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quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

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http://www.terreirodeyansa.hpg.ig.com.br/axexe.htm

1) Fase preparatória:

Desde que o falecimento de uma adósù do “terreiro” é conhecido, procede-se a levantar um pequeno recinto provisório, coberto de folhas de palmeira, junto ao Ilé-ibo-akú.

A Iyálàse, secundada por outra sacerdotisa, procede ao levantamento ritual dos “assentos” individuais pertencentes à falecida assim como todos seus objetos sagrados e tudo é depositado no chão no recinto provisório, distante dos Ilé-orixá. As quartinhas que continham água são esvaziadas e emborcadas.

2) Axexé os cincos primeiros dias:

O ritual Axexé dura sete dias consecutivos. Durante os cincos primeiros dias as mesmas cerimônia se repete exatamente, segundo a seguinte seqüência:

a) Todos os membros do egbé, rigorosamente vestidos de branco, reúnem-se, no barracão, ao pôr-do-sol, para celebrar o Padê tal qual o descreveremos. No inicio, o espírito do morto é invocado junto com Exú e todas as entidades.

b) Terminado de cantar o Padê, o egbé coloca-se em volta da cuia vazia que ocupa o centro da sala, deixando sempre uma passagem de saída para o exterior. Neste momento, um dos sacerdotes, encarregados do ritual que se vai desenrolar no Ilé-akú e no recinto exterior onde foram depositados os “assentos” e os objetos da falecida, traz uma vela, coloca-a ao lado da cuia e ascende.

c) Todos os que estão presentes enrolam suas cabeças com torços brancos e cobrem cuidadosamente o corpo com um grande oja branco. No momento em que se ascende a vela, supõe-se que o espírito do morto se encontre na sala representado pela cuia. Um logo rito vai desenrola-se, começando pela Iyálorixa, seguida em ordem hierárquica por cada uma sacerdotisa de grau elevado e finalmente por um grupo de dois a dois das noviças.

Cada uma saúda o exterior, a cuia os presentes e dança em volta da cuia colocando moedas que passam previamente por sua cabeça, delegando sua própria pessoa ao morto. Ao mesmo tempo despede-se do morto, com cantigas apropriadas. A primeira cantiga entoada pela Iyálorixa é uma reverensa a todos os Axexé que, como dissemos, são os primeiros ancestrais da criação, o começo e a origem do universo, de uma linguagem, de uma linhagem, de uma família, de um “terreiro”. A venerável morta a Adosun que merece essa cerimônia e é seu objeto converter-se-á também num Axexé.

A Iyalase saúda: Axexé, Axexé o!; 1. Axexé, mo juga; Axexé, Axexé o!; 2. Axexé o ku Agbà o!; Axexé, Axexé o!; 3. Axexé, érù ku Àgbà o!; Axexé, Axexé o!

Tradução: Axexé oh! Axexé; Axexé eu lhe apresento meus humildes respeitos oh!;

Axexé oh! Axexé; Axexé eu venero e saúdo os mais antigos, oh!; Axexé oh! Axexé;

Axexé a escrava saúda os mais antigos, oh!; Axexé oh! Axexé.

É o seguinte o texto da Segunda cantiga: Bibi bibi lo bi wá; Ode Arolé lo.

Tradução: Nascimento do nascimento que nos trouxe Ode Arolé (Òsôsi) nos trouxe ao mundo.

Saudando particularmente Oxossi que, como já dissemos, é o ancestre mítico fundador dos “terreiros” Ketu e consequentemente, Axexé do filhos do “terreiro”.

Todos os presentes estão obrigados a despedir-se do morto e delegar-se nele por meio das moedas que colocam na cuia-emissario.

d) Quando todo os presentes protestaram suas homenagens e despediram-se do morto, formam uma roda e todo o egbé e os parentes do morto entoam, entre outras, a cantiga:

Ò tó ‘rù egbé ma sokún omo ò tó ‘rù egbé ma sokún omo égun ko gbe eyin o!

Ekikan ejare àgbà Orixá gbe ni másè ekikan esin enia niyi r’òrun

Tradução: Ele alcançou o tempo (de converter-se) no érù egbé (o carrego que representa o egbé). Não chore, filho. Oficiante do rito, não chore.


Alcançou o tempo (de converter-se) no carrego (no representante) do egbé.

Não chore, filho. Que Égun nos proteja a todos!

Proclamai o que é justo. Que Àgbà Orixá nos proteja a todos!

Proclamai (que) foi enterrado um dos seus, que foi para o òrun.

(isto quer dizer, falai alto, com justa razão, porque enterram alguém venerável que irá ao òrun).

A roda se desfaz e cada um volta para seu lugar.

e) algumas adósù trazem vasilhas com comidas especialmente preparadas para essa ocasião e as colocam ao lado da cuia. Junto também é colocado um obì.

f) Os sacerdotes vêm e levantam ritualmente a cuia cheia de moedas, apagam a vela e transportam tudo, também obì. e as comidas, para o recinto especial exterior, onde tudo é colocado junto aos objetos que pertenceram ao morto.

g) Os membros do egbé na sala, descobrem suas cabeças, enrolam o pano branco por de baixo dos braços e formam uma Segunda roda, saudando e homenageando os orixás. Acaba essa parte da cerimônia, eles se cobrem novamente e continuam a roda cantando uma última cantiga de adeus ao morto.

3) Axexé: sexto e sétimo dias:

o ritual do sexto e sétimo dias é o ponto culminante do ciclo. No crepúsculo canta-se o Padê e continua-se como nos dias precedentes até a fase. Seguem-se os seguintes ritos:

a) Ao pé das comidas e do obì colocam-se, ao lado da cuia, os animais que vão ser oferecidos de acordo com o asé do morto.

b) Um sacerdote vem do exterior e põe no punho esquerdo de todos os assistentes pequenas tiras de màrìwò. É isso que os identifica como filhos do “terreiro” e os protege.

c) Os membros do egbé retomam seus lugares e esperam ser avisados do fim do rito que se desenrola do Ilé-ibo.


d) Nesse meio tempo, os sacerdotes preparam o chamado final do morto. Trazem tudo, “assentos”, objetos pertencentes ao morto, cuia, comidas e animais para o Ilé-ibo-akú. Traçam no solo de barro batido um pequeno círculo com areia e por cima, um círculo com cada uma das três cores símbolos. É um ojúbo provisório, em que se invoca o morto.

No meio dele, parte-se o obì e, com seus segmentos, consulta-se o oráculo sobre a destinação a ser dada a cada um dos objetos e “assentos” do morto. Se trata de uma sacerdotisa de grau elevado, às vezes acontece que o “assento” de seu orixá fique no “terreiro” para ser adorado, com a condição de que o morto, consultado, esteja de acordo.

Também pode querer deixar alguns objetos de uso pessoal, determinadas jóias ou emblema a um parente ou a uma irmã do “terreiro”. O resto, o que o morto não deixa para ninguém, em especial seu Bara, seu Ìpòrí, é posto em volta do pequeno círculo assim como as três vasilhas novas de barro, que descreveremos falando do “assento” dos Égun das adósù. Se o morto pertence à cúpula do “terreiro” ou possui méritos excepcionais, as três vasilhas são separadas para se proceder mais tarde a seu “assentamento” no Ilé-ibo-akú. Caso contrário, que é a maioria, as três vasilhas são colocadas junto aos que circundam o círculo-ojúbo. O sacerdote do grau mais elevado invoca o morto três vezes, batendo no solo com um ìsan novo preparado com uma grossa tala de palmeira. Invoca-se para que venha apanhar seu carrego, para que leve e se separe para sempre do egbé e do “terreiro”.

Insiste-se e, na terceira invocação, o morto responde e simultaneamente tudo é destruído, quebrado com ìsan, rasgando-se vestimentas e colares. Os animais são imolados e colocados por cima dos restos destruídos, onde se coloca partes das moedas que se esparramaram ao quebrar a cuia, e os màrìwò que, retirados dos punhos irão juntos com os despojos do morto.

Coloca-se por cima o punhado de terra, com a areia e as três substâncias cores recolhidas oportunamente. Um grande carrego é preparado: é o erù e sacerdotes levarão a perigosa carga especificado pelo oráculo para que Exu e Eleru disponha dele.

e) Um sacerdote previne o egbé que, em silêncio, esperava na sala. Todos se levantam a saída do erù-ikù:

Gbe ‘rú le mã lo a fi bo

Tradução: o carrego da casa está saindo cubram-nos.

f) Todos os participantes esperam em silêncio a volta dos sacerdotes que, ao seu regresso, irão, em primeiro lugar, prestar conta de sua missão aos ancestrais no Ilé-ibo-akú. Em seguida, virão à sala para comunicar o feliz término de sua missão.

O egbé forma uma roda, canta saudando os orixás, e dois cantos finais despedindo-se do morto.

Iku o! Iku o gbe lo o gbe, dide k’ o jo eku o! òdigbõse o!

Oh! Morte, morte o levou consigo ele partiu, levantem-se e dancem, nós o saudamos! Adeus!

No entardecer do sétimo dia, canta-se o Padê de encerramento e, em seguida, procede-se ao sacudimento, isto é, a lavar, varrer e sacudir todos os Ilé e a sala, com ramos de folhas especiais.

O asé da adósù passou a integrar o do “terreiro”. Se a pessoa falecida é a Iyálàse, deverá proceder-se a “retirar” sua mão de todos os objetos, todos os borí, celebrada pela Iyálàse substituta. Durante esse rito, ela pousará a mão sobre o orí de cada um dos membros do egbé, transferindo-lhes seu próprio asé.

Se o grau da adósù falecida o permite, e se a resposta do oráculo o confirma, uma vez preparado o carrego, o ibo desta será preparado ritualmente com três vasilhas novas de barro.

Um àpéré especialmente aprontado com uma combinação de folhas apropriadas é colocado diretamente sobre a terra no Ilé-ibo no lugar em que será implantado o “assento” formado com três recipientes; coloca-se junto uma quartinha com água e tudo é recoberto com um pano branco.

Cumprindo um ano, uma oferenda espacial será feita e a sacerdotisa falecida passará a fazer parte dos mortos e dos ancestrais venerados no Ilé-ibo-akú, Axexé protetores do “terreiro”.

Uma cantiga entoada na terra Yorùbá diz:

Ìyá mi, Axexé!; ba mi, Axexé!; Olórun un mi Axexé o o! ki ntoo bò orixá à è.

Tradução: Minha mãe é minha origem!; Meu pai é minha origem!; Olórun é minha origem!; Consequentemente, adorarei minhas origens antes de qualquer outro orixá.

E no “terreiro” invoca-se: Gbogbo Axexé tinu ara.

Todos (o conjunto dos) Axexé no interior de nosso corpo...(do “terreiro”).

Se Axexé, não há começo, não há existência. O Axexé é a origem e, ao tempo, o morto, a passagem da existência individual do àiyé à existência genérica do òrun. Não há nenhuma confusão entre a realidade do àiyé – o morto – e seu símbolo o seu doble no òrun - o Égun. Há um consenso social, uma aceitação coletiva que permite transferir, representar e simultânea do àiyé e do òrun, a vida e da morte.

O asé integrado pelos três princípios-símbolos e veiculado pelo princípio de vida individual manterá em atividade a engrenagem complexa do sistema e, através da ação ritual, propulsionará as transformações sucessivas e o eterno renascimento.

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