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Tristeza pouca é bobagem



Inicialmente meu silêncio era indignado. Começou com a demolição da casa de Zélio. Não me conformei com tudo o que aconteceu.

De repente, nada restava. Simplesmente acabou. Tal como acontece aos homens, parecia que sua importância histórica iria ser lembrada e enaltecida quando próximo da extinção. Mas nem isso, rapidamente o assunto já voltou ao limbo do esquecimento.

Era para acontecer a destruição anunciada, e nenhuma pedra se moveu prenunciando a extinção. Quem viu as últimas fotos da casa de Zélio de Moraes antes de sua queda final, verificou que com certeza a Defesa Civil a condenaria, pois já era uma ruína. Nem os parentes de Zélio, nem os seus filhos ou netos no santo, nenhum adepto com um pouco mais de condição. Nem a tenda remanescente, nem meu pobre lamento solitário.

Nada, nada salvou aquele lugar que um dia foi abençoado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, onde foi erigida a primeira tenda umbandista do Brasil e do mundo, a Tenda Nossa Senhora da Piedade.

A comprovação física apagou-se na poeira, e da indignação veio a tristeza, e da tristeza veio o desconsolo. Só não foi maior porque sei que as bases espirituais ainda estão vívidas e assim continuarão de acordo com a vontade de Zambi. A Tenda Nossa Senhora da Piedade vive, sob o teto da Cabana de Pai Antônio.

Não tenho, no entanto, mais vontade de escrever. Não consigo me identificar com as letras. Não estou desiludido com a Umbanda, de modo algum, pois ela faz parte da minha vida. Mas porque não vejo luz no final do túnel para essa babel que aí está, que só traz desunião e trava os atos verdadeiramente necessários.

Nada adiantam palavras bonitas, fraseados requintados, desafios ao intelecto, sob a alcunha de estudo da Umbanda, iluminação dentro da Umbanda, se não vejo caridade em ação, não vejo desprendimento, só vejo comodismo.

Quem sabe o Caboclo das Sete Encruzilhadas permitindo esta demolição, lavrou o fechar de uma Era? Ou demarcou uma divisão de águas, antes e depois do desaparecimento da pedra fundamental que deu início à nossa religião?

Estou triste porque parece que vejo somente pedintes na religião que amo. Todos querem reza, desmanchar trabalhos, pedir proteção, acender uma vela para pedir algo.

A imensa maioria não comparecerá se for pedido para varrer seu terreiro, esfregar o chão, ou lavar os banheiros e vestiários, preparando-os para a próxima gira. Preocupam-se sim, em parecer bem, bonitos e engomados nas giras festivas, reluzentes e impecáveis.

Não se animam se tiverem de pintar as paredes, ou visitar um irmão no hospital, ou dar mais alguns reais para completar a mensalidade de quem não conseguiu pagar naquele mês.

Não conseguirão fechar os ouvidos se um irmão cair e houver escândalo. Não se calarão sobre comentários desairosos sobre um(a) médium que se perdeu nas voragens das trevas.

Como estarão preparados para salvar as raízes da Umbanda. Será que sabem ao menos que raízes são estas?

Ontem ouvi um médium novo dizer que recebeu este e aquele recado de Seu Marabô. Perguntei se ele sabia quem era Seu Marabô. E ele disse que não. Então, rapaz, como você sabe que foi Seu Marabô ou alguém de sua falange que realmente lhe disse tudo aquilo? Ele nada pôde responder....

Onde está cada um na Umbanda, fora dos passos complicados das giras festivas? O que é para cada um, vestir o branco, o que significa e que responsabilidades lhe traz, o que está fazendo ali, despojando-se de todo e qualquer interesse e entregando-se aos guias? Por que faz isso e em nome de quem? Qual a história, ponto cantado e escrito de cada um de seus guias de sua coroa? Por que eles pertencem a essa coroa?

Quantas queixas, pedidos e lágrimas derramou ao pé das velas nessa semana? Quantos trabalhos fez para obter algo?

Mas antes de tudo, qual a boa ação que cada um fez hoje, ou ontem ou anteontem?

Estou triste e cansado, tenho preferido o silêncio e a introspecção, pois as palavras que tentei escrever anos afora, parecem grãos soprados no vento do deserto. Talvez com meu silêncio, possa perceber quem ainda está acordado, no meio deste marasmo que parece cobrir tudo e todos.


Este ano a Umbanda fará 103 anos, ela sobrevive, mas nós Umbandistas estamos vegetando por nossa mesquinhez, por nossa falta de amor ao próximo e falta de caridade. Eu amo a Umbanda, mas estou começando a ficar com vergonha de dizer que sou Umbandista, não por querer esconder a minha religião e sim por querer esconder quem são meus irmãos, eu não sou igual aos que vejo dizendo-se Umbandistas e nem mesmo sabem o que realmente é ser Umbandista.

Eu tenho vergonha de ser seu irmão!

De quem prefere ficar no silêncio...


Alex de Oxóssi
Rio Bonito - RJ


P.S.: Apenas para constar, já faz mais de 30 dias que nem mesmo a minha caixa de e-mail eu abro.
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FIM DA ENCRUZILHADA

Cariocas dão suas versões para explicar o
sumiço dos despachos das ruas do Rio nos últimos anos

Por Mariana Filgueiras

Revista O Globo- 11/09/2011

Tal qual as mulheres e bobes nos cabelos, as carrocinhas de “tripeiras” e a nota de plástico de R$10, as macumbas sumiram das ruas do Rio. Quase não se veem mais despachos nas encruzilhadas da cidade, que outrora provocavam um misto de medo e curiosidade aos não-iniciados com suas velas, alguidás, charutos, pipoca e galinha preta. A observação é compartilhada por moradores, garis, boêmios (quem melhor sabe o que se passa nas madrugas?), estudiosos do tema e adeptos das religiões de origem africana.

Confesso que raramente vejo um. Só mesmo lá pelo interior de Magé comenta o escritor Alberto Mussa, pesquisador de mitologias, entre elas a afro-brasileira, e adepto do candomblé -. É uma pena, porque a umbanda (os candomblés usam mais a mata) é uma das criações mais espetaculares da cultura brasileira, totalmente miscigenada, com elementos católico-portugueses, africanos e indígenas. Um patrimônio que não podia desaparecer.

Para a antropóloga e professora da UFRJ Yvone Maggie, a redução dos rituais representa uma mudança na “cosmologia” dos brasileiros, na sua maneira de ver o mundo.

- Nos anos 80, era impossível andar nas ruas sem encontrar um despacho numa encruzilhada – lembra.

- Nos últimos 20 anos, houve uma diminuição sensível desses rituais, enquanto igrejas evangélicas se proliferavam pelas ruas. Talvez os brasilerios tenham se fartado de soluções de apelo à feitiçaria.

Se o sumiço dos ebós é um consenso, as razões do curioso fenômeno são distintas. Exímio observador das ruas cariocas, o sambista Moacyr Luz faz , com nostalgia, uma lista delas:

- Será que os despachos estão sendo feitos pela internet? Será que o medo tem afastado os trabalhos feitos na marugada? Até os mais devotos têm evitado as encruzilhadas. Também encareceram os cabritos e os alguidás. Os moradores de rua não estão livrando as oferendas, bebendo toda a uca, fumando todo o charuto. A sociedade está taõ solitária que a fé agora vem sitonizada nas TVs.

Não são teses infundadas as do boêmio, que já usou muitas mandingas como temas de canções. A costureira espírita Luiza (nome fictício, porque prefere não se identificar), mora no Estácio e costumava fazer oferndas pela cidade. Mas agora migrou seus rituais para matas distantes, evitando o assédio dos moradores de rua.


-Antes havia mais respeito. Agora é assim: eles mal veem que voce está cumprindo um ritual e já tomam os objetos para si. Como os exus são das ruas, as oferendas têm cigarros, cachaça, justamente o que os moradores de rua procuram - diz a costureira, que tambem acredita que houve uma conscientização ambiental por parte dos adeptos, que não deixam mais em qualquer lugar os trabalhos que possam ser confundidos com lixo.

Moradora da Ilha do Governador há 18 anos, a comerciante Ana Cristina de Souza, de 42 , conta que perto de sua casa, a caminho do Cemitério do Cacuia, há tres encruzilhadas onde toda sexta feira se via um amontoado de oferendas.

- Mas agora a Comlurb começa a limpar muito cedo, ás 6hs, então quase não se vê mais nada – relata Ana, que é católica.

Par muitos religiosos, no entanto, a desculpa não são os moradores de rua, a eficiência da Comlurb ou os sites que fazem macumba online (eles existem mesmo). A principal razão pela qual as manifestações públicas estão inibidas, alegam os seguidores, é o preconceito. O músico e compositor Cláudio Jorge, integrante da banda de Martinho da Vila, foi um dos que já passaram por constrangimento no Rio.


Cláudio lembra bem de um episódio:

- Uma vez foi na Praia de Botafogo, onde evangélicos tentaram me impedir de acender uma vela na areia. A outra foi em Santíssimo, na minha casa de santo. Fomos arriar um despacho numa encruzilhada, quando um grupo, saindo de um culto, começou a nos ofender. Ficamos preocupados porque era tarde da noite, e isso nos fez mudar de local de nossos ebós.

Dirigente umbandista do templo Estrela do Oriente, em Piedade, Luis Fernando Barros conta que já foi até impedido de entrar no Parque Nacional da Tijuca.

Mesmo garantindo que manteríamos o local limpo, e que só haveria cânticos, não obtivemos autorização nem qualquer justificativa (dos seguranças do parque). Fizemos nossa gira em outro local, mas perdoamos os que agiram de forma pouco respeitosa - conta Luis.- A umbanda é uma religião essencialmente ecológica, os Orixás e as Entidades são energias presentes na natureza. Entendemos que, ao sujarmos o meio ambiente, agredimos o sagrado panteão.

Nem todos os adeptos, no entanto, têm essa visão.Por conta da quantidade de despachos que são deixados no Alto da Boa Vista, para onde muitas das oferendas urbanas migraram, a Comlurb teve de designar um gari exclusivo para limpá-los: Alexandre Borges, homônimo do ator de novelas. A escolha de Alexandre foi pensada. Como os antigos garis tinham medo de mexer nas oferendas – e acabavam não limpando a mata direito – procuraram um profissional que fôsse simpático aos ritos. Encontraram Alexandre, que além de gari, é pai de santo em Mesquita.

- Vem o Dia das Crianças, aí um dos mais concorridos depois do dia de São Jorge. A cachoeira fica cheia de trabalhos. Eu sempre oriento o pessoal a deixar tudo mais ou menos organizado, e não tão espalhado, para ficar mais fácil de recolher depois. Mas nem todo mundo faz – detalha Alexandre, que prefere fazer seus despachos no próprio centro que dirige.

A falta de um local seguro para a prática das oferendas provocou uma série de discussões no centro Espiritualista Semeadores de Luz, na Ilha do Governador, e na Casa Nagô Vodu, em Magé.

- Há um apelo dos adeptos em conseguir um espaço destinado ao despachos, onde os praticantes possam realizar seus rituais resguardados da repreensão de policiais, vigias e guardas florestais – declara o dirigente Marcelo Prazeres, lembrando que muitos profissionais agem influenciados por crenças particulares.

As tentativas de se implantar “macumbódromos” não são novidade (primeiro projeto de lei neste sentido data de 1990), no entanto, nunca saíram do papel. Ou não duraram muito tempo, como a ideia de usar dois tocos de árvore para delimitar a área de oferendas na Avenida Edson Passos, no Alto da Boa Vista, implementada pelo Prefeito Cesar Maia, em 2003 – e suspensa logo depois pelo mesmo. Uma exceção é um espaço que reúne com frequencia umandistas na Praça São Jorge, em Sulacap, na Zona Oeste, apesar dos protestos dos moradores.

O escritor Alberto Mussa analisa a urgência dos “ebós” para as religiões africanas:

- Há uma diferença teórica muito imporante entre as religiões derivadas do judaísmo, como a católica, que tranferem todo o problema para a vida depois da morte. O importante é a pessoa se garantir para o além-túmulo – explica. – as religiões africanas não são assim. As coisas têm de acontecer agora, porque o paraíso é a terra, a vida na terra é o grande bem. Por isso, os ebós são sempre ligados a pedidos e ações imediatas. Nesse confronto, as religiões africanas estão perdendo espaço.
Por Mariana Filgueiras

Revista O Globo- 11/09/2011
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Abençoe-nos Nanã!!!!!!




Alex de Oxóssi - Rio Bonito - RJ

Querida Nanã!

Quantas vezes, no interior de minha mente, transportei-me para a sua morada, às margens de um lago profundo e calmo, e ali refresquei meus pés cansados e meu coração dolorido........

Quantas e quantas vezes fiquei horas fitando o reflexo da Lua em suas águas imóveis, procurando respostas, sondando o indecifrável...

E, em algum momento de abençoada conexão, senti o seu amparo, a sua materna influência, o frescor do barro a moldar novos caminhos em meu espírito...

Nunca dissestes que seria fácil e muitas vezes o renascimento para novas verdades requer esforço quase sobrehumano...

Também através de ti estive nas fronteiras dos mundos, através seu filho Obaluaiê, que mostra muitas passagens e tenho de passar por cada uma nesse grande aprendizado...

Senhora que é condutora de cada um pela vida, que pode ser pacificadora, que acalenta minhas lágrimas, mas faz valer meu prórpio caminho...

Salve a Sua Luz, Salve a Sua Sabedoria e Acolhimento! Acompanha os passos, inspire os pensamentos, prencha a alma com a intuição e a Fé!

E que eu seja sempre digno de sua presença e sua manifestação, através dos tarefeiros de sua linha de trabalho.

Que sempre eu seja sensível às suas vibrações, pronto para trabalhar nas lides do Bem e da Caridade.

Sempre que estiver confuso e perdido, preso e oprimido por idéias erradas, ou teimando por caminhos rígidos e estéreis, envie a sua chuva sagrada e criadora, para lavar minha alma e renovar minhas atitudes, e dar-me uma nova visão sobre as escolhas a fazer.

Esteja sempre conosco, e por minha vez, sempre estarei conectado a ti!


Saluba, Nanã!!!

Alex de Oxóssi - Rio Bonito - RJ
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OS SIOUX NA LUZ DIVINA

Alex de Oxóssi – Rio Bonito – RJ



Os índios de maneira geral, sejam do Hemisfério Norte ou Sul, possuem forte tradição anímica, isto é, acreditam na existência da alma e no mundo dos espíritos.

Lá e cá, foram destruídos sistemáticamente pelo “homem civilizado”, mas eram eles quem detinham o Poder sobre as Forças da Natureza, o repeito ao equilíbrio ecológico, a convivência pacífica com os animais, o cultivar da tolerância e boa vontade entre os seus.

O índio Lakota, das tribos Sioux, hoje estão quase extintos, vivendo na miséria e no alcoolismo, sem cultura própria, local para morar, lutando para manter sua dignidade.

Mas na Espiritualidade, espíritos Sioux se identificaram com as falanges umbandistas dos caboclos, e se juntaram a eles, agregando fundamentos xamânicos de sua cultura, tal como os animais sagrados com que trabalham, como o lobo, a águia e a pantera, da mesma forma que nas falanges de índios brasileiros, eles chegam em terra muitas vezes com sucuris, cobras corais e jibóias, além de onças e gaviões.

Os índios sioux gostam de trabalhar com pedras e cristais. Usam ainda penas do poder para limpeza das auras. O tambor, substituído pelo atabaque, é o veículo de viagem a outros mundos. E para eles o instrumento que faz a comunicação entre a Terra e o Céu.Gostam de montanhas, de florestas, de cachoeiras e do silêncio.

O heyokah é um xamã sioux especial, pois tem reações estranhas, comportamento bizarro, embora possua grande poder. Ele ensina por caminhos tortuosos, manifesta comportamentos contrários, para induzir à reflexão e preparar cada um a ter pensamentos próprios e se fortalecerem para momentos difíceis. Aparece com roupas ao contrário, monta seu cavalo de tras para frente, inverte a ordem das coisas. Mas esta aparente loucura abriga um significado, é um ensinamento , para se ver que tudo tem um outro lado, e que nem todos os caminhos para se alcançar a vitória são iguais.

Oração Lakota (Sioux)

Wakan Tanka, Grande Mistério
Ensina-me a confiar
Em meu coração,
Em minha mente,
Em minha intuição,
Em minha sabedoria interna,
Nos sentidos do meu corpo,
Nas bençãos do meu Espírito,
Ensina-me a confiar nessas coisas
Para que eu possa entrar no meu Espaço Sagrado
E amar muito além do medo
E assim caminhar na beleza
Com o passo do glorioso Sol.

Para os Lakota (Sioux) o Espaço Sagrado é o espaço entre o inspirar e o expirar (estar vivo e pleno aqui e agora). Caminhar na beleza é ter o céu (espiritualidade) e a terra (físico) em harmonia. Wakan Tanka é o Grande Espírito.


Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

Literatura consultada

http://www.xamanismo.com.br/Teia/SubTeia1192610740It003

http://tilesexperts.com/wordpress/os-maias/xamanismo-e-consciencia/

http://www.vozdoselementos.com.br/xamanismo/instrumentos-de-poder

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SALVE NANÃ!!!



Nanã é um Orixá feminino e segundo a tradição, seria mãe de Omulu. É também um Orixá ligado à terra e mais especificamente ao barro, à lama, ou seja , a mistura da terra à água.

Daí já se pode entrever seu significado. Segundo a tradição Yoruba, o barro é o material original do qual o ser humano foi modelado e que no final da vida do ser humano deve novamente ser devolvido à terra.

Ela é mãe e morte ao mesmo tempo, em um ciclo no qual a vida é possibilitada e renovada pela morte. Ao ser lama, ela é mãe da mãe. Por ser Orixá da lama, Nanã também é relacionada com a fertilidade, com a agricultura e com as colheitas. A terra é invocada, na tradição Yoruba, sempre como testemunha de juramentos feitos ou de alianças secretras. Vemos em sua dança representar o gesto de pilar o grão ou de amassar o inhame. Propicia a abundância e a prosperidade.

Ainda como divindade da criação, Nanã está associada igualmente à idéia de maternidade e dança, embalando em seus braços uma criança, representada pelo ibirí que ela segura na mão direita. O ibiri é um tipo de cetro, constituído de ramos de palha da costa, isto é de nervuras de palmeira ou de atóri reunidos por uma tira de pano azul claro onde estão costurados búzios, e cuja ponta é recurvada.

Nanã não se irrita facilmente, porém quando ofendida, é implacável e incapaz de recuar. Dizem que ela é rabugenta, como certas pessoas idosas. Sem vaidade, pouco feminina, é uma mulher sem atrativos, de idade indefinida, velha antes do tempo. Falta-lhe fantasia e é incapaz de amar com paixão, mas pode ser carinhosa. Por medo de amar, de ser abandonada e de sofrer ela dedica sua vida ao trabalho, à vocação, à ambição social. Pode deixar-se dominar pelo egoísmo, o espírito de ganância, o interesse, avareza. Para outros ela é boa e sábia, maternal com a avó, indulgente e tolerante. Ela serve de mediadora entre os homens e seu terrível (para alguns) filho Omulu ao qual transmite os pedidos dos fiéis. É extremamente trabalhadora, gosta de ordem, de limpeza, exigindo de todos, boas maneiras.

Naná é um Orixá muito discreto, e que gosta de se esconder, por esta razão suas filhas podem ter um caráter completamente diferente do dela. Ninguem desconfiaria que são filhas de Nanã, algumas delas vaidosas e dengosas, mais parecem filhas de Oxum.

AS QUALIDADES DE NANÃ

IYÁBAHIN –
é uma das qualidades mais temidas (o Orixá da varíola), que veio do Daomé, uma qualidade que usa o vermelho. Iyábahin representa um tipo de mulher sem beleza e sem graça, pesada, desajeitada e que aparenta mais a sua idade. Ligada à terra ela apresenta traço comum, com Oduduwá, é rabugenta, vingativa e implacável em rigorosos princípios morais, guardiã severa dos bons costumes, zela em partcular pela honestidade e o respeito pela palavra dada.

Extraordinariamente trabalhadora e eficiente, mas é intolerante e invejosa. A prosperidade alheia é para ela é uma provocação. Não suporta o luxo, o ócio, a vaidade. Seus hábitos são austeros, despojados, e ela não admite brincadeiras. Geralmente não gosta de homens, representa o tipo da viúva ou desquitada, que trabalhou a vida inteira para educar os filhos. É um tipo autoritário, agressivo e dominador.

OPARÁ -
veio do Ketu. É a mãe de Omulu, ligada à terra, temida, agressiva. Constitui um tipo bastante parecido com Iyabahin.

OBAYÁ –é um Orixá ligado à água, à lama, aos pântanos, é a qualidade de Nanã que usa contas de cristal e veio do País Bariba. Obayá constitui, como a precedente, um tipo de mulher desprovido de encantos, austera, velha por temperamento independentemente de sua idade cronológica. É fechada, introvertida e calma. Lenta para irritar-se, e mais lenta ainda para perdoar e esquecer. Leal e honesta, não tolera imoralidade, mentira nem traição. Sabe guardar segredos e odeia indiscrição. Não tem vida sexual ou amorosa. Mas é um tipo simpático e mais meigo que Iyábahin, é maternal, carinhosa, sábia, mãe e avó generosa e devotada. Ama profundamente as crianças e é boa educadora.

AJAOSI –
(guardiã da esquerda) é uma Nanã guerreira e agressiva que veio de Ifé, e confunde-se com Obá. É uma divindade das águas doces e que se veste de azul. Também representa um tipo de mulher sem beleza e sem juventude, trabalhadora e combativa séria, perseverante, sem vaidade, boa cozinheira, boa educadora, uma tia ou avó eficiente e prestativa, mas severa. Situa-se a meio caminho entre a rigidez de Iyábahin e a meiguice de Obayá.

AJAPÁ –
(guardiã da mata) é um Orixá bastante temido, ligado à lama e à morte, que veio de Savé. Veste-se de azul e branco, usa uma coroa de búzios. Ajapá é associada às profundezas da terra, aos mistérios da morte e do renascimento. Destaca-se como enfermeira, cuida dos velhos e dos doentes, toma conta de moribundos. Nela predominam a razão, a providência, a economia, a tendencia a adquirir e acumular bens.

BURUKU –
também é chamada OLUWAIYE (senhora da terra), ou OLOWÒ (senhora do dinheiro), ou ainda OLUSEGBE. Este orixá veio de Alomey, ligada a água doce dos pântanos, usa um ibirí azul. É uma das qualidades mais conhecidas de Nanã, bastante semelhante a Ajaosi, o tipo que ela representa é de uma mulher boa, simples, discreta, sem vaidade, maternal e generosa, mas severa e pouco paciente.

CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE NANÃ BURUKU

Não tem senso de humor, o que a faz valorizar demais pequenos incidentes e transformar pequenos problemas em grandes dramas. Ao mesmo tempo, tem uma grande capacidade de compreensão do ser humano, como se fôsse muito mais velha do que sua própria existência. Por causa desse fator, o perdão aos que erram e o consolo para quem está sofrendo é uma habilidade natural.

Nanã, através de seus filhos de santo, vive voltada para a comunidade, sempre tentando realizar as vontades e necessidades dos outros. Às vezes, porém , exige atenção e respeito que julga devido mas não obtidos dos que a cercam. Não consegue entender como as pessoas cometem certos enganos triviais, como optam por certas saídas que para um filho de Nanã são evidentemente inadequadas. È o tipo de pessoa que não consegue compreender direito as opiniões alheias nem aceitar que nem todos pensem da mesma forma que ela.

Pierre Verger costumava destacar o lado doce de Nanã: é o arquétipo das pessoas que agem com calma e benevolência, dignidade e gentileza. Das pessoas lentas nos cumprimentos de seus trabalhos e que julgam ter a eternidade pela frente, para acabar com seus afazeres. Elas gostam de crianças e educam-nas talvez com excesso de doçura emansidão, pois possuem tendências a se comportar com a indulgênciadas avós. Agem com segurança e majestade. Suas reações bem equilibradas e a pertinência das decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça.

LENDAS DE NANÃ

1ª Lenda

A mais significativa, sem dúvida, é a que fala de Oxalá se disfarçando para retirar dela o poder sobre os eguns e consequentemente o poder de deusa suprema de uma localidade que explicamuito bem a dominação da nação (matriarcal) do Daomé (criadora de Nanã) pela cultura patriarcal dos iorubas, dos quais Oxalá é o principal representante.

2ª lenda

Esta cita Nanã como uma mãe terrível que abandonou os filhos de Oxumaré, por nascer com forma de cobra, e Omulú por ser defeituoso. Esta narrativa transfere para Yemanjá a função de cuidar de Omulu: a mãe do panteão iorubá foi quem recolheu um dos filhos da cultura daomeana, mostrando que os dominadores aceitavam os mitos dos dominados, ao mesmo tempo em que destronavam a figura que os ameaçava, a mãe e pai de todos. Nanã mostrada a partir de então como uma megera sem poderes.

3ª lenda

Nanã era rainha de um povo e tinha poder sobre os mortos. Para roubar esse poder, Oxalá casou com ela, mas não ligava para a mulher. Então Nanã fez um feitiço para ter um filho. Tudo aconteceu como ela queria mas, por causa do feitiço, o filho Omulu nasceu todo deformado. Horrorizada, Nanã jogou-o no mar para que morresse. Como castigo pela crueldade, quando Nanã engravidou de novo, Orunmilá disse que o filho seria lindo mas se afastaria dela para correr mundo. E nasceu Oxumaré, que durante seis meses vive no céu como o arco-íris, e nos outros seis é uma cobra que se arrasta no chão.

4ª lenda

Na aldeia chefiada por Nanã, quando alguem cometia um crime, era amarrado a uma árvore e então Nanã chamava os Eguns para assustá-lo.

Ambicionando esse poder, Oxalá foi visitar Nanã e deu-lhe uma poção que fêz com que ela se apaixonasse por ele. Nanã dividia o reino com ele, mas proibiu sua entrada no Jardim dos Eguns. Mas Oxalá espionou-a e aprendeu o ritual de invocação dos mortos. Depois, disfarçando-se de mulher com as roupas de Nanã, foi ao jardim e ordenou aos Eguns que obedecesse, “ ao homem que vivia com ela” (ele mesmo). Quando Nanã descobriu o golpe quis reagir, mas como estava apaixonada, acabou aceitando o poder com o marido. Hoje no Culto aos Egungun só os homens são iniciados para chamar os eguns.

5ª lenda

Certa vez, os Orixás se reuniram e começaram a discutir qual deles seria o mais importante. A maioria apontava Ogun, considerando que ele é o Orixá do ferro, que deu à humanidade o conhecimento sobre o preparo e uso das armas de guerra, dos instrumentos para agricultura, caça e pesca, e das facas para uso doméstico e ritual. Somente Nanã discordou e, para provar que Ogum não é tão importante assim, torceu com as próprias mãos os animais destinados ao sacrifício em seu ritual. É por isso que os sacrifícios para Nanã não podem ser feitos com instrumentos de metal.

MITOLOGIA DOS ORIXÁS

1) Nanã formece a lama para a modelagem do homem

Dizem que quando Olorum encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, o Orixá tentou vários caminhos. Tentou fazer o homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu.

Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. Depedra, a tentativa ainda foi pior.

Fêz fogo e o homem se consumiu. Tentou o azeite, água e até vinho de palma, e nada.

Foi então que Nanã Buruquê veio em seu socorro.

Apontou para o fundo do lago com seu ibiri, seu cetro e arma, e de lá retirou uma porção de lama.

Nanã deu a porção de lama a Oxalá, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as aguas , que é Nanã.

2) Nanã tem um flho com Oxalufã


Nanã era considerada grande justiceira. Qualquer problema que ocorresse, todos a procuravam para ser a juíza das causas. Mas sua imparciabilidade era duvidosa. Os homens temiam a justiça de Nanã, pois se dizia que Nanã só castigava os homens e premiava as mulheres.

Nanã tinha um jardim com um quarto para os eguns que eram comandados por elas. Se alguma mulher reclamava do marido, Nanã mandava prendê-lo.

Batia a parede chamando os eguns. Os eguns assustavam e puiam o marido. Só depois Nanã o libertava.

Ogum foi reclamar a Ifá sobre o que ocorria. Segundo Exu, conhecido como bisbilhoteiro, Nanã queria dizimar os homens.

Os Orixás reunidos resolveram dar um amor para Nanã, para que ela se acalmasse e os deixassem em paz.

O Orixás enviaram Oxalufã nessa missão. Chegando à casa de Nanã, Oxalufã foi servido com ricos alimentos. Mas o velho pediu-lhe que fizesse um suco de igbins, de caracóis. Oxalufã, muito sábio, fez Nanã beber com ele o suco. Nanã bebeu dormiu era, a água que acalma. Assim Nanã foi se acalmando.

Cada dia que passava, Nanã se afeiçoava mais a Oxalufã. Pouco a pouco Nanã foi cedendo aos pedidos de Oxalufã. Mas até então Nanã não havia mostrado a ele o seu jardim.

Um dia, uma mulher queixosa do marido procurou Nanã, e ela, aconsehada por Oxalufã, quis ouvir ambos os cônjuges, não só a mulher, mas também o seu marido.

Nanã tinha se acalmado. Mostrou de vez todo o seu reino à Oxalufã. Mostrou tambem como comandava os eguns. Oxalufã observou tudo.

Um dia, quando Nanã se ausentou de casa, Oxalufã vestiu-se de mulher e foi com os eguns. Com a voz mansa como a da velha, Oxalufã ordenou aos eguns que dali em diante eles atenderiam aos peidos do homem que vivia na casa dela.

E sua volta, Nanã foi surpreendida com a afirmação de Oxalufã, que ele também mandaria nos eguns. Mesmo contrariada, Nanã acatou o dito, pois estava enamorada do velho, queria ter com ele um filho. Mas Oxalufã disse à Nanã que não poderiam ter um filho, pois ambos tinham o mesmo sangue.

Nanã estava inconformada e não aceitou o interdito. Preparou uma comida contendo um pó mágico e fez com que Oxalufã adormecesse. Aproveitando-se do sono de Oxalufã, Nanã deitou-se com ele e engravidou. Quando acordou, Oxalufã ficou muito contrariado. Não podia mais confiar em Nanã, pois ela se aproveitara de seu sono.

E Oxalufã abandonou Nanã, indo viver com Yemanjá.

Dia da semana: terça-feira
Elemento: água de lagoas e manguezais
Pedra: ametista
Saudação: saluba

COMIDAS PARA NANÃ

500g. de quirerinha branca - 01 côco - azeite de oliva
Modo de preparo: Cozinhe a quirerinha com bastante água para que ela fique meio "papa", tempere com oliva, coloque em uma tigela de louça, descasque , rale o côco com ele cubra a quirerinha.

Farofa de pipoca com amendoim, berinjela, batata doce com mel.

Pudim - amolecer o pão transformando-o em uma pasta, em seguida, junta-se cravo e canela, mais camarão seco. Mistura-se tudo e coloca-se em uma tigela. Cortar couve em tiras bem finas e fritar no dendê. Colocar nas bordas do prato para enfeitar.

Sarapatel – para o sarapatel de Nanã , limpa-se e pica-se os miúdos de porco. Passa-se bastante limão e coloca-se a cozinhar. Prepara-se um tempero com limão, coentro, salsa, cebolinha pimenta-do-reino, cominho, louro e acrescenta-se aos miúdos deixando tudo cozinhar.

Mingau - o mingau para Nanã é preparado com creme de arroz, leite de coco. Depois de pronto colocar em uma tigela e acrescentar uma laranja lima.

Aberém - coloque farinha de milho branca a ferver em banho maria sempre mexendo para não embolar . Fazer bolinhos e colocar em folhas de bananeira. Amarrar e servir em tigela branca.

Acassá - deixa-se o milho branco com água em alguidar novo.
Sem qualquer resíduo até amolecer. Ralando-se depois.
Passa-se numa peneira fina ficando ao cabo de algum tempo a massa no fundo do vaso. Isto pronto escoa-se a água , deitando-se a massa no fogo , com outra água , até cozinhar em ponto grosso, retirando-se com uma colher de madeira pequenas porções que são envolvidas em folhas de bananeira depois de rápido aquecimento no fogo.

Bobó ou Ipete –inhame descascado e cozido,cortado em fatias , fervido em seguida no azeite -de-dendê com camarão ralado , cebola , pimenta malagueta.

Buenguê –cozinhar cangica branca e quando estiver amolecida adoçar com mel. Servir em tigela branca.

Efó – corta-se a erva conhecida por " língua de vaca " ou mostarda, pondo ao fogo para ferver com pouca água , feito isto escoa-se e coloca-se de novo na mesma vasilha com cebola , pimenta-malagueta seca , camarões secos e sal . Botar azeite-de-dendê depois de tudo ralado.

Ejá - bastante coentro e cebola, rala-se tudo com sal, até tornar-se pasta em seguida põe-se limão espremido. Bastante peixe e azeite -de-dendê.

Ejá funfun - tempere postas de peixe de água doce com sal , suco de limão e alho esprimido.reserve por melo menos 1 hora.Em uma panela , refogue cebola , óleo de urucum e duas colheres de azeite doce.Reserve.Numa panela de barro untada, com uma colher de azeite, fore a metade da medida da cebola refogada com óleo de urucum e o azeite e metade de tomate picado. Acrescente as postas de peixe sem coloca-las uma por cima da outra.Cubra com o restante de cebola refogada e com o tomate e acrescente o coentro e sal a gosto.Leve a panela tampada ao fogo aproximadamente 25 minutos.
Sacudindo de quando em vez para não grudar os engredientes

Jacicou - cozinha-se camarão com todos os temperos, isto é ,cebola , coentro, tomate , pimentão , sal e azeite Quando amolecer e estiver caldo grosso, com o auxilio do machucador, esmaga-se o camarão. Mistura-se com arroz cozido e farinha de goma até os dedos ficarem limpos. Forma-se bolos que são fritos de preferência no azeite-de-dendê.

Olelé - é feito da mesma massa do acará, temperado com cebola , camarão seco e dendê , depois da massa pronta, o abará é enrolado na folha de bananeira para cozinhar no vapor.

Zoró - ensopa-se o camarão com ervas. Temperar com azeite-de-dendê, salsa, coentro, cebola, cebolinha, e pimenta, tudo bem raladinho.

ERVAS DE NANÃ

Agapanto: É um vegetal pertencente a Oxalá, Nanã e a Obaluaê. O branco é de Oxalá e o lilás é da deusa das chuvas e do orixá das endemias e das epidemias. É também aplicado como ornamento em pejis, e banhos dos filhos destes orixás. Não possui uso na medicina popular.

Altéia – Malvarisco: Muito empregada nos banhos de descarrego e na purificação das pedras dos orixá Nanã, Oxum, Oxumar6e, Iansã e Iemanjá. Muito prestigiada nos bochechos e gargarejos, nas inflamações da boca e garganta.

Angelim-Amargoso – Morcegueira: Pertence a Nanã e Exu. Muito usada em carpintaria, por ser madeira de lei. Folhas e flores são utilizadas nos abô dos filhos de Nanã. As cascas dizem respeito a Exu; elas são aplicadas em banhos fortes de descarrego, com o propósito de destruir os fluidos negativos.

Assa-Peixe: Usada em banhos de limpeza e nos ebori dos filhos do orixá das chuvas. Na medicina popular ela é aplicada nas afecções do aparelho respiratório em forma de xarope. Utilizada como hemostático.
Avenca: Vegetal delicadíssimo e mimoso. Tem emprego nas obrigações de cabeça e nos abô embora ela mereça ser economizada em face de sua delicadeza para ornamento. A medicina popular indica as folhas para debelar catarros brônquios e tosses.

Cedrinho: Este vegetal possui muitas variedades, todas elas pertencentes a deusa das chuvas. Sua aplicação é total na liturgia dos cultos afro-brasileiros. Empregado nas obrigações de cabeça, nos abô, banhos de corpo inteiro e nos de purificação. Excelente abô de ori, tonificador da aura. Em seu uso caseiro combate as disenterias, suas folhas em cozimento em banhos ou chá curam hérnias. É tônico febril rebeldes.

Cipreste: Aplicada nas obrigações de cabeça e nos banhos de purificação e descarrego. A medicina popular indica banhos desta erva para tratar feridas e o chá para curar úlceras.

Gervão: Além de ser folha sagrada de Nanã, também é Xangô. Sem aplicação nas obrigações rituais. A medicina caseira a indica no tratamento das doenças do fígado, levando suas folhas em cozimento adicionando juntamente raízes de erva-tostão. O chá do gervão também debela as doenças dos rins.

Manacá: Seu uso ritualístico se limita aos banhos de descarrego. Muito empregada na magia amorosa. Nesse sentido, ela é usada em banhos misturada com girassol e mil-homens. O chá de suas raízes é utilizado pela medicina caseira para facilitar o fluxo menstrual.

Quaresma – Quaresmeira: Esta arboreta tem aplicação em todas as obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de limpeza e purificação dos filhos da deusa das chuvas. Durante o ritual toda a planta é aproveitada, exceto a raiz. A medicina caseira a indica nos males renais e da bexiga, em chá.

Quitoco: Usada em banhos de descarrego ou limpeza. Para a medicina popular esta erva resolve males do estômago, tumores e abscessos. Internamente é usado o chá, nos tumores aplica-se as folhas socadas.


Alex de Oxóssi
Rio Bonito - RJ

LITERATURA CONSULTADA:

O Mundo Místico dos Orixás- Ed. Minuano .Ano I no. 4
http://wwwcasabrancadeoxala.blogspot.com/2008/12/ervas-de-nan.html
http://catiacmam-catiacmam.blogspot.com/2009/04/comida-do-orixa-nana-pudim-amolecer-o.html
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LINHA E ARQUÉTIPO DAS GUARDIÃS POMBA GIRA


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Por Rodrigo Queiroz
Ditado por Sra. Maria Padilha


“Uma rosa cor de sangue, cintila em suas mãos,
Um sorriso que nas sombras não diz sim nem não,
Põe na boca cigarrilha e se acende um olhar,
Que nas Trevas sabe o bem e o mal pra quem quiser amar....”




- Olá moço! Salve!

- Minhas reverências Senhora!

- Moço coube a mim falar um pouco de nós, vamos lá?

- Vamos sim, pode começar!

- Como o companheiro Tranca Ruas já adiantou sobre nossos nomes simbólicos e condição do Grau de um espírito redimido na seara da evolução vou me preocupar em tratar de outras coisas, certo?

- Senhora, sou apenas a sua mão, está tudo certo, você conduz como queira.

- Então vamos do começo. O temo Pomba Gira é mal compreendido e também não falarei disso, você faz isso depois, pode ser?

- Tá certo Senhora, no final eu coloco uma nota.

- Ótimo!

- Senhora, já que tentarei escrever sobre o termo do “Orixá Pomba Gira” vamos falar da questão prática, ou seja, do surgimento de vocês mulheres na força de exu, também conhecidas como Exu Mulher.

- Ah moço, ainda tem essa, né? Exu Mulher já é demais. Seria o mesmo que dizer Rodrigo Mulher ou coisa parecida. Mas entendemos quando criaram este termo era apenas para tentar explicar algo que desconheciam e demoraria ainda um bom tempo para se ter ferramentas e bons argumentos para melhor explicar nossa “aparição” nos terreiros.

- Entendido... E como isso se dá?

- Antes de “aparecermos” nos terreiros de Umbanda já manifestávamos em alguns lugares que nos permitiam como em alguns Catimbós, Macumbas Cariocas, etc. Não usavam o termo Pomba Gira, mas sim Princesa, Madame e coisas do tipo. Estas aparições eram rariadas e ficava a cargo de médiuns mulheres que se abriam a nós, no entanto poucas o faziam.

- E porque isso?

- A sociedade em que você vive é patriarcal, logo extremamente machista, hoje um tanto mascarado pela evolução tecnológica e globalizado, mas são essencialmente machistas, tanto é que ainda chamam Deus de Pai, figura masculina e estrutura patriarcal.

- Isso é verdade!

- E há um século atrás era muito pior e declarado este rebaixamento ao sexo feminino. Assim, aparecemos em peso nos terreiros na década de 60 nos juntando ao movimento feminista que neste país criou grande repercussão nesta época.

- Hummm, quer dizer que vocês vieram nos combater? (risos)

- Viemos combater a desigualdade moço, e continuamos fazendo.

- A Umbanda se mostra como um ponto de convergência para todos os meios menos favorecidos e oprimidos, não acha?

- É fato. Seu universalismo e sua meta é essa, por isso tem quem acredite que será a religião principal do futuro.

Continuando, por séculos a mulher era apenas coadjuvante existencial, sem muita importância, porém necessária e aquelas que tentaram mudar esta realidade foram mortas e ridicularizadas de alguma forma. Mas não ficarei aqui relembrando o passado, certo?

- Tudo bem.

- Esta realidade brutal se arrastou por séculos a fio e como já disse começou a mudar a realidade nos anos 60 aqui neste país. Quando aparecemos nos terreiros éramos o retrato de tudo aquilo que as mulheres sonhavam em ser, mas já tinham perdido a esperança. Também éramos tudo que os homens gostavam, mas combatiam covardemente.

- Não entendo. Temos notícias que vocês eram tratadas como ex-prostitutas, ex-marginais e ex-alguma coisa muito ruim e amoral.

- (gargalhada) Isso é o que tentaram dizer. Intriga dos covardes moço. (gargalhada)

- Então continue.

- Pois bem, nesta época, veja os retratos das mulheres nesta época. Eram opacas, pálidas, feias e amarguradas. A vaidade era abafada de todas as formas e sensualidade era algo que muitas vezes nem brotava no âmago da mulher. Um combate cruel contra a natureza.

E surge nós, mulheres independentes, firmes, alegres, risonhas, esbanjando sensualidade, sem papas na língua “afrontando” a covardia machista imperante. Confesso moço, viemos auxiliar a mulher para se livrarem deste cárcere emocional que viviam. Fomos muito combatidas, até hoje somos mas a luta já está mais fácil. Neste tempo não tachavam somente nós como seres amorais e todos adjetivos que possa imaginar, a médium caia na mesma vala. Se pra mulher incorporar uma pomba gira era um escândalo, imagine quando ocorria com um homem. Era raro, mas fazíamos questão de provocar estas situações.

No momento em que começamos aparecer nos terreiros e tudo isso foi cautelosamente pensado, nos preparamos e foi uma “invasão” coletiva, simultâneo. A médium que aparecia opaca no terreiro ao estar mediunizada por nós ficava linda, pois juntava sua sensualidade escondida com a nossa e aquela mulher virava um furacão. É certo que muitos casamentos acabaram por isso, porém muitos outros também foram salvos.

Nosso foco inicial era a mulher. Libertar o ser feminino do medo e da dependência foi e é nosso norte.
Fazemos a guarda do movimento feminista. Reconheça que muito se conquistou assim.

Tínhamos que provocar, por isso quando nos perguntavam se éramos “putas” respondíamos com uma sonora gargalhada. Se éramos “bruxas” a mesma resposta. E quando cantavam que “pomba gira é, mulher de sete maridos”, a provocação estava feita. Pois era a situação inversa, ou seja, não o homem podendo a poligamia, mas sim a mulher subjugando vários homens sob seu feminilismo e encanto.

- Interessante...

- Árduo moço, muito árduo. Desde então nosso trabalho foi crescendo e se manifestando de forma organizada igual ao trabalho dos exus, somos a outra parte de exu que usando este termo abriga os seres masculinos no grau Guardião de evolução e nós no termo Pomba Gira somos as mulheres no grau Guardiã de evolução.

- Quer dizer que o arquétipo de vocês também se baseia na milícia?

- Não, apenas representamos a mulher independente, capaz e livre. Somos como disse, aquilo que toda mulher busca ser e tudo aquilo que os homens gostam mas tem medo.

- É certo que existem algumas Pomba Giras que foram prostitutas e marginais.

- Sim é certo, como também existem Exus que foram a pior espécie de homens. Porém isto é um caso a parte.
O que fomos pouco importa, pois no geral, como todos os encarnados, somos espíritos humanos que sofreram sua queda e já lúcidos retomamos nosso caminho de evolução, assumindo um grau e campo de atuação sob a regência dos Orixás e guardando a esquerda dos encarnados.

- Senhora é verdade que vocês são especializadas em fazer amarrações?
(Grifo Nosso)
- Sim, da mesma forma que somos especializadas em transformar homens em gays (gargalhada). Brincadeira a parte moço, esta é mais uma colocação dos mal informados. Nós já estamos livres destes “vícios” emocionais e não praticamos nada fora do livre arbítrio que impera na criação Divina. Portanto, não somos amarradoras de nada e não decidimos sexualidade de ninguém. No entanto, somos especializadas em desfazer estas anomalias magísticas. (Grifo Nosso)

É isso moço, vamos parar por aqui e fica em síntese registrado que Pomba Gira são espíritos humanos femininos que estão num grau ao lado de exu e atuam principalmente no coração e na mente daqueles que de certa forma se permitem ficar acrisolados em suas próprias tormentas. Estimulamos o que o indivíduo tem de melhor, para que estes desejem ser melhores. Em nosso encanto e sensualidade mostramos que de tudo o que vale a pena é preservar a felicidade.(Grifo Nosso)

Fique em paz moço noutra oportunidade sentamos novamente.

- Muito obrigado senhora. Este é um assunto extenso e poderíamos fazer um livro com centenas de páginas, mas não é possível agora, então mais uma vez muito obrigado!

- Salve!

- Saravá Pomba Gira Maria Padilha.



Nota do Médium:
Por um tempo tive resistência quanto ao trabalho de Pomba Gira, meramente por falta de informação, hoje entendo o suficiente para perceber seu papel fundamental e insubstituível num terreiro. Ainda assim quando achei estar pronto para incorporar Dona Padilha me surpreendi por não estar, pois é, na ocasião comecei sentir meu corpo mudar e me assustei, bloqueei e de certa forma mantive um trauma, um tempo depois ela se manifestou sem usar o mesmo artifício de me levar sentir fisicamente sua estrutura. Consciente na incorporação vivi um misto de vergonha e encanto, vergonha por me ver requebrado e encantado por ter a oportunidade de aprender e sentir um pouco mais deste universo tão complicado que é o ser feminino.

Também pude por a prova que espírito algum muda nossa orientação sexual ou coisa do tipo.

Quanto ao termo Pomba Gira, muitas são as discussões. Alguns dizem ser Pomba – um símbolo da genital feminina (vulva) e Gira – o fato dela dançar girando no terreiro, ou seja, uma espécie de vulva girante, faceira e por aí vai. A meu ver é um tanto preconceituoso e sem nexo esta “tradução”. Outro ponto de vista muito provável é que Pomba Gira é uma variante de Bombojila, uma divindade africana não Yorubá equivalente a Exu que começou a ser cultuada no surgimento do Candomblé por conta da fusão dos Cultos de Nação em terras brasileiras. Como temos Exu representando os Guardiões na Umbanda teríamos que ter alguma referência para as Guardiãs, então resgataram Bombojila que num aportuguesamento forçado foi sofrendo variações fonéticas: Bombojila – Bumbojila – Bombo Gira – Pumbu Gira e Pomba Gira. Sabe com é leitor, isso é coisa de brasileiro! (risos).


Assentamento:

- 01 garrafa de boca larga de vidro (gatorade);
- champanhe;
- 01 tridente redondo;
- 01 pedra ágata de fogo;
- um botão de rosa vermelha;
- erva artemísia;
- mel;
- 01 vela 7 dias vermelho;
- 01 fita cetim vermelho fina 50cm;
- 01 cigarrilha;
- incenso de patchouly.

Preparo: coloque dois dedos de mel na garrafa, coloque a pedra, a erva e a rosa. Encha com a champanhe. Tampe (tampa de metal) e fure a tampa com o tridente que deverá ser fincado até tocar no mel e as pontas ficam pra fora. No meio da garrafa amarre a fita com sete nós. Acenda o incenso e a cigarrilha dando sete barofadas. Acenda a vela.

Toda semana acenda ao menos uma vela vermelha. Sempre que fizer esta firmeza semanal, pegue o charuto e dê três baforadas, concentrado nos pedidos e orações.

Troque os ingredientes trimestralmente(Grifo Nosso), podendo manter apenas a garrafa, a pedra e o tridente.

Mantenha fora de casa.
(Grifo Nosso)

Oração de assentamento:

“Divino Criador, Divinas Forças Naturais, Divinos Orixás, neste momento vos evoco e peço que imante este assentamento, consagre e o torne um portal por onde a força de Pomba Gira possa se manifestar, servindo de minha proteção e chave de acesso às Guardiãs de acordo com o meu merecimento. Peço que a força das Pomba Giras esteja presente e receba minhas vibrações.”

Ps.: Este é um assentamento universal para a linha de Pomba Gira, que pode ser consagrado a um Pomba Gira específica ou deixar aberto de forma universal.

Faça isto com fé e amor, terá ótimos resultado!

Fonte:
este texto faz parte da apostila que compõe o material de estudos do curso Arquétipos da Umbanda, desenvolvido e ministrado por Rodrigo Queiroz.

BLOG: http://www.rodrigoqueiroz.blogspot.com


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Linhas de Trabalho na Umbanda e a identidade de um povo



Por Rodrigo Queiroz


A Umbanda, por sua ampla diversidade e particularidade, é cercada de explorações conceituais, muitas vezes interpretada pela única e exclusiva vivência particular dos indivíduos, o que neste caso pode ser um perigo, uma vez que a Umbanda vivenciada no interior de um terreiro é apenas o fragmento da Umbanda manifestada num espaço terreno, restrita ao grupo onde ela se manifesta e vivenciada com as particularidades deste grupo.

No entanto, penso que o Umbandista no geral precisa separar o terreiro e as convicções internas daquilo que é Umbanda, no macro, numa visão global, pois o terreiro é de Umbanda, mas a Umbanda não é apenas o terreiro.

Neste sentido, diversos temas precisam ser consultados à espiritualidade de Umbanda, trazer ao meio aquilo que é ensinado pelo astral, compartilhado com o senso crítico, necessário para não criarmos fundamentalismos, numa religião ampla, maleável e em constante expansão...

Independentemente das teorias diversas sobre um ou outro assunto, o que é ou deverá ser comum aos terreiros é a presença das linhas de trabalho, reservadas, é claro, as particularidades internas. Ou seja, independentemente de minhas convicções, o Caboclo dentro do terreiro que frequento é a mesma essência manifestada em qualquer terreiro, Caboclo é Caboclo em qualquer lugar e pouco importa se num terreiro o Caboclo usa penacho, noutro usa uma fita ou noutro não usa nada; a forma, a particularidade, não é superior ou mais importante que a essência Caboclo. Assim para todas as outras linhas.

Há terreiros que trabalham com a linha de marinheiros, há terreiros que não. Há terreiros que manifestam ciganos, há terreiros que não. O fato de uma determinada linha não se manifestar no terreiro que frequento não significa que esta não exista e/ou que eu não preciso entendê-la.

A Umbanda é uma religião brasileira, por essência e fato registrado. Sua organização comprova isso. A maneira com que ela congrega a diversa cultura planetária numa realidade brasileira contemporânea adaptada nos leva à constatação desta ideia.

No astral se organizaram gradativamente linhas de trabalho espiritual baseadas no arquétipo do Brasil, do povo brasileiro, são grupos de espíritos que trazem consigo uma história evolutiva e graus de evolução semelhantes que se congregam pelo ideal vibratório e evolutivo da Umbanda Astral.

Brilhantemente, os Mestres da Luz, tutores do Ritual de Umbanda, fazem manifestar a cada Gira de Umbanda qualidades, especificidades, habilidades e saberes de um povo multicultural. Posso dizer que a vivência no interior de um terreiro durante alguns meses conduz o indivíduo a “viajar” por todo este imenso país e sua cultura.

Abaixo segue uma síntese desta organização do astral, que identifica a religião de Umbanda como uma religião Brasileira.

Linhas de Trabalho e os Arquétipos Sociais


Caboclo – apesar do nome, não retrata o “caboclo matuto”, mas espelha a identidade do indígena, morador primário desta pátria, cultuador da natureza que proporciona ao fiel umbandista uma profunda convergência à natureza, um olhar sensível ao que é natural e o desenvolvimento de uma consciência ecológica nativa, daquele que sabe que o ser humano é extensão e dependente da natureza, não o contrário. Proporciona ainda uma interação com o reino elemental e a cultura indígena.

Preto Velho –
arquétipo do ancião, “sobrevivente” do cativeiro, que superou a dura realidade da escravidão, desenvolvendo, portanto, a sabedoria pela vivência. Africanos catequizados, estes trazem à religião a crença e culto aos Orixás, divindades cultuadas na Nigéria; entretanto, a maneira como os Orixás são compreendidos e como os fiéis se relacionam com os mesmos é diferente do que ocorre na África ou mesmo nos cultos descendentes. Na Umbanda, por meio dos pretos velhos acontece o culto aos Orixás de maneira renovada e adaptada à realidade brasileira contemporânea. Sobretudo, os Pretos Velhos são o retrato de sabedoria, humildade e resignação.

Baianos –
uma “referência” ao início da descoberta do país, origem da colonização e de um povo que é a “cara do Brasil”. Entretanto, os Baianos surgem de maneira organizada como uma linha de trabalho efetiva a partir da década de 50 com a industrialização dos grandes centros, intensificam na década de 60 com a maior onda de migrações provenientes da grande seca que acometeu o nordeste brasileiro. A Linha de Baianos reflete o arquétipo do rural migrado e já adaptado à zona urbana, esta linha de trabalho vai servir de ponte para os migrantes através de sua semelhante identidade.

Boiadeiros –
arquétipo do “peão de boiadeiro”, do catingueiro, lampião. Espelha a qualidade do sertanejo e do agreste. Aparecem nos terreiros juntamente com os Baianos.

Marinheiros –
muitas vezes semelhantes aos Baianos, é o arquétipo do litorâneo, identidade daquele que sobrevive do mar e dos rios, como os ribeirinhos. Apresentam-se nesta Linha de Trabalho marinheiros de fato, pescadores, ribeirinhos, canoeiros. Conhecidos também como “Povo d’água” trabalham sob a vibração de Yemanjá.

Erês –
composto na sua maioria por encantados, são seres puros de outra dimensão e infantis. Naturalmente, é o arquétipo da criança para a criança, um meio do astral para interagir com os infantis encarnados no desenvolvimento de uma religiosidade de origem.

Ciganos –
confundidos com exus e pomba giras, trazem o arquétipo do nômade, daquele que transita por muitas culturas e é em si a síntese da mística planetária; surgem intensamente nos terreiros de Umbanda na década de 90 e frisam que não são da Umbanda, estão na Umbanda.

Malandros –
iconizados por Zé Pelintra, refletem o arquétipo da periferia e do “morro”, retratam a superação diante as dificuldades políticas e sociais. Estão ligados às causas sociais e da minoria, combatem as exclusões. Apesar de Zé Pelintra ser anterior à Umbanda, a Linha de Malandros aparece nos terreiros como uma linha de trabalho organizada na década de 2000 e ainda causa estranheza para muitos “tradicionalistas”.

Povo do Oriente –
no princípio o termo “povo do oriente” foi usado para designar todo aquele espírito que não se encaixava até então numa linha de trabalho já popularizada, uma exemplo é a linha dos ciganos, que por muito tempo foi considerado “povo do oriente”. Entretanto, a Linha de Trabalho do Oriente é composta pelo arquétipo e cultura Oriental e Asiática, encontramos nestas linhas monges, yogues, chineses, indianos, japoneses etc. Portanto, outra cultura e povo que contribui para o desenvolvimento desta cultura e país que é o Brasil.

Exu –
a linha dos guardiões, ou Exus na Umbanda sempre estiveram presentes na religião, por um período velado ou pouco público. Por muito tempo mal interpretado e sincretizado com o demônio católico. Nos dias atuais, exu tem sido mais compreendido e entendido como o Guardião do Templo, o Sentinela que é amigo e protetor, justo e ordenador, incorruptível e avesso a práticas que ferem o bom senso, caridade, amor e evolução. É o arquétipo militar, da polícia no astral, da guarda montada.

Pomba Gira – por um tempo entendida como “Exu Mulher”, esta linha de trabalho aparece intensamente nos terreiros na década de 60 juntamente com a expansão do movimento feminista no Brasil. Esta força espiritual intensifica a identidade feminina, mal interpretada em sua aparição quando foram consideradas mulheres “prostitutas” ou coisas semelhantes. O fato é que Pomba Gira, além de ser a Guardiã do Templo e da esquerda dos médiuns junto com Exu, trazem o arquétipo da mulher independente, “dona de si”, bem resolvida e autônoma. Características estas que vão confrontar com o machismo imperante na cultura brasileira principalmente na década de 60, ao mesmo tempo em que vão trazer um novo fôlego e autoestima às mulheres da Umbanda.

Exu Mirim –
como os Erês (crianças), são encantados e infantis da dimensão natural Exu. Estão assentados à esquerda dos médiuns e do ritual de Umbanda como guardiões da vibração do Orixá Exu. Não são delinquentes, meninos de rua ou “cheiradores de cola”, como equivocadamente foram interpretados nas suas primeiras aparições.

Rodrigo Queiroz é graduando em Filosofia, Sacerdote Umbandista, escritor, diretor fundador do Jornal Umbanda Sagrada, Presidente do Instituto Cultural Aruanda, Coordenador do colégio virtual Umbanda EAD.
Contato – rodrigo@ica.org.br / www.ica.org.br / www.rodrigoqueiroz.blog.br

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Simbolos Sagrados da Umbanda- os Pontos Riscados

O Ponto Riscado é utilizado nos trabalhos efetuados pelas entidades e também como identificador da mesma. A Pemba é um instrumento sagrado na Umbanda, pois nada se faz com segurança sem a grafia mágica do Ponto Riscado. Ao riscar seu ponto através do médium, a entidade estabelece o contato vibratório com as energias da Espiritualidade Superior.

A escrita mágica simbólica é tão antiga quanto a humanidade, e é um bem colocado à disposição da humanidade pelos Seres Espirituais Superiores, de que muitos tem se servido no decorrer dos séculos. Existem milhares de ondas vibratórias que formam telas infinitas, dasquais são retirados modelos de símbolos e signos mágicos que são riscados e ativados no plano material.


Os Guias Espirituais costumam trabalhar com espaços mágicos fechados ou circulares; assim, suas irradiações ficam contidas dentro do círculo e não interferem nos outros espaços mágicos riscados por outros guias dentro do mesmo espaço físico coletivo. Os Guias Espirituais de Umbanda, se servem de uma certa quantidade de símbolos e signos mágicos que aparentemente é limitada a algumas centenas apenas, pois pode-se encontrar em pontos riscados de diferentes entidades a reprodução de símbolos e signos idênticos.

O ponto riscado é, na verdade, o selo, o cartão de visitas, a identificação , o brasão e a bandeira da entidade. São verdadeiros códigos registrados e sediados ao mundo espiritual que identificam poderes, tipos de atividades, e os vínculos iniciáticos da falange. Quando traçados sem conhecimento, não projetam sua grafia luminosa e não passam de rabiscos. Ponto Riscado é magia, e, par se utilizar deles, é ncessário conhecimento.

Dependendo do trabalho a ser realizado ou cerimônia, pode-se utilizar tambem além do giz de pemba, a pólvora, oazeite, um ponteiro na areia ou até mesmo traçá-lo mentalmente, mas isso já requer muita prática.

SÍMBOLOS E SEUS SIGNIFICADOS NA MAGIA DA UMBANDA


Círculo – representa o Criados, o Universo, a Perfeição. È o símbolo da
eternidade.

Ponto - O Ser Supremo , a Origem.
Linha reta horizontal: o mundo material
Linha reta vertical : a alma humana em busca do retorno ao criador.
Duas linhas retas : o masculino e o feminino
Uma linha curva : a polaridade
Uma linha sinuosa: regeneração e vida
Dois traços curvos: as duas polaridades, positiva e negativa
Triângulo: Força Divina
Dois triângulos (estrela de 6 pontas) : todas as forças do Cosmo em equilíbrio
Quadrado : os quatro elementos: terra, fogo, agua e ar
Pentagrama: o Selo de Salomão: A Linha do Oriente, Oxalá, a Luz de Deus.
Tres estrelas representam as Almas e os Pretos Velhos.

Arco e Flecha: Força Espiritual, energia e potencia.

Espada: a alma em busca do criador, a luta, o trabalho, o guerreiro.

Coração: almas equilibradas, o amor.

A LEI DE PEMBA


A magia dos sinais na Umbanda possibilita seus próprios símbolos, que representam os Orixás, os Guias e Protetores, relacionados com os planetas, as forças elementares da Natureza e a Numerologia.

Essa grafia sagrada – os Pontos Riscados – identifica Guias e Protetores com seus nomes próprios, e representam tambem os canais energéticos mais sutis em nosso organismo material.

A Umbanda possui, portanto, seu conjunto de símbolos e sua grafia sagrada, denominada Lei de Pemba, e não precisa recorrer às simbologias de outras origens, podendo compor assim, seus próprios símbolos ou talismãs.

Na magia dos talismãs, o homem está relacionado ao Pentagrama, a estrela de cinco pontas que possui polaridade dupla: uma ponta ponta para cima (positivo) e a outra para baixo (negativa).

O pentagrama é um símbolo universal, representativo da raça humana –
é o ponto de junção entre o material e o imaterial.

Fonte: Matéria retirada da Revista Espírita de Umbanda ed. 6
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O Aeróbus na Terra e a volitação no Mundo Espiritual

Foi publicada em 2009 uma reportagem sobre uma versão ainda mais eficiente do trem bala, onde se lia: “Pode parecer coisa de filme de ficção, mas é o mais novo e revolucionário projeto do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), no Rio de Janeiro. Engenheiros e projetistas do INT já começaram a trabalhar na fabricação do primeiro protótipo de trem urbano de levitação magnética. Batizado de Maglev Cobra, ele foi concebido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Aos especialistas do INT coube desenhar o trem e montar a carroceria desse revolucionário e ecologicamente correto meio de transporte do futuro próximo.O trem se locomoverá “flutuando” sobre os trilhos, num sistema semelhante ao que acontece quando tentamos aproximar as extremidades opostas de dois ímãs: elas se repelem. A propulsão do Maglev, que terá capacidade para 28 passageiros, será feita por meio de forças magnéticas atrativas e repulsivas, ativadas por supercondutores. O moderníssimo trem flutuante viajará a uma velocidade máxima de 30 Km/h. Pode parecer pouco, mas é um belíssimo início para um projeto tão ousado.”

Embora a idéia já seja conhecida desde a década de 60, há muito tempo já funcionando no Japão e mais recentemente na Europa, parece-nos que esta versão atual de Maglev, com adaptação no Brasil e chamando-se Magleve Cobra aproxima-se bastante do aerobus que é descrito pelos espíritos em vários livros psicografados.

A versão terrena, de acordo com os engenheiros da UFRJ, necessita de nitrogênio liquido para induzir a formação de energia eletromagnética, reagindo em uma placa de cerâmica supercondutora, que ao ser resfriada com nitrogênio líquido, produz o efeito de levitação sobre um imã de neodímio - um imã feito a partir de uma composição dos elementos químicos Neodímio (Nd), Ferro (Fe) e Boro(B). É um projeto que economizaria combustível, e principalmente não é poluente.

Na Colônia “Nosso Lar”, escrito em 1943, já André Luiz explicava sobre a utilização do aerobus como veículo dentro da colônia, e tambem nos espaços externos para outros locais, e mesmo no umbral, sendo que ele viveu esta experiência em 1930.



No mapa acima observa-se as construções principais, que são o Prédio da Governadoria ao centro, e os seis (6) Ministérios; sendo que os Ministérios de Regeneração, Auxílio, Comunicação e Esclarecimento estão ligados às atividades da esfera terrestre e os Ministérios de União Divina e Elevação estão ligadas ás Hierarquias Planetárias Superiores.

Da Governadoria, este Aerobus vai parando, de 3 em 3 Km, na alta velocidade que falamos acima, e leva 40 minutos até o Parque das Águas.

Voltando ao aeróbus, a descrição que nos chega é de um carro suspenso do solo a uma altura de cinco metros, do tipo funicular, em que o sistema de tração é por meio de cabos, como os teleféricos. Constituído de material muito flexível, é bem grande e parece ligado a fios invisíveis. Muito veloz, constituía-se o meio de locomoção mais usado na colônia “ Nosso Lar”.

A grande diferença entre o aerobus do mundo espiritual e o que do nosso planeta, é o combustível. Do lado de lá, quem o move é o fluido vital, que faz parte da energia cósmica que permeia todo o Universo.

Para entender o que é fluido vital, vamos refletir numa afirmação:” A diferença entre uma árvore viva e um pedaço de madeira é justamente a presença do fluido vital na primeira e sua ausência na segunda.” Podemos utilizá-lo como veículo curativo, nas sessões espíritas e umbandistas onde há mediuns de cura, ou quando a Espiritualidade precisa que emanemos esse fluido ou energia vital através da concentração e da prece e os Espíritos Superiores captam e armazenam esta energia, e isso de modo algum pode ser considerado obssessão ou vampirismo, é uma situação de verdadeira e pura Caridade e Amor.

O fluido vital tambem é abundante na Natureza virgem, nas plantas e nas correntes de agua. Daí a necessidade de cada um despertar para proteger cada vez mais a Natureza, como nossos índios outrora respeitavam e zelavam.

No livro “Senhores da Escuridão”, de Robson Pinheiro, o autor espiritual relata sobre a presença do guardião Jamar, que tal como acontece na Umbanda, podemos compará-lo a um Exu Guardião de Lei, espírito com competência ehabilidade necessária para adentrar e sair incólume nas regiões trevosas, ciceroneando caravanas de grupos em missão de resgate, caravanas estas compostas de espíritos desencarnados aptos para estas incursões e tambem espíritos encarnados desdobrados, engajados na luta contra o Mal, necessários muitas vezes para a necessária doação ectoplasmática, que é outra forma diferenciada de fluido vital, muitas vezes para formar imagens holográficas que assustem os trevosos, se necessário, ou formem ideações materializadas de entes queridos de criaturas que já nenhuma esperança de resgate possuem, mas que através deste artifício em nome do Bem, conseguem se reconectar com a Luz e a Realidade, e iniciam seus passos no resgate necessário.

Embora na Umbanda a literatura não comente sobre a existência de aerobus, e sim sobre volitação, na verdade esta tecnologia da dimensão espiritual é uma economia energética, de forma que os espíritos encarnados em missão, possam se preservar mais e desgastarem-se menos.

A partir destas reflexões tambem podemos observar os fundamentos de nossos caboclos e pretos velhos quando “economizam “ a energia do médium utilizando o poder das ervas e da fumaça. Da mesma forma, tem sentido o aconselhamento para que o médium sempre se resguarde de pensamentos menosbons, de freqeuntar locais de energias pesadas, e se preparar com a prece e banhos antes de ir para as giras.

Também cientes que podem ser úteis durante o sono, devem se deitar respeitando a boa alimentação, procurar superar os percalços do dia, não guardando mágoas, ressentimentos, e entregando À Deus e aos Guias as suas preocupações, para que possa ser um instrumento útil da espiritualidade quando sair de seu estado de vigília física e reingressar pelo sono no Mundo Maior.

Sobre a volitação, trata-se da capacidade que o espírito tem, em certo nível de adiantamento, de se transportar para onde desejar, sempre sob a ação e o impulso da sua vontade e inteligência.

Em “Obreiros da Vida Eterna”, psicografado por Chico Xavier, ditado pelo espírito André Luis, mostra o domínio do espírito já instruído e habituado ao ambiente espiritual, da facilidade de volitar. Diz ele: ”Utilizávamos a volitação, prazerosos e felizes. Muito difícil descrever a sensação de leveza e alegria inerente a semelhante estado, após a permanência na escura região de que precedíamos. Fala-se, muitas vezes entre os encarnados, na possibilidade da criação do aparelho de vôo individual; todavia, ainda que se efetive a nova conquista, o peso do corpo físico, os cuidados exigidos pela máquina de propulsão e os riscos de viagem não podem, de modo algum, substituir a segurança e a tranqüilidade que nos enchem de tamanho bem-estar. Após a excursão normal, entre a Casa Transitória de Fabiano e a Crosta Terrestre, dentro de harmoniosas condições conservávamo-nos descansados e bem dispostos, operando muito facilmente a volitação, não obstante a densidade atmosférica.”

Quando nos referimos aos trabalhos mediúnicos nos terreiros de Umbanda, espíritos evoluídos da egrégora da casa têm permissão de levar os espíritos dos médiuns desdobrados, ajudando-os atraves de sua própria capacidade de volitação a chegarem espiritualmente aos locais de auxíluio. Ou são os guias do médium, que capacitados para tal, cumprem sua missão de Paz e Caridade deslocando-se para a moradia do consulente, seu local de trabalho, enfim, para os locais onde sua ajuda é solicitada.

Em relação às grandes descobertas de nosso planeta, contam os espíritos que sempre foram forjadas primeiramente nas colônias espirituais e depois se materializaram aqui. Infelizmente muitas idealizações são levadas a cabo e materializadas, mas não são obra dos agentes da Luz, mas sim os das sombras, trazendo discórdia e tristezas. Mas nenhuma folha cai sem o Pai estar atento. Se tais coisas ocorrem, é porque precisamos passar por tudo isso em noso necessário processo evolutivo. A dor, é poderosa Mestra, e assim, entre sofrimentos, idéias e sentimentos, a Humanidade vai caminhando e refletindo o lado de lá. Os mais descrentes, ao sair da ignorância, tem de admitir, mesmo com todo o Progresso, que algo ocorre além da limitada matéria.


Alex de Oxóssi
Rio Bonito - RJ



Fontes consultadas:

http://web.prover.com.br/nominato/9.htm
http://www.maglevcobra.com.br/2009/08/o-incrivel-trem-flutuante/
Pinheiro, R. Senhores da Escuridão. Pelo espírito Angelo Inácio. Editora Casa dos Espiritos, 2008
Xavier, F.C. Nosso Lar, pelo espírito André Luis.cap. 10, pp. 59 e 60.
Xavier, F.C. Obreiros da Vida Eterna, pelo espírito André Luis. Disponível em 7/7/2011 : http://www.institutochicoxavier.com/blog/?p=635
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LUZ E SOMBRA

Compara-se muito a Luz e a Escuridão, e sabe-se que a Escuridão é uma condição onde a Luz ainda não alcançou.

Se formos refletir no plano Espiritual, para alguém ser um espírito de Luz não significa andar somente na Luz. Pelo contrário, sua nobreza é ressaltada quando ele escolhe andar na escuridão, onde se desloca sem dificuldade, cumprindo seu caminho, que junto com todos os espíritos despertos age como a Flor de lótus, que é capaz de florir mesmo nos pântanos mais densos e poluídos.

A escuridão representa o limite extremo de um longo trajeto que a Luz faz em elipse até se esgotar. Quem estaciona nas regiões escuras sem ter alcançado livre acesso a outros planos, em algum momento perceberá quando uma pequena Luz o guia para caminhar. O espírito era simples ao ser criado.

À medida que sofre provas e experiências, vai evoluindo ou estaciona e vai marcando seu trajeto de Luz ou Escuridão.

Cada aspecto vai conquistando seu status luminoso, quanto mais luz, mais facilmente pode transitar em qualquer lugar, inclusive na escuridão, aonde certamente irá para resgatar e ensinar.

Já a Sombra, trata-se de outra coisa, cada um carrega sua sombra, independentemente de suas conquistas na Luz.

Basta prestar um pouco de atenção e se constatará que toda pessoa está acompanhada de sua sombra.

A sombra percorre silenciosa e pelo chão, rastejante, todo o trajeto de seu “proprietário”. Mental e emocionalmente, sabemos quem não somos sempre brilhantes e perfeitos, embora nossos esforços. A sombra é a contrapartida, é o lado obscuro que pode tomar conta de nossas atitudes.

Todos devem lembrar-se da história de Peter Pan, que perdeu sua sombra, mas fez de tudo para obtê-la de volta. Para haver autoconhecimento, é necessário assumir a sombra que cada um tem em si.

Há um termo que fala da “noite escura da alma”, quando alguém é colocado frente a frente com seus resgates e a sombra assim é ressaltada, a pessoa é colocada a prova, na verdade é o momento onde a sombra de cada um se descortina. E é o momento que aquele buscador deve decidir qual parte de si comandará seu destino: a Luz ou a Sombra.

Essas vivências não ocorrem com qualquer um.

Somente com aqueles que sabem que a trajetória terrena é uma oportunidade de aprendizagem única, de experiências que não se repetirá, tal como a água nunca banha duas vezes o mesmo leito, nem que o sol se levantará da mesma forma a cada madrugada.

Não são melhores ou piores, mas quem assim compreende pode ser considerado um iniciado. Na magia cósmica que transmuta incessantemente, movimento perpétuo aonde Luz e Sombra, em infinitas gradações vão permeando e impedindo que a escuridão prevaleça.

Parece história, romance ficcional, série de TV de sucesso, mas faz parte da realidade que quem sabe que o homem é dual, espírito e matéria, contracenando com Tempo, Espaço e Energia.


Alex de Oxóssi

Rio Bonito - RJ
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Umbanda, Umbanda...



Por Fernando Sepe

Dos braços da Piedade
a Umbanda nasceu
E nas palavras de
Pai Antonio se anunciou.
Amor e caridade o
povo finalmente entendeu,
Quando o amigo
Sete Encruzilhadas se manifestou.


Não mais o negro será afastado,
Nem o índio proibido de seu recado dar.
O baiano virará a noite
dançando abraçado
Enquanto a Moça sorri a bailar.


Com os mais evoluídos aprenderemos
E suas palavras serão bálsamos
para a dor,
Aos menos evoluídos ensinaremos
Mas a nenhum renegaremos amor.


Umbanda, Umbanda...
Menina dos olhos de Oxalá!
Umbanda, Umbanda...
Filha querida da Pietá!


Em solo brasileiro, nasceu a filha dileta dos Orixás, a Umbanda.
Hoje muitos a conhecem, ela se espalhou, cresceu, multiplicou-se...
A mensagem dos caboclos e pretos-velhos se expandiu, chegando ao coração daqueles que silenciosamente se sentaram para ouvir suas histórias. Pontos cantados ressoam por todos os lados e as velas colorem o brilho da noite, nos simples e aconchegantes terreiros espalhados pelo Brasil a fora...
Mas poucos são aqueles que conhecem a real história da Umbanda. Poucos entendem ou viram o desabrochar dessa linda flor... Talvez, não porque nunca se interessaram, mas sim, apenas pela singela forma como a Umbanda floresceu.


As grandes almas desse mundo passaram e passarão no anonimato. Sem alardes, sem fama, sem multidões a segui-los. Homens e mulheres, que silenciosamente trabalharam por uma vida inteira, levando o estandarte da espiritualidade e do divino dentro do peito, semeando e espalhando valores elevados de consciência.
Rostos que se misturaram na multidão, mas que por onde passaram foram luz na vida do semelhante. Filhos do altíssimo, bondosos como a primavera, sempre fazendo e levando o bem aos quatros cantos desse Universo. Pessoas despertas para o Espírito Crístico...


O nascedouro da Umbanda se mescla com essas grandes almas. Algumas vivendo do lado invisível da vida, outras, trabalhando na matéria, mas todas, congregadas na luz de Oxalá. É delas a Umbanda, a Umbanda foi feita por elas.


Essas almas que nunca cobraram por caridade, nem mesmo esperaram receber algo, mas que sempre sorrirão de contentamento íntimo ao poder ajudar e esclarecer um pouco o próximo. Esses pequenos gigantes de espírito, a lutar contra a intolerância e o preconceito. Esses simples “cavalos”, que a ninguém renega, mas a todos dão oportunidade de se manifestarem. Esse lindo exército de “Zés”, “Antônios”, “Joãos” e “Marias”...


A Umbanda foi feita assim.
A Umbanda é assim!


Esses amados caboclos e pretos-velhos, esses amados “paizinhos” e “mãezinhas”, sempre a levarem para frente o sonho da Umbanda, são como as flores de inverno, flores raras. Brotam solitárias no frio dos tempos, tornam-se forte com as tormentas. Nem todos as vêem, poucos as conhecem, mas existe algo nelas. Uma Presença, uma Benção, uma Luz...


Muitas foram as mãos semeadoras
Que ajudaram a Umbanda florescer,
Mas a história do menino Zélio é encantadora
Todos deveriam conhecer!


Não por ego, não por idolatria, mas por respeito,
Àquele que na Umbanda foi o primeiro.
E junto do “Chefe” abriu o caminho estreito,
Por onde outros passariam,
muitas vezes esquecendo o pioneiro...


Por isso, a ele esse texto é dedicado
Assim como toda essa poesia juvenil.
Uma forma de dizer muito obrigado
Por seu trabalho tão pueril!


Umbanda, Umbanda...
Menina dos olhos de Oxalá!
Umbanda, Umbanda...
Filha querida da Pietá!


* Texto dedicado ao Caboclo das Sete Encruzilhadas e a seu médium, Zélio Fernandino de Moraes, espíritos bondosos e amorosos, flores raras e silenciosas, a quem a humanidade tanto deve...

PS: Queria deixar aqui meu agradecimento e manifestar minha alegria de poder ter participado, junto do meu amigo Alexandre Cumino, da festa de Pai Antônio, dia 17 de Junho de 2006, na Tenda dirigida por Zilméia de Moraes da Cunha e sua filha Lygia Cunha (Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade e Cabana de Pai Antônio), respectivamente filha e neta de Zélio de Moraes. Sem dúvida uma experiência muito bela e marcante. Foi lá, que, observando os trabalhos, tive essas idéias que aqui escrevi. Enquanto via os pretos-velhos trabalhando, pensava o quão silencioso era aquele trabalho, como era simples e discreto. Mas sabia, por intuição, que todas aquelas palavras de sabedoria, todo aquele sentimento amoroso e pensamento virtuoso vibrado durante a sessão, não apenas abençoariam as pessoas presentes, mas também, viajariam nas ondas de compaixão dos Orixás e abençoariam a humanidade toda. A todo esse povo de Aruanda, que trabalha, trabalha e trabalha incansavelmente nos “bastidores espirituais”, o nosso respeitoso muito obrigado!

Fonte: Blog Jornal Umbanda Sagrada
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SALVE XANGÔ!



Acostumamo-nos a definir Xangô como o Orixá da Justiça. Este conceito sempre nos pareceu bastante limitado, pois se ateria basicamente à resolução das injustiças.

Encontramos outra definição: “XANGÔ É O SER EXISTENTE que coordena toda a Lei Karmânica; é ainda, o Dirigente das Almas, o Senhor da Balança Universal, que afere nosso estado espiritual.” Tal definição nos trouxe também estranhamento, pois não vemos Xangô como Ser, mas como uma das Forças do contexto cósmico. Aceitamos que ele tem relação com a Lei cármica, embora se considere que o carma é colhido pelo que semeamos e pode ser compensado, através de atos regenerativos, mas não suprimido, mesmo por ordens superiores. Cada um tem que responder pelo que semeou.

Quanto ao epíteto de Dirigente das Almas, devemos nos aprofundar mais, pois pelo que se sabe, o Reino das Almas pertence ao Sr. Omulu e por outro lado aprende-se que Xangô tem aversão à morte, embora ligado à Iansã, que tem forte ligação com mesma.

É necessário um estudo mais aprofundado sobre estas observações. Afirmam alguns que o filho de Xangô não suporta a aproximação de eguns. Como poderia então um, filho de Xangô trabalhar num terreiro, se mesmo suas mais evoluídas entidades são, na verdade eguns? Sendo uma forma de evolução o médium trabalhar para a caridade, e nisto reside muitas vezes participar junto à Espiritualidade Superior, de trabalhos de desobssessão, seria um entrave ao desenvolvimento mediúnico de um filho de Xangô. Temos então de nos aprofundar nos estudos para compreender mais estas argumentações, para podermos discutir baseados em fundamentos.

Foi observado que a interação entre Omulu e Xangô é uma realidade, ao contrário do que se pensa, se considerarmos as qualidades de Xangô Abomi e Xangô Aganju, que são representantes de Xangô na Linha das Almas. DE autor desconhecido, tiramos um parágrafo que nos pareceu muito coerente sob este aspecto: “Alguns médiuns têm em sua coroa a vibração de mais de um Orixá e podem ter fortemente Xangô (Pai de cabeça), porém traços de Omulu. Dessa forma, pode, por exemplo, ter seu Caboclo vibrando na linha de Xangô e seu Preto Velho na linha de Omulu.”

Enquanto meditamos, vamos refletir sobre o conhecido ponto abaixo:


“Ele é Xangô das Almas
ele é feito nas Almas
Ele é Xangô das Almas
ele é feito nas AlmasOh Almas, oh minhas almas
seu Agodô que venha nos valer
Oh Almas, oh minhas almas
seu Agodô que venha nos valer’


E quanto a ser Senhor da Balança Universal que afere nosso estado espiritual, pesquisando mais um pouco, podemos observar que o anjo São Miguel, conhecido por ser o portador da balança, é conhecido como o arcanjo tutor de Xangô. São Miguel Arcanjo se eternizou na epopéia onde enfrenta Lúcifer, que narra a queda dos espíritos do reino virginal (mas isto é uma outra história...)

Já Pai Rubens Saraceni mostra uma visão muito interessante. Pois ele coloca Xangô como aquele que administra o equilíbrio cósmico. Ele tanto é o ponto de equilíbrio que dá sustentação à estrutura atômica de um átomo, como é a força que dá estabilidade ao Universo e a tudo o que nele existe, seja animado ou inanimado. Ele possui e doa uma qualidade equilibradora, que faculta ao homem equilíbrio, juízo, racionalidade.

Explica-nos ainda o Pai Rubens: “Observem que o equilíbrio proporcionado por Xangô não se limita só a um aspecto de nossa vida, já que ele, enquanto qualidade equilibradora, está em todos. Xangô é o Trono de Deus gerador e irradiador do fator equilibrador, mas o limitamos quando deixamos de recorrer a ele para ajudar-nos em todos os aspectos e só o fazemos para anular demanda ou impor a Justiça Divina na vida dos seres desequilibrados.”

No entanto, o aspecto da Justiça não deve ser nunca esquecido, lembrando que tudo tem seu polo positivo e seu polo negativo. É sobre esta linha de força espiritual que se agrupam todos os espíritos que coordenam a lei de causa e efeito, decorrente da lei cármica como alicerce do mundo, e se manifestam na forma de caboclos, pretos velhos, boiadeiros, entre outros. O polo negativo do cumprimento da justiça de Xangô pertence ao legado dos Exus e Pomba Giras de Lei.

Na linha da Justiça, Xangô tem conexão com Iansã. lansã é seu aspecto móvel e Xangô é seu aspecto assentado ou imutável, pois ela atua na transformação dos seres através de seus magnetismos negativos. lansã aplica a Lei nos campos da Justiça e é extremamente ativa. Uma de suas atribuições é colher os seres fora-da-Lei e, com um de seus magnetismos, alterar todo o seu emocional, mental e consciência, para, só então, redirecioná-lo numa outra linha de evolução, que o aquietará e facilitará sua caminhada pela linha reta da evolução.

Na pedreira, com Iansã, Xangô nos traz o arrojo, a determinação, a fortaleza, a segurança, a firmeza e a sustentação. Na cachoeira, junto com Oxum, nos purifica, nos energiza, nos dá vida, vigor, saúde e inteligência.

Os Setes Chefes de Legião da Vibração Espiritual de Xangô:


• Caboclo Xangô Pedra-Branca (intermediário para Oxalá)
• Caboclo Xangô Agodô (intermediário para Oxossi)
• Caboclo Xangô Sete Montanhas (intermediário para Ogum)
• Caboclo Xangô Sete Cachoeiras (intermediário para Yori)
• Caboclo Xangô Pedra-Preta (intermediário para Yorimá)
• Caboclo Xangô Sete Pedreiras (intermediário para Yemanjá)

Na Umbanda Carismática há outros atributos ramificados de Xangô:






XANGÔ KAÔ - É o principal e mais cultuado como dirigente desta linha. Também conhecido como Xangô Velho. Vibra na cor marrom escuro, simbolizando a pedra antiga na qual foi assentada a justiça, evidenciando a sabedoria. Ele atua na pedreira sobre a qual está assentado o campo florido que recebe as obrigações de Oxalá.

XANGÔ ALAFIM - ECHÊ - Esta legião trabalha nas pedras solitárias dos caminhos ou das matas que servem de assento a viajantes ou caçadores cansados, como que os convidando à meditação que leva à sabedoria na busca de soluções para os impasses da vida. Suas vibrações auxiliam oradores, intelectuais, juristas e juízes, pois defendem integralmente a pureza moral. Suas oferendas são realizadas nas pedras solitárias.

XANGÔ ALUFAM - Esta legião trabalha nas pedras dos rios, dos mares, cachoeiras, lagos e fontes. Xangô Alufam é considerado o protetor dos pescadores e responsável pela diretriz dos desencarnados, pois possuem as chaves do céu, simbolizando a água e a pedra. Suas oferendas são realizadas em todas as pedras que estejam em contato com a água.

XANGÔ AGODÔ - Legião dos caboclos que trabalham nas pedras e que estão dentro dos rios, nos seixos rolados, nas pedras iniciáticas e na pedra batismal. Suas oferendas são realizadas nas pedras dos rios.

XANGÔ AGANJÚ - Esta legião trabalha na pedra da cachoeira, simbolizando a harmonia entre o amor e a justiça. Ou entre a esposa Oxum e o marido Xangô, ou ainda a harmonia conjugal, que abençoa a família. Suas oferendas são realizadas na pedra da cachoeira, incluindo uma vela azul escuro ou rosa para Oxum.

XANGÔ ABOMI - É a legião de caboclos que trabalham nas montanhas de pedra ou cadeias de montanhas interligadas, serras, etc. Sua força é muito solicitada nas horas de aflição, quando se perde algo, além de proteger o casamento. Quando se pede a proteção para o casamento, assenta-se uma vela azul claro oferecida a Yemanjá.

XANGO DJACUTÁ - É a legião mais conhecida como a do Deus Trovão e Senhor dos Raios, Coriscos e Meteoritos. Djacutá também significa pedra. É o comandante dos caboclos que trabalham na pedra do raio, simbolizando a justiça que vem do alto, ou seja, a justiça cósmica que vem do Deus Criador. Sua força é muito solicitada nas horas de aflição causadas por injustiças provocadas por outras pessoas, assentando-se uma vela branca oferecida ao Orixá Tempo

E os caboclos de Xangô são entidades que trabalham nas numerosas falanges, algumas delas representadas pelos nomes abaixo:

Araúna, Caboclo do Sol, Cajá, Caramuru, Cobra Coral, Girassol, Goitacaz, Guará, Guaraná, Janguar, Juparã, Mirim, Sete Cachoeiras, Sete Caminhos, Sete Estrelas, Sete Luas, Sete Montanhas, Sete Pedreiras, Tupi, Treme Terra, Sultão das Matas, Pedra Preta, Cachoeirinha, Urubatão, Urubatão da Guia, Ubiratan, etc.

Encontramos no blog do Templo Umbandista Estrela Dourada as seguintes informações:

SÃO AS SEGUINTES AS FALANGES DE XANGÔ:

1. Falange de Iansã – chefiada por Santa Bárbara

2. Falange do Caboclo do Sol e da Lua – chefiada pela mesma entidade

3. Falange do Caboclo dos Ventos – chefiada pela mesma entidade

4. Falange do Caboclo das Cachoeiras – chefiada pela mesma entidade

5. Falange do Caboclo Treme-Terra – chefiada pela mesma entidade

6. Falange do Caboclo da Pedra Branca – chefiada pela mesma entidade

7. Falange dos Pretos Velhos – chefiada por Quenguelê.

SÃO AS SEGUINTES AS LEGIÕES DE XANGÔ:

1.Legião do Caboclo Ventania

2.Legião do Caboclo das Cachoeiras

3.Legião do Caboclo 7 Montanhas

4.Legião do Caboclo Pedra Branca

5.Legião do Caboclo Cobra Coral

6. Povo de Quenguelê

Os Caboclos de Xangô se entrosam no Corpo Astral de maneira semibrusca, refletindo-se em arrancos no físico; suas vibrações atingem logo o consciente do aparelho (médium), forçando-o do tórax a cabeça, em movimentos de meia rotação e pela insuflação de suas veias do pescoço, com aceleração pronunciada do ritmo cardíaco, na respiração ofegante, até normalizarem seu domínio físico.

Emitem não um urro histérico alucinado que traduzem como “KA-Ô”, acentuando as sílabas, e sim uma espécie de som silvado, da garganta para os lábios, que parece externar o ruído de uma cachoeira ou de um surdo trovejar… Não gostam de falar muito.

Seus pontos cantados são sérias invocações, de imagens fortes e podem ser cantados em vozes baixas.

Seus pontos de pemba ou sinais riscados fixam o mistério da Flecha, Chave e da Raiz.
No norte do Brasil diversos cultos que atendem pelo nome de Xangô. No Nordeste, mais especificamente em Pernambuco e Alagoas, a prática do candomblé recebeu o nome genérico de Xangô, talvez porque naquelas regiões existissem muitos filhos de Xangô entre os negros que vieram trazidos de África. Na mesma linha de uso impróprio, pode-se encontrar a expressão Xangô de Caboclo, que se refere obviamente ao que chamamos de Candomblé de Caboclo.

Na África, se uma casa é atingida por um raio, o seu proprietário paga altas multas aos sacerdotes de Xangô, pois se considera que ele incorreu na cólera do Deus. Logo depois os sacerdotes vão revirar os escombros e cavar o solo em busca das pedras-de-raio formadas pelo relâmpago. Pois seu axé está concentrado genericamente nas pedras, mas, principalmente naquelas resultantes da destruição provocada pelos raios, sendo o Meteorito é seu axé máximo.

OS FILHOS DE XANGÔ


Xangô, o Deus da Justiça, Senhor das pedreiras, exerce uma influência muito forte em seu filho. Todos os Orixás,
evidentemente, são justos, e transmitem este sentimento aos seus filhos. Entretanto, em Xangô, a Justiça deixa de ser uma virtude, para passar uma obsessão, o que faz de seu filho um sofredor, principalmente porque o parâmetro da Justiça é o seu julgamento, e não o da Justiça Divina, quase sempre diferente do nosso, muito terra. Esta análise é muito importante.

O filho de Xangô apresenta um tipo firme, enérgico, seguro e absolutamente austero. Sua fisionomia, mesmo a jovem, apresenta uma velhice precoce, sem lhe tirar, em absoluto, a beleza ou a alegria. Tem comportamento medido. É incapaz de dar um passo maior que a perna e todas as suas atitudes e resoluções baseiam-se na segurança e chão firme que gosta de pisar. É tímido no contato, mas assume facilmente o poder do mando.



É eterno conselheiro, e não gosta de ser contrariado, podendo facilmente sair da serenidade para a violência, mas tudo medido, calculado e esquematizado. Acalma-se com a mesma facilidade quando sua opinião é aceita. Não guarda rancor. A discrição faz de seus vestuários um modelo tradicional.

Quando o filho de Xangô consegue equilibrar o seu senso de Justiça, transferindo o seu próprio julgamento para o Julgamento Divino, cuja sentença não nos é permitido conhecer, torna-se uma pessoa admirável.

Xangô é pesado, íntegro, indivisível, irremovível; com tudo isso, é evidente que um certo autoritarismo faça parte da sua figura e das lendas sobre suas determinações e desígnios, coisa que não é questionada pela maior parte de seus filhos, quando inquiridos.

Suas decisões são sempre consideradas sábias, ponderadas, hábeis e corretas. Ele é o Orixá que decide sobre o bem e o mal. Xangô é um Orixá de fogo, filho de Oxalá com Iemanjá. Há forte ligação de Xangô e as pedras, as pedreiras, o raio e o trovão.

O medo de cometer injustiças muitas vezes retarda suas decisões, o que, ao contrário de lhe prejudicar, só lhe traz benefícios. O grande defeito dele é julgar os outros. Se aprender a dominar esta característica, torna-se um legítimo representante do Homem Velho, Senhor da Justiça, Rei da Pedreira. Por falar em pedreira, adora colecionar pedras.

As pedras de Xangô:


Abaixo um estudo feito sobre as pedras que JASPE VERMELHA - Não é pedra ou vegetal, é um esqueleto remanescente de organismo marinho. Silencia as emoções, alivia as preocupações. O seu uso eleva as vibrações para melhor sintonia com a natureza e as forças criativas. Boa para qualquer problema ósseo, revigora coração e concentração. Energia: receptiva. Planeta: Vênus. Elemento: água, éter. Objetivo: cura, paz, sabedoria, sintonia com a natureza. Chacras: esplênico.

CORNALINA - Acalma a raiva, o ciúme, a inveja, o ódio e a depressão. Promove paz e harmonia. Boa para ser usada por pessoas que são envergonhadas e tímidas. Abre o chacra cardíaco. Energia: projetiva. Planeta: Sol. Signo: Leão. Elemento: fogo. Objetivo: proteção, coragem e paz. Chacras: esplênico, plexo solar.

CITRINO - É uma forma de quartzo. Boa para desintoxicar o intestino. Amplia o pensamento, pode ser usada na meditação para rejuvenescer o físico e eliminar formas tóxicas de pensamento. Tendências auto destrutivas como suicídio são substituídas por autoconfiança. Aumenta o contato com o seu Eu Superior e o alinhamento entre todos os corpos energéticos. Energia: projetiva. Planeta: Sol. Elemento: fogo. Objetivo: cura, comunicação, consciência psíquica. Chacras: esplênico, coronário.

ÁGATA DE FOGO - Cura principal: influência todo sistema endócrino. Estimula as células da memória. Racionaliza e conduz à harmonia. Energia: projetiva. Elemento: fogo.

OLHO DE TIGRE - Atrai pessoas solidárias e bens materiais. Centraliza energias e focaliza à mente e dá sorte.

CALCITA LARANJA - calcita laranja apresenta-se, usualmente, em cristais, ou em agregados de grânulos grossos ou finos. Trata-se de um carbono de cálcio. JASPE VERMELHA É um mineral comum e bastante disseminado na crosta da terra. Ocorre como massas rochosas sedimentares denominadas calcários sendo às vezes o único mineral presente nestas rochas. Seu nome provém da palavra latina Calx, significando cal queimada e sua cor laranja deve-se a inclusões de óxido de ferro.É a pedra da virilidade e correspondente ao segundo chakra.

A pedra de Xangô para estar viva, tem que estar com limo, lodosa, pois que seca ela morrerá, por essa razão, deve-se manter o OTÁ de Xangô, sempre imerso n'água, acrescentando sempre, não trocar a água.

EDUN ARÁ, A PEDRA-DO-RAIO

As pedras-do-raio – edun ará dos iorubanos – são fetiches de Xangô, imantados com a força da divindade.

Acredita-se que essa pedra-do-raio, também chamada pedra-de-santa-bárbara, cai do céu durante as tempestades, conduzida pelas faíscas elétricas, penetrando no chão a uma profundidade de sete braças e só subindo à superfície após sete anos.

Quem consegue encontrar uma dessas pedras terá em mãos talismã dos mais valiosos, que proporciona todas as venturas.

As pedras-do-raio são, na realidade, achados arqueológicos da era neolítica – machados, martelos e fragmentos de artefatos de pedra polida, aos quais se atribuía uma origem meteorológica.

Divindade dos meteoritos, na litolatria de Xangô, observou Nina Rodrigues, “se confundem os casos de adoração dos penhascos e grandes pedras dos campos e estradas”.


CARACTERÍSTICAS RELACIONADAS A XANGÔ




CorMarrom e Amarelo para Xangô Puro e Amarelo e Lilás para Xangô do Oriente
Fio de ContasMarrons e Amarelas para Xangô Puro e Amarelas e Lilases para Xangô do Oriente
ErvasSaião, Morangueiro, Musgo da Pedreira, Quebra Pedra, Elevante, Para raio, Saião
SímboloMachado de duas Laminas, o Oxé
Pontos da NaturezaPedreira
FloresPalmas Amarelas e Lilases, Monsenhor Amarelo, Monsenhor Lilás, Violetas Lilases e Saudades
EssênciasMelão e Lilás Para Xangô do Oriente, Morango Para Xangô Puro
PedrasAmetista Para Xangô do Oriente e Olho de Tigre Para Xangô Puro
MetalEstanho e Molibdênio
SaúdeFígado e vesícula
PlanetaJúpiter
Dia da SemanaQuarta-Feira
ElementoFogo
SaudaçãoKaô Cabecile (Opanixé ô Kaô)
BebidaCerveja Preta
AnimaisTartaruga, Carneiro
ComidasAgebô, Amalá
Data Comemorativa30 de Setembro
Sincretismo:São Judas Tadeu, São Jerônimo.




Fonte: Curso de Umbanda – As Sete Linhas- Sociedade Espiritualista Mata Verde

Os machados de duplo corte, que significam a alma em busca de equilíbrio são também o símbolo da imparcialidade; A balança que significa a justiça de Oxalá;

A estrela de seis pontas, associada com a sabedoria de Salomão e representando o equilíbrio entre o céu e a terra, a água e o fogo, o homem e a mulher, ou seja, representa o equilíbrio universal. Na representação dos pontos riscados, são usados três tipos de machados, como a seguir:



Oferendas para Xangô: velas brancas, vermelhas e marrom; cerveja escura, vinho tinto doce e licor de ambrósia; flores diversas, tudo depositado em uma cachoeira, montanha ou pedreira.

Xangô é sincretizado com as imagens de São Francisco de Assis, São Jerônimo, São João Batista e São Pedro.

Na Umbanda chamada de cruzada e no Candomblé, cultua-se Xangô-Airá, velho e alquebrado, veste-se de branco com barras vermelhas. Não come azeite, pois tem pacto com Oxalá. Identificado com São Pedro, forma cada vez mais rara nos candomblés.

Xangô de Ouro, um adolescente vestido de cores variadas, é São João Menino. Não “desce” mais, porque deixaram de ser encontradas as ervas necessárias, nos ritos de iniciação, para a “entrada na cabeça” desse orixá. Um Xangô banido pela destruição ecológica.

Xangô Ogodô dança com um ochê em cada mão e o próprio nome é referência ao machado duplo, pois ogodô significa “que corta dos dois lados”.

Em Recife cultuam dois Xangôs principais: Xangô-Velho, identificado com São Jerônimo, cuja festa é a 30 de setembro, e Xangô-Moço (Ani-Xangô), sincretizado com Saõ João e celebrado a 24 de junho. Dos seus símbolos e insígnias, o machado duplo ou “muleta” e o pilão são conservados no peji, de onde podem sair em determinados rituais. Jamais é retirado, no entanto, o”corisco” ou itá ou otá (pedra-do-raio), que permanece guardado num alguidar (oberá). Xangô é tão popular em Pernambuco, que o nome passou a designar terreiros e, ainda mais extensamente, todas as seitas afro-brasileiras.

Entre as várias formas de Xangô citam Xangô Dadá, em Porto Alegre identificado com São João Batista e que no seu dia, 24 de junho, não “baixa” porque, com a queima de fogos que o festejam, ele iria incendiar o mundo.

Cozinha ritualística



Caruru

Afervente o camarão seco, descasque-o e passe na máquina de moer. Descasque o amendoim torrado, o alho e a cebola e passe também na máquina de moer. Misture todos esses ingredientes moídos e refogue-os no dendê, até que comecem a dourar. Junte os quiabos lavados, secos e cortados em rodelinhas bem finas. Misture com uma colher de pau e junte um pouco de água e de dendê em quantidade bastante para cozinhar o quiabo. Se precisar, ponha mais água e dendê enquanto cozinha. Prove e tempere com sal a gosto.
Mexa o caruru com colher de pau durante todo o tempo que cozinha. Quando o quiabo estiver cozido, junte os camarões frescos cozidos e o peixe frito (este em lascas grandes), dê mais uma fervura e sirva, bem quente.

Agebô

Corte os quiabos em rodelas bem fininhas em uma Gamela, e vá batendo eles como se estivesse ajuntando eles com as mãos, até que crie uma liga bem Homogênea.

Rabada

Cozinhe a rabada com cebola e dendê. Em uma panela separada faça um refogado de cebola dendê, separe 12 quiabos e corte o restante em rodelas bem tirinhas,
junte a rabada cozida. Com o fubá, faça uma polenta e com ela forre uma gamela, coloque o refogado e enfeite com os 12 quiabos enfiando-os no amalá de cabeça para baixo.


Xangô divide com Iansã a Machada da Justiça. Vejam o ponto:



Raio da manhã, vai e clareia.
Quando o sol levanta para clarear,
seus raios refletem a coroa de Oyá.


E rasgando o céu, trovão serpenteia,
Pra saudar o rei de todas as pedreiras.
Pra saudar o rei de todas as pedreiras.


Eparrei Iansã, Eparrei Oyá,
Caô cabecilê caô Xangô


Força da machada faz o julgamento
Corta a injustica com seu barra vento
Xangô manda na razão, Iansã nos sentimentos.
Xangô manda na razão, Iansã nos sentimentos.


Eparrei Yansã, Eparrei Oyá,
Caô cabecilê caô Xangô.


Guardião da paz, Xangô justiceiro.
Explendo de luz, Iansã guerreira.
É Xangô que traz as pedras, Iansã as corredeiras.
É Xangô que traz as pedras, Iansã as corredeiras.




Ervas de Xangô





Alex de Oxóssi
Rio Bonito - RJ


FONTES DE PESQUISA:

http://xango.sites.uol.com.br/orixas.html
http://thiagobertozzi.blogspot.com/2011/03/xango.html
http://www.angelfire.com/de2/umbanda/xango.html
http://www.ogumhorusra.com.br/exibir_flagrante3.php?id=10
http://www.escoladeumbanda.kit.net/Xango.htm
http://umbandadejesus.blogspot.com/2010/06/pedras-de-xango.html
http://www.umbandacarismatica.org.br/xango.php
http://cethrio.vilabol.uol.com.br/modelos/arqs_orixas/arqs_orixas7.htm
http://tendadexango.blogspot.com/2008/03/linha-ou-vibrao-de-xang.html
http://temploumbandistaestreladourada.blogspot.com/2009/06/sarava-pai-xango_10.html

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