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Enquanto não adquirimos discernimento, como todos os Orixás com sua Bondade, Xangô vai nos ensinando, quebrando as mandingas, dia após dia, e às vezes as contendas são necessárias para valorizarmos a benção que ainda não vemos…Continue Lendo
A palavra “Resgate” em geral tem um significado triste. Tornou-se manchete de jornal, frente às desordens à ela relacionadas. Sequestros, quedas morais, vícios. Há muito o que se resgatar neste sentido, infelizmente.

Mas há resgates mais dignos, que remontam a cumprir metas que tiveram de ser interrompidas, reaver valores imateriais, remissões e recomeços, alcançar a liberdade.

É disto que vamos escrever. Do ponto de vista espiritual, cada um de nós está aqui para cumprir uma Lei Universal de causas e efeitos, onde frequentemente ocorrem dificuldades que na verdade assinalam lições que são lembretes do que temos ainda de aprender. Há um variado número de manifestações cármicas, que nada mais são que consequências de atos impensados de passado longínquo, ou ainda cometidos na presente encarnação. Algumas lições vêm mais rápidas para alguns que outros. Mas nunca se duvide que exista uma Justiça Maior, que não falha nunca.

A falsa impressão que muitos fazem barbaridades anos a fio impunemente, enquanto outros sofrem de forma contumaz, se explica pela qualidade e intensidade da percepção da própria inconsciência. As lições de nada valem para quem está cego e surdo, muito longe da compreensão. Embora há casos extremos, em que o indivíduo/espírito perde totalmente o direito de agir livremente, para proteção daqueles que se torna algoz, e de certa forma para a própria proteção, para que o abismo aterrador a que se dirige não se aprofunde mais. Não, não duvide que são as sombras mais profundas que aguardam aqueles que se esquecem da própria humanidade. Há um tempo para tudo, mas ele sempre chega....

O fato mais aprazível que acontece para aquele que vai alcançando seu resgate pessoal, é a perda do peso das muitas máscaras que às vezes coleciona. Á medida que vai atingindo uma ascensão, ocorre a libertação, enquanto o exercício de desapego e desprendimento vai se tornando cada vez mais necessário. Se de um lado se torna mais vulnerável à falta de fé, ignorância, ingratidão e indiferença ao seu redor, de outra vai ficando cada vez mais leve e ágil para caminhar de acordo com os princípios melhores que vai encontrando, com a Verdade, e em direção a encontros mais luminosos.

Este tipo de resgate traz a cura da alma, que se reflete também no físico, robustecendo-o. A mente sã, é guardiã de um corpo são. À medida que se avança neste caminho, vão desaparecendo os pensamentos depressivos, o vazio interior, as lacunas de memória, a falta de interesse, de motivação, a sensação de “maré de azar”. Não que os problemas, as pedras e as lições não ocorram mais, apenas, se tem um novo olhar, de compreensão e aceitação, de maneira que a mente mais tranquila consegue atingir uma resolução melhor dos mesmos, além de emitir uma corrente de harmonia que se forma com a ajuda das entidades invisíveis que estão sempre prontas a ajudar, desde que consigam estabelecer um contato vibracional adequado.

Os xamãs norte-americanos eram muito sábios. Eles acreditavam que podemos fragmentar a nossa alma, perdendo alguns pedaços no caminho. Inconscientemente começamos a buscar estes pedaços de alma, às cegas, e enquanto não as resgatamos, podemos atrair, ainda sem percebermos, as mesmas situações e acontecimentos traumáticos onde ocorreu esta perda. Até compreendermos que seguimos um padrão errado, e tomamos a decisão de modificar as nossas atitudes, alcançando a reconciliação, uma reunião das partes perdidas e empreendendo novamente o caminho, agora inteiros, o que preenche a sensação de vazio inexplicável que por vezes sentimos.

Um mergulho em nós mesmos, uma reavaliação apurada sobre a vida e suas dificuldades, nos dá uma visão melhor do que precisa ser mudado, resgatado, bastando apenas a coragem para sair do círculo vicioso de sofrimentos, e encarar os novos caminhos com determinação. Sem sermos determinados e arrojados, iremos apenas protelas tais resgates, que são como chaves da alma para portais mais elevados.

Alex Hudson
Rio Bonito – RJ
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POVO DE ARUANDA I, II e III(Clique na capa e será direcionado ao site)

Dividimos este conteúdo em 3 Volumes, mas você poderá adquiri-los em único volume com 370 páginas, a capa acima é do livro que contém os 3 volumes, mas você poderá comprar separadamente:
– Povo de Aruanda – Vol. I (clique)
Povo de Aruanda – Vol. II – Livro de Orações (clique)
– Povo de Aruanda – Vol. III (clique)
Ao tentar definir a palavra crueldade, me defrontei com sua amplitude. O que vem a ser crueldade? Será de um significado universal? E as diferentes compreensões, culturas, os infinitos níveis de consciência?
Crueldade na verdade, é tudo o que adoece a alma, escurece a ambiência de quem vive nela, tanto o causador como a vítima. Crueldade é doença mais grave que todas as doenças que andam grassando o mundo, e estas são a própria consequência de que algo não anda bem na atmosfera terrestre.
A crueldade contra o Planeta, gera a terra ressequida, as matas tombando em meio a fogo e devastação, gerando a agonia das nascentes e sofrimento das espécies.
A crueldade contra a humanidade é o desrespeito à própria espécie, é desmerecer as tradições de cada povo, a individualidade das culturas, é querer destruir a história dos povos e não permitir que o Progresso venha naturalmente em construções edificantes. É chamar de progresso condições que usurpam a simplicidade, a calma de viver, transformando as pessoas em autômatos indiferentes, cativos de ilusões de riquezas falsas, formando abismos que as afastam das verdadeiras causas pelo quais estão encarnadas.
É preciso fazer um esforço para identificar em si os pequenos sinais desta doença anímica, que vem em várias gradações, curando as raízes de pequenas crueldades, como a falta de cortesia diária, o perdão de pequenas ou grandes ofensas, não deixar enraizar plantas daninhas como a raiva, a vingança ou mesmo o vazio da alma. Sim, temos de fazer um esforço para nos construirmos a cada dia, pois o melhor remédio contra a crueldade do mundo é buscar a felicidade e a serenidade. A crueldade não vinga onde o Amor predomina, ela perde a força e é neutralizada.
Isto parece utopia, mas não é. Nas esferas superiores, os nossos amigos universais têm mais condições de sanar os efeitos devastadores da crueldade, quando em proximidade a pessoas que conseguem emitir de suas auras as forças curativas dos sentimentos doentios e deletérios. Desta forma, são antecipadas ações para que tragédias não aconteçam, e também propiciam condições de auxílio e resgate naqueles que são vítimas dela.
Temos de nos mobilizar para quebrar as cadeias do círculo vicioso da crueldade. Não alimentar sequer pensamentos do medo extremo, ou da sensibilidade paralisante, promover uma contrapartida firme e eficaz, não permitindo que a ressonância mórbida que os atos cruéis nos trazem, nos paralisem na reação voltada única e exclusivamente no resgate, no Bem em grau maior, mais forte, mais abrangente, até que cenários dantescos tenham sua metamorfose em jardins de flores, cores e belezas simples e puras.
Precisamos ter a insistência em transformar a dor em Resistência, o desânimo em Esperança, e a certeza, que na Fé e na crença que tudo pode mudar para melhor, termos a ajuda de Forças Superiores que um dia, nos levarão a um mundo melhor. Não foi à toa, que avatares com o próprio Jesus, disseram que um ato de Amor cobrirá milhões de pecados.
Então, não nos devemos abater nunca com o aparente caos que estamos vivendo, de cenas de guerra, doenças e milhões de acontecimentos diários que chegam até nós de maldades. Estas, são as visíveis, porque em geral o Bem é tímido e recatado, não chega ás primeiras páginas do jornal. O Bem embora poderoso, não costuma aparecer na mídia, nem fazer alarde por onde anda semeando.
O que realmente andamos precisando, é abandonar o papel confortável de expectadores, que acabamos por nos conformar, e cada um tornar-se de fato autor e ator da própria vida. Transformando-se de fato, não deixando os golpes transformarem-se em cicatrizes na alma. Sejamos fortes, menos suscetíveis, menos ególatras, não vamos permitir as sementes daninhas da crueldade, criarem força em nossos corações. Fora com o sentimento de dor constante, com as comparações de nossas vidas com a dos outros, vamos criar nosso próprio repertório de beleza, bondades, construções internas, gentilezas, códigos de respeito, moral e honra.
Não estamos aqui de passagem, e quando nos damos conta, vemos que a vida é um átimo. É muito curta, é muito célere, não temos tempo para patinar em desencontros, no que podia ser e não foi, ou em sonhos impossíveis. Vamos levedar o pão da Alma que o Mestre nos ofereceu, vamos elaborar o arcabouço de uma Vida Plena que poucos ainda conseguem entender ou alcançar, descobrir as possibilidades próprias que muitos não conseguem perceber, subutilizando o que Deus nos deu, apenas por desleixo, comodismo, imaturidade.
Viver plenamente dá muito trabalho, é um esforço hercúleo diário, para ao abrir os olhos pela manhã, ser apenas grato por mais um dia, e nas inúmeras oportunidades do dia, escolher aquelas que trazem gentileza, bem estar, contentamento, isto, passando muito longe das futilidades, da vulgaridade, do supérfluo. Pois esta disposição para a corrigenda íntima tem que ser verdadeira, o sorriso, não precisa estar nos lábios, mas nos olhos, nas mãos que amparam, e nos atos firmes, que não precisam se envergonhar ou se arrepender.
Que as nossas escolhas diárias sejam forjadas no Fogo que Ogum e Xangô nos oferecem, força sem rigidez, mas fluidez e determinação. Nas Águas Benditas que as Iabás manipulam, lavando a lama dos atos cruéis e doentios, dos sentimentos sórdidos e emoções rasas, que estas águas jorrem incessantemente em nossos corações, limpando, toda a ferrugem que o lado escuro tentar implantar nas engrenagens de nosso espírito ainda leviano. Que a força do Ar, vinda de Oxalá, de Iansã, e da Ibejada, seja como o oxigênio para as nossas mentes, clareando os pensamentos, regendo nossos atos, limpando cada recanto de nosso Ser, para que não haja poeira alguma, nenhuma sujeira na nossa percepção, que tudo fique muito claro e da mesma forma, não permitamos entrar qualquer bafejo de maldade ou desídia. Na força da Terra vinda de Omulu e Nanã, pela qual construímos e reconstruímos nosso arcabouço íntimo, curamos nossas feridas e prosseguimos em novos portais, e marcamos nossos passos indelevelmente pelos caminhos que escolhemos. Também da Terra virá o auxílio de Oxossi e dos Pretos Velhos, nos livrando de hábitos equivocados, de compreensões inexatas, de atitudes tíbias, da falsidade e dissimulações.
Não seremos atacamos pelo mal ou a crueldade se escolhermos ser fortes, se destruirmos nossos pontos fracos para que nossas estruturas não sejam abaladas. Para isso, temos que buscar sermos inabaláveis dentro do Bem, da Razão e da Magnanimidade, não nos enganarmos nem perseguir a perfeição, mas sermos Fortes, inabaláveis no propósito de sermos melhores, e não é apenas pela ascensão da própria alma. É que o mundo precisa de resistência, ele só vai melhorar quando houver predominância de seres conscientes e construtores de fato de uma Nova Era. Não se faz uma escada para se subir só, esta escada, quem sabe a antiga escada de Jacó, nos levará a patamares melhores, mas só de cada um se esforçar muito para merecer cada degrau que sobe, e aqueles que estiverem mais alto, providenciarem a segurança de quem ainda está começando.

Alex Hudson
Rio Bonito – RJ
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oxossi

Oxóssi, filho de Oxalá e Iemanjá, Orixá da caça, ao qual foi dado o comando e proteção das matas e tudo que nela está, as árvores, as flores e frutos, cada animal vivente, as águas.
Hoje, o culto de Oxóssi vive no coração do Brasil, pois em sua origem, na Mãe África, quase ninguém se lembra mais dele, onde chegou a ser rei no Keto, como traz o relato de Pierre Verger. Tal foi a destruição deste povo, no século XIX, pelas tropas de Daomé, que praticamente todos os filhos de Oxossi, seus representantes temporais na Terra e consagrados a este Orixá, foram vendidos como escravos no Brasil, Antilhas e Cuba. Oxóssi basicamente não é mais cultuado na África, mas é amplamente prestigiado no Brasil, pelos seus numerosos filhos encarnados.
Assim sendo, Oxóssi para nós é identificado com aquele que mais representa nossas matas, e nos terreiros, ele vem em terra através de seus falangeiros, com a vestimenta fluídica do índio, embora todos saibamos que podem ser espíritos do antigo Oriente, de médicos, cientistas e outros voltados à cura e à expansão do raciocínio, apresentando a aparência de indígena.
Alguns destes espíritos foram realmente índios, com a alma em evolução e que se dispõem a ajudar na linha da Umbanda, pela Fé e a Caridade. Alguns eram da mata virgem e intocada, e tem o comportamento mais rude, sendo chamados de bugres, não menos importantes e fortes na missão de sustentar os filhos do seu Orixá, e desfazer demandas e feitiços.
Oxossi é austeridade, é despojamento, é comportamento solitário na maior parte do tempo, seus falangeiros que chegam como caboclos, vêm auxiliar na caridade do dia a dia, sustentando os encarnados doentes de alma e corpo, restaurando-lhes a saúde e o equilíbrio. Eles ainda tem um importante papel nas giras de Umbanda, auxiliando no desenvolvimento mediúnico dos médiuns, nas curas e desobsessões, ajudam a trazer soluções para problemas psíquicos e materiais.
Utilizam instrumentos mágicos com os quais trabalham, que são os charutos, velas, ervas, água, flores e frutos, o estalar dos dedos, os assobios, que transmutam em energia para dispersar emanações pesadas e poluídas, vindas de doenças físicas, ou maus pensamentos dos assistentes, os quais vem pedir auxílio.
Se estivermos diante de uma mata, antes de entrar, devemos pedir licença aos espíritos ancestrais que ali vivem há muito tempo, assim como os elementais que ajudam a vivificá-la. No entanto, embora a Força de Oxóssi esteja presente, não estão ali todos os caboclos que se apresentam nas giras dos terreiros. Pois sendo espíritos de Luz, na verdade eles se situam nas Cidades Espirituais do Astral, ou em missão de acordo com os desígnios para fazer a Caridade onde quer que precisem ir.
Não devemos esquecer que foi um Caboclo, o Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas, através do médium Zélio de Moraes, que veio anunciar para nós, em 15 de novembro de 1908, aquela que é o refrigério, conforto e amparo para nossos corações, a Amada Umbanda. Talvez muita gente não saiba, mas antes dele, em 1893, um precursor do Caboclo das Sete Encruzilhadas, já se manifestava. Era o Caboclo Curuguçu, antigo mago negro que abandonou as práticas sombrias e conseguiu atingir a Luz. Por quinze anos se manifestou nos candomblés, batuques, cultos de nações e da jurema, em terreiros nagôs, gegês, Congo e Angola. Este caboclo veio com grande sacrifício, preparar o terreno para a chegada do Caboclo das Sete Encruzilhadas.
O Caboclo Curuguçu (ou Curugussu) afirmava ser da raça vermelha pura. Alguns consideram a raça vermelha (como os peles-vermelhas do continente norte-americano) descendentes dos antigos atlantes, e daí relacionados ao Planeta Capela, e demonstrou ter grande evolução espiritual. Mas isto é outra história, até porque o Cabolo Curuguçu vinha através da linha do Orixá Ogum, assim como o elevado espírito que se apresentava como Caboclo das Sete Encruzilhadas. Mas hoje estamos escrevendo sobre o Orixá Oxóssi, e vamos finalizando.
Vamos lembrar então do Caboclo Mirim, que trabalhou quase 60 anos junto ao médium Benjamim Figueiredo, representando a força de Oxóssi, com um trabalho ininterrupto de Caridade e Amor. A Tenda Mirim comportava até 2000 médiuns, e atualmente há várias filiais espalhadas, mantendo os preceitos designados pelo seu mentor.
Que a força de Oxóssi, que permeia a seiva das árvores, o aroma das flores, as sementes dos frutos, o canto dos pássaros, a terra e o pedregulho à beira d’água, o encanto e o silêncio da mata, entrecortada pelos raios do sol e da lua, vivifique em plenitude em cada coração, em cada filho que quer seguir o caminho da Lei Divina. Que a mente, o corpo e o espírito se fortaleçam, se curem de quaisquer mazelas, se livrem de toda quizila, e que o Senhor Oxóssi se manifeste em cada coração todos os dia, conduzindo sua racionalidade, o seu equilíbrio, a sua firmeza e a sua Paz onde quer que seus filhos tenham de caminhar.

Salve, Senhor das Matas! Salve Senhor Oxossi! Okê ar!!!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito - RJ

 

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2016
Antes de pedir, vamos agradecer, por todas as oportunidades, vamos reter no coração as memórias boas. Melhor ainda, vamos nos propor estarmos sempre com a mente presente, para perceber a importância e a beleza de cada momento, e vermos o quanto vamos enriquecer nosso acervo das coisas boas, pois em geral, as que não nos agradam nos impactam mais, e assim não captamos as pequenas coisas que nos felicitam.
Quantas vezes, preocupados ou raivosos, não vemos um gesto, uma palavra, um ato de boa vontade? A Bondade e o Bem são muito sutis, suaves e leves, enquanto a o egoísmo, a Indiferença, o rancor, são muito mais impactantes, brutais e nos ferem. Mas estarmos bem com vida, não significa nos tornarmos alienados, pelo contrário, nos propormos sermos felizes resulta de muito esforço pessoal, disposição para estarmos pró-ativos, sermos resistentes, resilientes, e muito, muito atentos em filtrar e escolher os caminhos e antever as consequências de cada ato.
Buscar a felicidade diária também não significa ser covarde para fugir das lutas, mas enfrentá-las e resolve-las da forma mais inteligente, criativa, inspirada e sempre com cuidado para as ações não perturbarem ao redor, pelo contrário acrescentarem. Isto requer cuidado, esforço. A Felicidade tem de ser construída, dá trabalho, e em geral queremos tudo vindo direto em nossas mãos, não é verdade? Mas temos de ser merecedores, cada dia, cada momento, vamos estar atentos, sair do automático.
A rotina é ilusória, se achamos que estamos vivendo uma rotina, estamos enganados. Mesmo que precisemos fazer todos os dias as mesmas coisas, isso é apenas aparente. Cada dia é diferente, a cada dia coisas estão acontecendo para que um não seja igual ao outro. Se achamos que tudo se repete, estamos no mundo da ilusão. Como umbandistas, temos de nos espelhar na natureza, e nunca é a mesma flor que floresce, nunca é o mesmo fruto que frutifica, nunca é a mesma água que passa no curso dos rios, e mesmo sabendo que o Sol e a Luz sempre nos fará companhia, nunca eles estão no mesmo lugar, estão sempre se movendo, em diferentes ângulos em direção à Terra. Haverá chuva de poeira cósmica que não havia antes, meteoros passando em rotas inusitadas. Mas....quantas vezes elevamos nossas mentes além daquilo que achamos ser corriqueiro? Quantas vezes olhamos para o céu observando as nuvens se modificarem, quantas vezes temos paciência para ver o verde renascer após as chuvas tempestuosas?
Os filhos de Nanã sabem que cada um renasce a cada dia, por Permissão Maior, os filhos de Oxalá sabem que Ele abençoa a cada um igualmente em cada momento, os filhos de Ogum nunca fogem à qualquer batalha afastando com sua força as demandas, deixando a cada um suas próprias consequências. Os filhos de Oxóssi, sabem a hora de atirar suas flechas certeiras evitando atos indevidos, os filhos de Iansã sacodem toda a poeira, afastando com seu poder de espalhar ventos as demandas que chegarem. Os filhos de Iemanjá deixam as ondas do mar levarem os escolhos da maldade, os filhos de Oxum neutralizam todo o Mal com a força do Amor que irradiam, diluindo toda a escória de um mundo imperfeito. Os filhos de Xangô, se mantém firmes na certeza que a Justiça de seu Pai nunca falhará e os de Omulu, não devem temer liberar seus sentimentos profundos e sua capacidade de cura, busquem a realização de suas capacidades e verão sua Luz brilhar. Se cada um souber de si, e acreditar, porque insistir que a felicidade não é possível neste mundo, como se acostumaram a acreditar?
E o povo dos nossos maravilhosos Guardiões de Lei? Nossos amigos de todas as horas! Emogibá, Damas da noite e Exus com sua Energia e Simbolismo! Salve as suas falanges que nos acompanham no dia a dia. Salve Reis e Rainhas que nos acompanham no girar do mundo! Saudemos sua força, não nos esquecendo nunca sua capacidade de transmutação das forças e condições ao nosso redor! Que nos compreendem, aconselham, protegem e guardam como os melhores amigos que poderíamos ter! Obrigada , salve a sua Porteira, sua Tronqueira sagrada ! Salve a sua Energia e Sagrada Missão!
Não podemos esquecer nunca, dos poderosos Boiadeiros que nos protegem por todas as paragens, o Povo Cigano com sua incomparável Magia e Sabedoria, a falange dos Malandros que nos favorece e ameniza as dificuldades e nos faz mais maleáveis pelos caminhos e o Povo do Oriente trazendo sua Cura para nossas distonias físicas, mentais e emocionais.
Além de agradecermos aos Orixás, e compreender a Força que nossos Pai e Mãe de cabeça nos facultam, vamos estar atentos para os conselhos e direção que os Pais velhos, com sua Bondade e Conhecimento nos trazem, vamos estar com os sentidos despertos para percebê-los, vamos vibrar para que eles possam sempre caminhar ao nosso lado, assim como o Povo da Ibejada, que faz nossos dias mais leves, sem excessiva austeridade, nos conferindo humor, colorindo e amenizando os momentos críticos
E agora que manifestamos nossos agradecimentos e sincera gratidão, vamos firmar nossas cabeças, vamos segurar nossas firmezas, vamos nos preparar para mais um ano, com muito Axé, muita Fé na superação das intempéries, seguindo nossos desígnios, evitando criar carmas negativos, sempre para frente, sempre em direção aos caminhos evolutivos . Vamos trabalhar, vamos batalhar, vamos distribuir boas novas, e nas horas de agonia, se existirem, vamos continuar, vamos seguir em frente, passando pelo Humaitá, pelas florestas, pelo mar, pelas regiões pantanosas que guardam a vida, vamos subir pedreiras, vamos usar o fogo e o vento , pelas estradas, e se for necessário, pelas encruzilhadas, vamos nos banhar nas cachoeiras, dançar para o Sol, e para a Lua, mas vamos prosseguir, pois se eles estão conosco, não temos porque temer ou oscilar.
. Então, antes de qualquer pedido para 2016, estamos aqui, profundamente gratos por todas as benesses, pela proteção, e concluímos que tudo o de melhor que podemos desejar para um novo ano, na verdade depende de nós. Dependerá da Fé em todos estes que fazem sempre nos valer, querem apenas nossa convicção, união, atitudes dignas e desta forma cada um tecerá os dias de 2016, mas nunca deixando para outro a responsabilidade. Dependerá única e exclusivamente do trabalho interno e esforço próprio de cada um ter um novo ano iluminado e construtivo.
Muito Axé, muita Luz, esclarecimento, Fé, Esperança, Amor a todos.
E que venha então 2016!!!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito - RJ


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 01 Povo de Aruanda II - Orações




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povo

Embora atrasado, não posso deixar de lembrar que 15 de novembro assinalou os 107 anos da Umbanda. Religião brasileira, com múltiplas raízes a partir de nossa cultura indígena - incluindo seus desdobramentos na jurema e catimbó-, da herança africana - com a influência do banto e yorubá - , o catolicismo europeu do século XVI a XIX, o kardecismo nascido do espiritualismo francês professado pelos intelectuais a partir de 1855, e ainda das correntes orientais, que aos poucos vieram à tona através dos médicos do astral, a fraternidade Branca e a corrente Cigana.

Uma miríade de espíritos empenhados no Bem, com inúmeras histórias de superação, sobrevivência e verdadeiros milagres. Esta Umbanda querida, que passa a fazer parte do nosso cotidiano nos ínfimos detalhes... Quem nunca passou por situação semelhante: ao sair de casa, “lembrar“ do nada que um aparelho elétrico ligado, uma porta esquecida com a chave do lado de fora, ou virar para o outro lado oposto da mão da rua a tempo de se desviar de um veículo na contramão? Quem nunca passou pela surpresa, ao se ver sem nenhum dinheiro, de “encontrar” uma velha nota de R$ 10,00 ou R$ 50,00 dobradinha e perdida dentro da calça lavada? Quem não conhece histórias de cura de alguém que havia sido desenganado? Serão simples coincidências? E por outro lado, quem nunca viu ou mesmo passou por intempéries, quando, tendo o compromisso de ser médium de Umbanda, deixou de respeitar os fundamentos ou começou a duvidar das Verdades do Mundo Maior?

A Umbanda é coisa séria para gente séria, como dizia o Caboclo Mirim. Se queremos ser chamados de umbandistas, então vamos agir como umbandistas, honrando nossos orixás, batendo cabeça no congá, nos prostrando diante da Forças Maiores que nos regem, agradecendo os pequenos e grande milagres de cada dia e sobretudo prosseguindo e levando a bandeira de Oxalá, que sinaliza que devemos viver com a Caridade e Amor no coração.

Salve a nossa Umbanda! Saravá à coroa abençoada do Povo de Aruanda!!!!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito - RJ

 

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A Felicidade tornou-se um mito. Muitos afirmam que ela não é deste mundo. Outros tentam se conformar com alguns esporádicos momentos de Felicidade....
Ainda existem aqueles que se tornam viciados em infelicidade, e sempre ficam esperando qual a próxima desgraça para justificar o seu estado de ânimo, repleto de auto-piedade .
Mas será que a Felicidade depende de uma maior compreensão, de uma nova postura perante a vida, ou apenas os sortudos podem obtê-la?
Felicidade para muitos é obter um estado prolongado de bem estar, de desejos realizados, de contentamento. Mas tudo isto é muito relativo, porque ao se criar uma condição de se estar feliz, os conceitos variam muito de pessoa e pessoa. O tamanho dos sonhos e ensejos, as exigências pessoais, o rigor e o grau gerado dentro de uma escala imaginária, tudo isso leva a antecipar a possibilidade de estar feliz, e muitas e muitas vezes nada do que se imagina acontece, e a consequência é uma grande frustração e infelicidade.
Mas, se houver uma mudança de paradigma, e em vez de se buscar estar feliz, procurar a essência de Ser feliz, o mundo se torna mais luminoso, mais amigável, e a Felicidade se encontrará sempre presente, fluindo fácil e plena.
Confúcio acreditava na Felicidade como consequência à harmonia entre as pessoas. O budismo acredita que a Felicidade ocorre através da liberação do sofrimento e pela superação do desejo, por meio do treinamento mental.
Para o umbandista, a medida da Felicidade é a soma do entendimento que se tem aquilo que lhe é necessário, é aprender a manter a consciência pura além de todas as intempéries, onde nasce o perdão sincero, a caridade verdadeira e a busca do Amor em Plenitude. O ingrediente que é o fermento desta maravilhosa receita é a Fé, pois sem a Fé não se crê em religião alguma, e não se estará pronto para ver o milagre diário de acordar e viver dia a dia.
Para quem acha que tudo acaba, tenha a certeza que algumas coisas são infinitas: o espírito imortal, a ascensão constante da alma, a vida imorredoura, as ações movidas pela Fé, Sinceridade e Amor.
Carregamos dentro de nós a Felicidade mais completa, quando a olhamos com os olhos da Humildade, do Agradecimento, da Compreensão, da Fé, estará sempre presente, sem depender de nada ou ninguém. Precisamos percebê-la, aceitá-la e irradiar ao redor, através deste Amor que permitimos cada vez se ampliar mais dentro de nosso mais profundo Ser.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

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pa1

A oferenda na Umbanda é sempre um ato de Amor, de agradecimento, ou um pedido para renovar as energias. Geralmente feita na encruzilhada, nas matas, campos, à beira mar.
A entrega ou Amalá é um ritual em que o umbandista oferece elementos para que o Orixá possa trabalhar por uma determinada causa. Normalmente entrega-se a comida, bebida, vela e demais elementos, que devem ser os correspondentes a cada Orixá. O umbandista crê que os elementos entregues geram forças magnéticas, e a energia necessária que será transformada pela Espiritualidade em benefício do pedido, de acordo com o merecimento de cada um.

Uma entrega feita corretamente, e isto implica principalmente a autenticidade e a pureza no coração daquele que a oferece, é como a chave de um portal que se abre no mundo astral, para que ocorra a comunicação entre os mundos e através deste portal emane a Força necessária para o auxílio deste filho necessitado que veio pedir com humildade e Fé. Quando a entrega é solicitada pelos guias para obtenção de alguma graça ou para purificação do médium, ou ainda para acelerar a ligação do médium com seus guias, ou livrá-lo de um estado de confusão por não saber lidar com sua mediunidade, a entrega passa a se chamar obrigação, e nunca, mas nunca mesmo deve ser negligenciada, sob o risco de agravar o desequilíbrio energético do médium.
Já o despacho, tem uma conotação negativa, tem um peso, pois muitas vezes é exigido o sacrifício de animais para o mesmo, o que não faz parte da ritualística umbandista. O despacho muitas vezes é ofertado aos exus de encruzilhada, que na verdade são quiumbas e não os Exus de Lei que trabalham na Umbanda. Podem ter o intuito de pedidos de teor indecoroso, ou mesmo com o intuito de prejudicar alguém, ou algum desejo totalmente equivocado por parte de um médium não desenvolvido distante do caminho da Luz. Geralmente geram grande dívida cármica a quem os promove, e não trazem bem algum, além de ser o ritual que mais polui a natureza.
Na verdade, se formos refletir, em um mundo que tenta lutar por melhorias ambientais, qualquer uma destas práticas seria um demérito, pois estaria gerando um material a mais a sobrecarregar a natureza. Hoje em dia, o conselho dos babalorixás é entregar a oferenda, fazer as orações e a reflexão necessária para se conectar com a energia dos orixás, e após cerca de 30 minutos, considera-se que a transmutação energética já tenha ocorrido, e o material já nada representa, podendo ser transportado e descartado adequadamente sem poluir o ambiente. Os espíritos que estão trabalhando em prol do médium que ali está em atitude de súplica e/ou agradecimento, são especialistas em captar as energias emanadas dos corpos etéricos das oferendas, como as frutas, flores e velas nelas contidas. Nesta transmutação entram ainda as energias do próprio médium, conectado com seus guias e com a espiritualidade que ali está presente no sentido de auxílio e benção. Por isso tudo, estes momentos devem ser vividos de modo contrito, com grande seriedade, Paz, Fé e muitas vezes são momentos de grande aprendizado para o médium, quando ele se preparar para este momento e tem a maturidade de perceber toda a atividade mágica ao redor.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito - RJ

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criSalve São Cosme e São Damião! Salve os santos curadores da coroa de Pai Oxalá! Trazendo alegria aos homens da terra, trazendo Paz, união, e Magia do Bem, mesmo quando não são aceitos ou considerados.
A verdade não precisa de cortinas ou histórias, e as lendas são construídas para maior compreensão por parte do ser humano. E junto da linda existência de São Cosme e Damião, há os espíritos que trabalham sob o mesmo galardão de Amor, e que usam a vestimenta de crianças para festejar a oportunidade do encontro entre os dois mundos.
Estes espíritos nos ofertam sua “água de bolinhas”, mas Maria-bentas, as cocadas brancas e pretas, compartem seu guaraná e nos abraçam com seus dedos melados de bolo. Só quem não quer entender, não aceita de bom grado seus presentes pueris, não percebe que estão ocorrendo momentos mágicos, com quebra de demandas, limpeza de auras.
A água fluidificada, o coco, o açúcar, as frutas, tudo se torna instrumento de trabalho, de renovação, de purificação.
Que não se acabem os dias de São Cosme e São Damião com a distribuição dos doces abençoados pela Espiritualidade. Que na alma de cada um se mantenha a criança que não julga, não fere, não teme, mas mantém os olhos cintilantes para a Beleza, a Espontaneidade, para os pensamentos sãos e cristalinos daqueles que confiam no Pai Maior e que acreditam na Perfeição do Universo.
São Cosme e São Damião, nos protejam das atitudes mesquinhas, Das más intenções, curem nossos corpos e nossos espíritos, nos deem a Luz da Alegria e Amorosidade. Estejam presentes nos abraços e sorrisos das crianças. Prossigam se manifestando nesta Terra Fria, pois quem é do Bem não precisa de simples migalhas de tolerância. Muito mais do que isso, os representantes do Bem na Terra, sejam quais nomes tiverem, brilham com sua própria Luz!!!!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito - RJ

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O sentimento de inveja pode ser definido como um sentimento de tristeza perante o que o outro tem e a própria pessoa não tem. Este sentimento gera o desejo de ter exatamente o que a outra pessoa tem que pode ser tanto coisas materiais como qualidades inerentes ao ser.

Não há quem não sofra de vez em quando com este sentimento. A questão é estar consciente disto, e lutar para abolir de dentro de si esta doença da alma. Não se trata de ser um dos pecados capitais, não é questão de dizer que não tem para não sofrer o fogo do inferno.

Sentimentos vem e vão dentro de nós o tempo todo. Somos um dínamo de emoções fervilhando, e nem sempre nos damos conta, ou analisamos o que sentimos, o que reflete uma falta de cuidado com o nosso próprio Ser. Acostumamos a seguir as marés do Ego, esta parte de nós que nem sempre enxerga de modo correto o que se passa dentro e fora da verdadeira cerne que somos. Em síntese, achamos que sabemos muito de tudo e todos, mas de nós, muitas vezes é como se estivéssemos perdidos num deserto. É como se estivéssemos cegos querendo o jardim que falsamente é mais formoso, sem percebermos que a hera perniciosa, o joio dos pensamentos incorretos, a ilusão de visões erráticas nos impede de cultivar a Beleza mais virtuosa que cada um pode ter.

O problema são as máscaras que colocamos como armadura contra o mundo que realmente não é fácil. Tentamos nos defender daquilo que nos atinge em nossas fragilidades, e mais uma vez não paramos para pensar que nascemos dotados de uma inteligência que nos imunizaria das contrariedades e das barreiras que nossa condição humana nos limita. Se aprendermos a raciocinar que somos únicos em todo o Universo, um grão de areia sim, mas um grão de areia diferenciado pela missão com que cada um veio ao planeta, e isto quer dizer que não somos apenas isso, uma massa de músculos, nervos, sangue e matéria, mas também espíritos, veríamos que cabe a nós apenas sermos o que somos.

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Não podemos ser virtuosos na arte, literatura ou poesia, se nossos espíritos não foram talhados para isso, mas podemos ser artesãos, operários, guerreiros. Se não somos belos fisicamente, podemos ser saudáveis e fortes, se não temos habilidades para construir palácios, vamos aprender a consertar a cadeira quebrada de nossa casa, pintar uma parede com cores bonitas. Se não dominamos uma língua estrangeira, vamos aperfeiçoar o nosso próprio idioma. Se não conseguimos acumular diplomas, vamos ler nas entrelinhas da vida as melhores lições. Se não temos roupas de marca, vamos ter nossa própria indumentária, limpa, bem cuidada e original. Por que esta mania de querer copiar tudo, ansiar pelos modismos, querer ser quem não somos?

Se não sou uma obra de arte, posso tentar ser uma moldura bonita, uma ideia a acrescentar, algo que me caracteriza neste mundo, mesmo que seja da forma mais humilde, mas que vai fazer a diferença. Não precisamos ser iguais, são os diferentes pensamentos, as diferentes maneiras de se chegar aos sonhos maiores que fazem com que todos estejamos aqui e agora, senão não estaríamos, pois na verdade estarmos aqui e agora neste mundo não depende de nós, mas de uma Força Maior.

Estamos aqui para aprender, a interagir o tempo todo, nem sempre com as pessoas, mas com nossos objetivos, se temos de ser políticos, cientistas, trabalhadores braçais, comerciantes, contadores de histórias... Temos de
descobrir nossas habilidades e ampliá-las ao máximo. Para não ficarmos desejando o que não é nosso, para não perdermos tempo ou nos frustrarmos com algo que não nos é destinado.

Se a inveja é uma espécie de tristeza, ela vai minando as forças, e tomando conta sem que se perceba. O ser humano não está aqui para ser infeliz. As circunstâncias nos fazem infelizes muitas vezes, mas permanecemos na infelicidade apenas se permitirmos. O caminho, o único caminho é o da Coragem, é o de abandonar o medo e a visão distorcida, e enfrentar o nosso pior inimigo, nós mesmos. Nossos erros, nossos defeitos, nossa insatisfação. Se adquirirmos a felicidade pessoal, não desejaremos o que não é nosso, o foco será mantido apenas naquilo que fará com que sempre lutemos sempre por melhorarmos, melhorarmos as condições ao nosso redor, fazendo a felicidade alheia, com ouvidos seletivos para os elogios tortuosos, ou as críticas venenosas. Seremos apenas nós, conscientes que estamos fazendo o melhor, satisfeitos por isso, mas crescendo sempre.

E crescer não significa fama, mesmo que ela venha, não significa enriquecimento, mesmo que ocorra por consequência. Crescer é atingir um estado de alma em que não é permitido julgamentos senão o de si próprio, na direção de aperfeiçoamento, riscar do repertório palavras como desistência, desamparo ou imperfeição. É difícil, é trabalhoso, e exige tudo de cada um, mas crescer, é cuidar da casa própria, que é o corpo com sua mente, fortificá-la a ponto de ser imune aos ataques, e deixar as palavras de lado, pois a ação , ou a não ação, dependendo do momento, acolherá a melhor atitude com a meta imperturbável da Paz.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito - RJ

 

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pa1
Cada um de nós sempre terá por perto algum espírito potencialmente obsessor. Simplesmente porque os espíritos estão em toda parte ao nosso redor, quer aceitemos isso ou não. E para se manterem na densa ambiência material do nosso planeta, naturalmente não serão espíritos de pura luz que estarão em permanente contato.

Ao refletirmos sobre as nossas companhias espirituais, devemos ter a certeza que nossos guias sempre estarão ao lado, aonde nós formos. Eles assumiram a missão de nos acompanhar, e só vão se afastar se primeiro nos afastarmos deles, com nossas atitudes de descrença, desrespeito, indiferença. De outra forma, sempre estarão nos acompanhando, até porque sua função de “anjos” da guarda é garantia para sua própria evolução. Ter uma coroa de espíritos luminosos e puros não é para qualquer um, é muito raro. O que temos são grandes amigos que a todo momento estão nos amparando, protegendo e intermediando condições de melhorias em nossa caminhada. Na maioria das vezes, são mais sábios e mais evoluídos que nós, mas também possuem sua própria trajetória evolutiva.
Embora a presença destes seres espirituais que nos protegem, eles não podem interferir em nosso arbítrio. Isto é, se escolhermos uma atitude frequente de mágoa, ressentimento, inveja, ciúme, tristeza, desalento, insegurança, fraqueza e descrença, estaremos vibrando de modo muito diferente, e desta forma fica muito difícil deles se aproximarem para nos auxiliar. Nem podem forçar a nossa mudança de atitude, a não ser que solicitemos. Isto me lembra uma ocasião, onde, necessitando de um conselho, relutei em me aproximar de um médium que estava incorporado em um espírito da falange do Seu Zé Pilintra. Ele passou por mim, uma, duas vezes, na terceira virou-se encarou bem e disse: “Se não pedir, não posso ajudar, vou considerar que você não precisa nada de mim, e agora já foi, dá próxima você aprende”. A princípio fiquei triste, depois vi que havia sido eu próprio quem me prejudicara, com a demora em agir e conversar com a entidade que havia se aproximado várias vezes. No dia a dia, quantas vezes não devemos fazer isso, afastando de nós aqueles que mais podem nos ajudar, com nossas dúvidas, nossa pouca Fé?
pa2
Devemos estar sempre atentos para os pensamentos de desalento, perdas, cansaço mental, descrença, falta de perspectiva, pessimismo em geral. Elas nascem dentro de nós, que ninguém se engane com isso. Somos obsedados porque provocamos uma atmosfera propensa a isto com pensamentos que não são bons, mas sobretudo PERSISTENTES. Quando um pensamento maldoso ou depressivo chega à nossa mente, temos condição de consciente e vigorosamente afastá-lo, buscando colocar no lugar pensamentos felizes, esperançosos e pró-ativos. Se, entretanto, nos deixamos levar, sem atuar pela força da vontade, estas condições se tornarão um hábito. Deixaremos de perceber o perigo, pois aí já estaremos envolvidos pelo poder obsessor. Reincidiremos nas reclamações, no sono excessivo, no desleixo, na autopiedade, em círculos cada vez maiores, o que nos afastará dos outros, gerando outras sensações de desconfiança, de abandono e fracasso, e daí para pior.

Se de um lado, estamos sempre sob a mira daqueles que querem nos ver paralisados e sem compromisso com a própria evolução, de outro temos a poderosa proteção da oração, da Fé, da nossa amada coroa de guias espirituais que nunca nos negarão auxílio. Então, na verdade, temos de ser cada vez mais vigilantes neste combate sem tréguas contra nossas más tendências, nossas próprias estagnações, não estendendo aos outros a culpa por nossos tropeços. Somos e temos o que plantamos ontem, e seremos amanhã o que estamos plantando hoje.

Vamos então lutar para sermos bons jardineiros de nossos próprios jardins, para que possamos levar aonde formos o perfume das flores e o canto dos pássaros, que sejamos agradáveis ao convício, flexíveis como a fina haste de bambu e leves como as nuvens que passeiam no céu. Desta forma, o mais terrível obsessor se cansará de ser mau, verá finalmente o quanto tem sido ignorante, e se transformará em alguém que pede auxílio para conseguir andar novamente no rastro das estrelas.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

 

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magiaSem qualquer intenção de fazer do que escrevo abaixo uma verdade absoluta, mas tentando repassar apenas o que penso entender a respeito do assunto, escrevo aqui um pouco sobre o significado de Magia, esta desconhecida para muitos.

Infelizmente há muitas interpretações contraditórias, outras são até confusas, pois muitos acham que magia e mágica são a mesma coisa. A MAGICA nada mais é que habilidade física, manual de quem devolveu a técnica, executada por uma pessoa que pratica atos de ilusionismo. A MAGIA é a mobilização de forças em determinados planos, as quais agem nos campos psíquico, vibracional e espiritual, e onde através de atos, palavras e pensamentos obtém-se os resultados .

Muitas religiões renegam o uso da Magia, aliás, até mesmo negam sua existência, mas para quem conhece a magia bem sabe que querendo ou não, ela é uma manifestação do pensamento e sendo assim, a magia é realizada em todas as religiões, na maioria das vezes sem que o agente compreenda o que lhe ligou ao efeito.

Durante uma oração/prece, quando se deseja obter algo, a pessoa automaticamente está praticando uma magia. Querendo ou não é uma forma de pensamento, é e emissão de uma vibração em direção à obtenção daquela graça ou seus desejos. Há um grande perigo a quem faz a magia sem realmente saber o que faz, pois até mesmo em uma oração/prece, há elementos que devem se levar em conta, ou seja, forças atuantes que estão sendo mobilizadas. A direção destas forças será determinada pela intenção e podemos também refletir que a magia nada mais é que consciência, força e matéria em vibrações com efeitos consequentes.

Sempre que tenho oportunidade, converso com os irmãos evangélicos eu afirmo tais fatos, justamente porque a maioria deles desconhece a magia e dentro de suas igrejas podem estes estar praticando a magia sem realmente saber o que estão fazendo.
Aliás, ainda complemento que na Umbanda também se combate os tais encostos que nas outras religiões afirmam combater, mas dentro da nossa verdade e com nossos rituais, sempre dentro da simplicidade, e principalmente parando as vezes para ouvi-los, aqueles os quais chamamos de espíritos obsessores e /ou trevosos, pois eles trazem muitas dúvidas, desconfianças,e muitas vezes intenções não muito boas, mas das quais podem ser dissuadidos de forma a deixarem de praticar atos deletérios .

Acredito que este seja o caminho, ou seja, trazer a todos estes conhecimentos e falar uma língua que todos entendam, pois a maldade existe, os corações não muitos bons também, mas o Amor é bem maior do que tudo que passamos.

Podemos sim, debater com os irmãos Católicos, Evangélicos e outros, basta querer fazer a sua parte dentro da sua verdade e dentro dos fundamentos de cada um. Fico feliz quando alguém de outra religião tenta compreender um pouco mais sobre a nossa amada Umbanda. É uma honra poder tentar repassar o que penso conhecer sobre esta religião, vamos desmistificando toda uma forma de pensar, toda a ignorância adquirida a respeito de nossos atos, crenças e evolução. Falar sobre Umbanda a aqueles das demais religiões, é tentar derrubar os muros que são edificados todos os dias, é fazer a nossa parte como Umbandista.

Deus salve a Umbanda! Que a Magia do Amor Universal traga Felicidade e Bom Plantio para cada um.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito - RJ

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pa12
Já escrevi sobre o Orixá Mallet (clique e leia mais sobre este espírito), mas venho aqui relembrar uma de suas muitas histórias. Orixá Mallet é o nome de uma das entidades que auxiliava o médium Zélio de Moraes, que nos trouxe a Umbanda para o mundo físico, através da manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

O Orixá Mallet se apresentava como um espírito malaio, chefe de falange, que quando descia em Terra era para desfazer energias pesadas, auxiliado por caboclos e outro guias.

A história que trago é um episódio que se passou com Benjamim Figueiredo. Em 1920, este médium recebeu ordens diretas do orixá Mallet para fundar uma Tenda Espírita. Como ele não estivesse muito disposto a cumprir esta ordem, o Orixá Mallet, incorporado em Zélio de Moraes, acertou-lhe uma pedra na cabeça, e desacordado, foi carregado pela entidade por um quilômetro e atirado ao mar . A partir daí, convencido de sua missão, Benjamim Figueiredo começou a receber a entidade chamada Caboclo Mirim, e quatro anos depois, fundou a Tenda do mesmo nome. O Caboclo Mirim é muito famoso por sua frase: “Umbanda é coisa séria para gente séria” .

Esta passagem dos primórdios da história da implementação de nossa religião, mostra que não é o filho de banda quem encontra a Luz Divina, o outro nome da Umbanda. É a própria Força Magística da Umbanda, que escolhe seus filhos. Cabe a cada um aceitar o chamado para sua evolução. Uma vez assumido o compromisso, é uma porta que não tem volta, por isso, cada um que sentir dentro de si o chamamento da Umbanda, que faça uma profunda busca dentro de si. Se encontre, e assuma integralmente esta responsabilidade. De outra forma, se tiver intenção de apenas obter benefícios próprios ou não agir com a devida maturidade, é melhor nem começar.

Saravá Caboclo das Sete Encruzilhadas!
Saravá Caboclo Mirim!
Saravá Umbanda, Luz Divina, Mensageira de Oxalá!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito - RJ

 

 01 Povo de Aruanda II - Orações  POVO DE ARUANDA vOL III



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Passou anos frequentando o terreiro. Tornou-se cambono, hoje em dia toma conta das luzes durante a sessão, conhece cada passo de todos os rituais, sabe o nome de todos os médiuns, mas não consegue ser feliz.
Sua vida não vai para frente, seus afetos nunca permanecem, parece que nunca vai realizar-se.

Senta-se junto ao preto velho, que pacientemente o defuma mais uma vez. O umbandista dá um grande suspiro, espera meio impaciente o vovô soprar a fumaça de seu cachimbo sobre seu plexo solar, no esplênico, no laríngeo...Está tão absorto em seus problemas que perde a plenitude do momento de descarrego.

Logo começa a desfiar seu rosário de lamentações: "Assim não é possível, vovô. Tantos anos dedicados à esta casa, e eu não consigo nada do que almejo. Não consigo passar no concurso que eu precisava, em casa é só cobrança e a eleita do meu coração está me evitando...Eu quero ser feliz ! Nem dá vontade de voltar aqui, porque tantos anos pedindo aos orixás, e nada consigo, não acho justo!”

“Filho meu, dá um abraço cá no velho, e não amofine seu coração. Não adianta velho falar nada agora, que filho não vai entender. Mas siga em Paz e acredite que tudo pode melhorar.”

O cambono se despede e segue seu caminho cabisbaixo, não tendo aproveitado as qualidades dos fluidos que amorosamente recebeu. Ao chegar à sua casa, toma seu banho com os pensamentos no trabalho e nas tarefas cotidianas, já distanciando-se das questões do espírito. Dorme, sem nem mesmo uma prece, ressentido porque mais uma vez a amada não lhe atendeu a chamada telefônica tardia, esquecido que o celular do outro lado pode estar indisponível, ou a pessoa em questão dormindo, cansada das lutas diárias.

Mesmo assim, despreparado e já assediado por criaturas atraídas por seus pensamentos em desequilíbrio, vem chegando devagar o preto velho que lhe assistira horas antes. A gira já terminou faz tempo, mas a falange dos pretos velhos segue noite adentro, auxiliando aqueles que lhes rogaram benesses.

A entidade carinhosamente ajuda o rapaz a desprender-se de seu envoltório carnal, ainda preso pelo fio de prata que acompanha as viagens astrais dos vivos durante sua emancipação no sono, e o leva para um lindo vale repleto de flores sob a claridade solar, borboletas multicoloridas, pássaros canoros e animais brincando em alegre correria. Aos poucos, o rapaz vai conseguindo se sintonizar com a beleza do lugar e com as vibrações benfazejas. O preto velho o encara com seu bondoso olhar, e diz:” Agora suncê vai conseguir me escutar um pouquinho. Filho, tudo que está debaixo do céu é de conhecimento do Pai. Ele nunca esquece o menor de seus filhos. Mas nem sempre o que filho quer é o melhor para ele naquele momento. Suncê teima em achar que tudo tem que ser prá ontem, segundo sua vontade. Assim foi quando pediu aquele emprego em outro estado, mas hoje nem lembra mais. Ou quando queria um carro novo e já ouvi suncê falar há pouco que tal carro tem um monte de defeito. Quer porque quer a moça que até está fugindo de ocê, me jura que se não for ela não poderá ser mais ninguém, mas há poucos meses era outra moça, e sonhava até reencanar para encontrar ela de novo em outras circunstâncias. Pensa direitinho, firma sua cabeça. Suncê a cada hora tem um querer, não há preto velho ou qualquer entidade que vai acreditar na força de seu coração. Além de tudo, suncê deu para ameaçar largar a religião caso não for atendido naquilo que acha que é necessidade. A prioridade, meu filho, é acordar a cada dia, ver que está vivo e agradecer ao Pai Maior mais uma oportunidade de superar seus inúmeros defeitos de ser humano. Preto velho ama ocê como amava seus filhos encarnados, então, venho lhe pedir para escutar um pouco de minhas palavras. Aprenda a amar verdadeiramente sua religião, tenha verdadeira Fé na crença do Pai e seus orixás, nas Linhas da Umbanda. Em vez de ficar remoendo o que não acontece em sua vida, faça acontecer coisas boas para aqueles que sofrem muito mais e precisam de sua ajuda. Umbanda é Caridade acima de tudo, filho, mas também firmeza de querer, verdadeiro Amor à Espiritirualidade Bendita que luta tanto para que cada filho possa ter mais conforto nesta Terra Fria. Tenha mais humildade e mais reconhecimento em seu coração, entenda que é você quem constrói sua realidade, com a firme vontade que aquilo vai dar certo. Faça acontecer, filho meu, trabalhando em prol dos seus irmãos, e verá que tudo será mais fácil, os caminhos se abrirão, e o que é certo e bom para ocê acontecerá naturalmente sem qualquer exigência. Filho vai voltar agora para seu corpo físico, e com a ajuda de Oxalá, vai acordar com as palavras do velho no coração, para começar o dia buscando sua Felicidade.”

Realmente ao acordar, logo o rapaz sentiu-se diferente. Foi logo oferecer café para seu vôzinho espiritual, e acendeu uma vela agradecendo o bem estar que estava sentindo. Não mais aquela angústia em seu coração. Percebeu que todos os problemas pareciam menores e a mente mais clara para começar com motivação o novo dia. Tudo lhe pareceu possível, e lembrou envergonhado que havia ameaçado largar sua amada religião por algo agora percebia, dependia só dele se posicionar, vibrar positivamente e agir. Arrumou carinhosamente sua roupa branca dentro da mochila, para a sessão da noite, e saiu para o trabalho, disposto a ajudar e colaborar o mais possível com todos ao redor, pois tinha a sensação que só assim o seu coração iria ficar satisfeito, quando pleno de dádivas, bênçãos e Amor.

Preto Velho, lá de Aruanda enxugava os olhos marejados de lágrimas. Seu filho de banda não se lembrava do sonho, mas em sua alma repercutiam as lições da noite e as estava colocando em prática. Não era mais apenas um devoto pela metade, sem firmeza ou Fé verdadeira. Filho seu estava pronto para caminhar.

Alex de Oxóssi
Rio Bonito - RJ

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01  Povo de Aruanda II - Orações  POVO DE ARUANDA vOL III
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