importante, quando ocorre na dosagem certa. Há momentos em que precisamos de um certo recolhimento para que meditemos a respeito de nós mesmos, para que trabalhemos os nossos pensamentos, para que nos estruturemos interiormente.

Por isso, é preciso que aprendamos a aceitar os necessários momentos de solidão das pessoas que nos rodeiam, para que sejamos respeitados nas nossas necessidades de reencontro conosco mesmos.

Abençoado o Pai que nos dá a chance de nos desdobrarmos na dicotomia do eu e do nós. Nem sempre podemos ser grupo, nem sempre podemos ser sós. Tudo estará em equilíbrio quando existir na dosagem certa.

Oremos por aqueles que estão passando pela vivência da solidão absoluta ou quase absoluta, pois precisam de forças para suportá-la com dignidade e sem os desequilíbrios que poderão decorrer dela.

Lembremo-nos de que Jesus buscou os apóstolos, pregou às multidões, conviveu em ambientes domésticos, foi às ruas e às praças e, no entanto, buscou a solidão, em muitos momentos, para o reencontro mais íntimo com o Pai.

Na balança do tempo, que aprendamos a dosar os nossos momentos a fim de aplicarmos a sua maior parte na convivência sadia e cristã, trocando experiências positivas, sem esquecer a meditação solitária para refazimento do nosso espírito.

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